Núcleo histórico de Florianópolis tem dois processos de tombamento

Documentos estão sendo analisados pela Fundação Catarinense de Cultura

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Dois pedidos de tombamento estadual do Centro Histórico de Florianópolis, motivados pelo projeto do município que prevê a retirada parcial dos paralelepípedos, estão tramitando na Fundação Catarinense de Cultura.

Ala leste do Centro Histórico de Florianópolis – Foto: Marco Santiago/Arquivo/NDAla leste do Centro Histórico de Florianópolis – Foto: Marco Santiago/Arquivo/ND

Um dos documentos é assinado pelas arquitetas Vanessa Pereira e Fátima Regina Althoff, ex-diretoras de preservação do patrimônio cultural da FCC, que pedem abertura do processo, em caráter de urgência, para proteção de todo o “triângulo central” de Florianópolis – “desde os limites do Hospital de Caridade, seguindo pela face oeste do Morro da Cruz, até a proximidade do cruzamento da avenida Mauro Ramos com a Beira-Mar Norte”.

O objetivo é garantir “a preservação de conjuntos urbanos e de arquitetura popular, além de bens de significado cujo reconhecimento é mais recente, tais como o patrimônio neocolonial e modernista”.

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Elas salientam que a fundação “deve alinhar-se aos demais órgãos de patrimônio no Brasil e no mundo” para que os tombamentos incluam também conjuntos urbanos – “caso do centro fundacional” -, destacam a “relevância histórica do assentamento original” e afirmam que a intervenção do Executivo “pode mutilar a ambiência urbana de expressiva porção do território onde nasceu e floresceu a capital”.

“O tombamento estadual não impede melhorias, o que impede é a retirada do piso histórico”, afirma Vanessa. Depois da análise técnica da FCC, o processo passa pelo Conselho Estadual de Cultura e pelo gabinete do governador, que decide pelo tombamento ou não.

O outro pedido, no mesmo sentido, foi protocolado por Suzane Albers Araújo, presidente da Associação de Conservadores e Restauradores de Bens Culturais, e Janice Gonçalves, presidente do Fórum de Entidades em Defesa do Patrimônio Cultural Brasileiro/SC.

Elas sustentam que há risco iminente descaracterização do núcleo histórico fundacional com a retirada das pedras atuais: “Esses pisos são testemunhos da formação e da evolução da cidade e parte integrante do patrimônio ambiental urbano de Florianópolis”.