Padre Vilson Groh fala sobre visita ao Papa Francisco e lança novos projetos no IVG

De 13 a 30 de setembro, o Pe Vilson Groh esteve na Itália, onde participou de conferências com jovens de todo mundo a convite do Grupo de Economia do Papa Francisco

Redação ND Florianópolis

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Há mais de 40 anos, o padre Vilson Groh e seus parceiros voluntários ajudam crianças e jovens das periferias da Grande Florianópolis a melhorar suas perspectivas de vida por meio de oportunidades. No mês passado, a convite do Grupo de Economia do Papa Francisco, Groh foi à Itália, onde participou de uma série de conferências. Ele apresentou as iniciativas desenvolvidas pelo IVG (Instituto Pe. Vilson Groh) e conheceu projetos sociais desenvolvidos pelo mundo. Na manhã de sexta-feira (7), ele chamou uma coletiva de imprensa para falar da viagem e lançar mais dois programas no âmbito do IVG.

Padre Vilson Groh reuniu-se com Grupo de Economia do Papa Francisco na Itália – Foto: Leo Munhoz/NDPadre Vilson Groh reuniu-se com Grupo de Economia do Papa Francisco na Itália – Foto: Leo Munhoz/ND

Segundo Vilson Groh, o grupo de economia do Papa Francisco lançou um pacto a fim de  reconstruir o processo da economia globalmente. “Esse pacto vem sendo pensado a partir da pandemia e se concretizou agora presencialmente em Assis [Itália]. Éramos 1.200 jovens de todos os continentes, de 120 países e esse trabalho que o Papa nos convocou, chamado Economia Global Francisco e Clara, é com objetivo de a juventude repensar o processo da economia”, explicou Vilson Groh na coletiva.

No encontro, estavam jovens do mundo dos negócios (30%), da área da pesquisa (30%) e os 40% restantes eram agentes de mudança (estudantes, representantes de movimentos sociais e ONGs (Organizações Não Governamentais). Do Brasil, foram 100 jovens. Eles formam o grupo que fará a articulação brasileira pela economia do Papa Francisco e Clara.

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“Se olharmos o pontificado do Papa Francisco, desde 2013, é pautado em duas grandes questões: as problemáticas dos empobrecidos e a da Terra. Como repensar isso dentro de outra perspectiva de reconstrução? O Papa Francisco acredita na juventude. O objetivo era lançar para a juventude que ela precisa voltar seus olhos para essa realidade”, comentou Groh, que se disse feliz por retornar a Florianópolis com mais energia.

“A proposição do Papa Francisco é um grande grito, um desafio, uma provocação. E uma provocação que ele faz para a juventude. Essa provocação que queremos fazer para a juventude de Florianópolis, da periferia, da classe média,os universitários, para repensarmos a região. É possível”, enfatizou Groh.

No entendimento dele, os projetos realizados pelo IVG e parceiros mostram que o trabalho em rede, de consensos, que chega na ponta e provê instrumentos de possibilidade, abre horizontes. “Não podemos perder a esperança.Voltei dessa viagem com muito gás, porque vi tantas experiências bonitas, pequenas, articuladas lá no fundo da base dos territórios. É essa articulação que queremos fazer, uma articulação internacional, na causa comum”, afirmou o educador social.

Dois novos programas do IVG

Autonomia alimentar e chance de empreender. Essas são as duas grandes ferramentas que os mais novos programas do IVG darão aos seus beneficiários. O primeiro deles, a moeda social, vai beneficiar, num primeiro momento, 205 famílias com R$ 200 para aquisição de alimentos, produtos de limpeza e gás de cozinha. Os primeiros depósitos nas contas das famílias serão realizados nesta semana. Além disso, o recurso só será aceito em mini-mercados credenciados.

“Estamos começando com 11 comércios. Eles estão nas comunidades do Mocotó, Monte Cristo e Comunidade da Praia, em Palhoça. A ideia é ampliar o número de famílias e mercadinhos credenciados até dezembro”, explicou a gerente executiva do IVG, Lucieni Braun. Também nessa etapa inicial, a moeda social se destinará a 205 famílias mais necessitadas atendidas pela rede IVG. A ideia, até dezembro, é ampliar para 500 famílias e também ampliar o número de comércios credenciados.

Para o Pe. Vilson Groh, essa ação é um passo a mais no que o IVG faz todo dia. Ele considera importante que o dinheiro circule dentro das comunidades, para que os mercadinhos possam sobreviver e se reinventar. Além disso, destacou a questão da autonomia das famílias, que podem escolher o que comprar, ao contrário de quando recebem uma cesta básica, por exemplo.

“No início da pandemia, começamos a distribuir cestas básicas, mas vimos o quanto é importante para as famílias a possibilidade de escolher seus próprios alimentos. Isso é dignidade, autoestima. Eles sabem o que realmente necessitam e, da cesta básica, nem todos os produtos são utilizados. O fato de chegar no mercadinho local e fazer a própria compra, olhando para as suas necessidades é o que tem de mais bonito dentro do nosso programa”, ponderou Lucieni Braun.

O outro lançamento do IVG foi o microcrédito, que vai possibilitar aos jovens dos programas atendidos pelo instituto tirar ideias do papel. “Há um ano e meio, junto com o Sebrae, estamos formando empreendedores nas nossas comunidades, com formações que têm como objetivo prepará-los para os novos negócios que eles tanto sonham. Com apoio do MPT (Ministério Público do Trabalho), o microcrédito vem para possibilitar que essas pessoas que passaram por formação possam colocar seus sonhos em andamento”, declarou a executiva do IVG. “Esses dois projetos na Grande Florianópolis podem apontar uma grande perspectiva de saída para as famílias empobrecidas, na linha da autonomia”, completou Vilson Groh.