Desde o dia 3 de maio, o Centro Estadual de Treinamento Esportivo (CETE) virou um dos principais pontos de arrecadação de donativos do Rio Grande do Sul. O espaço fica na Capital gaúcha, em uma região mais alta do bairro Menino Deus, que também foi atingido pela cheia do lago Guaíba.
Frio aumenta demanda por doação de roupas — Foto: Vivian Leal/NDDe lá, diariamente, partem cerca de trinta voos de helicóptero com alimentos, agasalhos, água e cobertores, entregues em diferentes cidades atingidas pela enchente no Rio Grande do Sul.
“Isso aqui virou uma espécie de centro de distribuição de donativos. Como a gente está em uma região central, recebemos muitas doações, desde grandes entregas com carretas, até as sacolas individuais que as pessoas trazem aqui”, afirma Bruno Ortiz Porto, diretor-geral da Secretaria Estadual de Esporte e Lazer, e responsável pela coordenação do local.
“Todas as doações são importantes, mas a principal demanda continua sendo alimentos e roupas”, completa ele.
Com a queda nas temperaturas no Estado, a demanda por cobertores, casacos, mantas e agasalhos de inverno cresceu, principalmente, porque a água está baixando em algumas regiões do Estado e o trabalho de reestruturação dos atingidos será feito a longo prazo.
Segundo informações do Climatempo, cerca de 20 municípios registraram temperaturas abaixo dos 5ºC na última quarta-feira (15), sendo que o amanhecer teve registro de 0,3ºC em algumas localidades.
“Uma coisa é pegar duas calças, três camisetas e um moletom para passar um período no abrigo, outra coisa é ter que reconstruir toda a vida”, explica Ortiz.
Com a chegada do frio, doar roupas quentes e cobertores é muito importante — Foto: Vivian Leal/NDA FAB (Força Aérea Brasileira), através da coordenação do Comando de Operações Aeroespaciais, afirma que está intensificando os esforços na Operação Taquari 2 desde terça-feira (3), para socorrer os afetados pela enchente no Rio Grande do Sul.
Nesta quinta-feira (16), uma aeronave KC-30 partirá da Base Aérea de Brasília (BABR) às 16h30 com destino à Base Aérea de Canoas (BACO), transportando cobertores e roupas de frio no que está sendo chamado de Voo do Calor Humano.
“Quero doar roupas de frio e outros”: como funciona o processo de doação?
As roupas que chegam até o Cete passam por um processo de triagem, feito por voluntários na Escola Estadual Mané Garrincha, anexa ao espaço.
As salas de aula se transformaram em depósitos, onde as peças são separadas por gênero, tamanho, estação do ano, sapatos, adulto e infantil.
Uma triagem é feita por todos os itens que chegam — Foto: Vivian Leal/NDCada kit é montado conforme a demanda encaminhada pelos municípios, conforme o estoque disponível.
A rotina nos alojamentos
Há uma semana, a rotina do bancário Otaviano Carvalho, de 60 anos, é ir para a pista esportiva auxiliar no carregamento das aeronaves.
“Chego às 7h e vou até às 19h. A gente envia os suprimentos de alimentação através dos helicópteros para quem está precisando. Moro aqui no bairro e por pouco a água não chegou. Eu não poderia ficar em casa sentado, vim ajudar porque cada um ajudando um pouquinho, vira um monte”, conta.
Segundo a Defesa Civil estadual, são 77 mil pessoas vivendo em abrigos — Vídeo: Vivian Leal/ND
Cerca de duzentas pessoas estavam abrigadas no ginásio do CETE nesta quinta-feira (16). Em toda Capital gaúcha, são 13,6 mil pessoas alojadas em 154 abrigos espalhados pela cidade.
Segundo a Defesa Civil estadual, são 77 mil pessoas vivendo em abrigos municipais e parceiros, em todo Rio Grande do Sul.
“Estamos sendo bem abrigados”
O venezuelano Javier Velasquez foi resgatado no bairro Sarandi, na Zona Norte de Porto Alegre, e agora está em um destes espaços de acolhimento. Ele cortava o cabelo quando conversou com a reportagem.
“A gente está sendo bem atendido. Tem café da manhã, almoço e janta. Estamos sendo bem abrigados”, disse.
O serviço era oferecido por outro abrigado, Alejandro, também venezuelano e foi resgatado no bairro Floresta.
Alejandro é venezuelano e conta como está a situação no RS. — Vídeo: Vivian Leal/ND
“Estou tentando ajudar as pessoas aqui. Já está tão difícil a situação que está acontecendo, não é fácil perder todas as coisas, ter que sair de casa”, contou ao mesmo tempo em que tentava não errar no corte de cabelo.
Como ajudar o Rio Grande do Sul?
Desde o início da tragédia que assola o Rio Grande do Sul, o Governo do Estado reativou a chave Pix (CNPJ: 92.958.800/0001-38) criada na enchente do ano passado, para arrecadar valores, que serão destinados para as famílias gaúchas.
Abrigo montado no Grêmio Náutico União – Foto: Ocimar Pereira/GI-PMPA/Divulgação/NDAlém disso, mais de 10 mil agências dos Correios, espalhadas pelo Brasil, estão recebendo e entregando doações gratuitamente.
As pessoas podem doar itens como: água (prioritário), alimentos de cesta básica, material de higiene pessoal, material de limpeza seco, roupas e roupas de cama e de banho e ração para pet.
Segundo levantamento da estatal, até a última quarta-feira (15), cerca de 11 mil toneladas de doações foram recebidas pelos Correios e 3 mil toneladas foram entregues à Defesa Civil, em Porto Alegre.