A empresa de transporte coletivo Estrela-Insular realizou uma reunião com ex-funcionários demitidos para negociar o pagamento de rescisão, no bairro Capoeiras, em Florianópolis, nesta quarta-feira (12). A empresa entrou com processo de recuperação judicial, em que pretende pagar apenas 40% do direito aos trabalhadores.
Manifestação de ex-funcionários demitidos ocorreu em frente ao terminal de Capoeiras – Foto: Sintraturb/Divulgação/NDO processo de recuperação judicial permite que companhias renegociem suas dívidas acumuladas dentro de um período de crise, como a pandemia, recuperando o que possuem de dívidas sem comprometer suas atividades, demissões ou falta de pagamentos.
Os trabalhadores mobilizam manifestações e diálogos com representantes da Estrela-Insular e da Prefeitura de Florianópolis. Eles desejam receber a indenização de forma integral.
SeguirSegundo Adriano José de Andrade, um dos participantes da reunião da última quarta-feira (12), a empresa garantiu que não pagará 100% do ressarcimento.
Andrade, que trabalhava como motorista na Estrela-Insular, afirmou que os ex-funcionários devem persistir. “Saímos decepcionados (…). Seguiremos na luta”, disse.
De acordo com fontes que foram à reunião, estavam presentes o sócio-diretor da Estrela-Insular, João Renato Castro, e o gerente de recursos humanos da empresa.
Nesta quinta-feira à noite, está marcado um encontro entre os ex-empregados para a organização de novas manifestações e tentativas de negociação com a empresa e também com o prefeito Gean Loureiro (DEM).
A reportagem do ND+ buscou contato com a Estrela-Insular, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
Os ex-funcionários dizem que a articulação é independente ao Sintraturb (Sindicado dos Trabalhadores dos Transportes Urbanos), para que este não seja punido, mas que conta com o apoio e aconselhamento do movimento.
O secretário de organização do sindicato, Antônio Carlos Martins, foi procurado pelo ND+. Ele afirmou desconhecer a reunião. Já secretário de comunicação e imprensa do sindicato, Deonísio Linder, afirmou ter descoberto que a reunião iria acontecer através de uma publicação na internet.
O vereador Afrânio Boppré (PSOL), que é autor de um projeto de lei que proíbe fechar os postos de trabalho de cobradores, disse que a dívida trabalhista precisa ser cumprida.
“A empresa tá querendo dar o golpe na legislação. Não é aceitável que quem tem uma família, um aluguel, uma vida, fique à deriva”, criticou o parlamentar.