Pai tem reação homofóbica em evento de Florianópolis e artista reage: ‘chateado e com raiva’

Quadrinista desabafou sobre episódio que ocorreu na Comic (Con), no último sábado (11), na Capital

Redação ND Florianópolis

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Um episódio de homofobia foi registrado na Comic (Con) de Florianópolis, no bairro Prainha, no último sábado (10). O quadrinista Adri A. contou que um homem, ao perceber que o protagonista de sua história era LGBTQIA+, arrancou o livro das mãos do filho e xingou a obra.

Adri A é quadrinista e ilustrador, criador da “Cara Unicórnio” – Foto: Adri.A/Reprodução/NDAdri A é quadrinista e ilustrador, criador da “Cara Unicórnio” – Foto: Adri.A/Reprodução/ND

“Mexeu mais comigo do que eu imaginava que algo assim poderia mexer, e mais do que eu deveria permitir que mexesse”, afirmou o artista em publicação uma rede social.  “E agora estou chateado, ressentido e com raiva.”

A publicação teve pouco mais de 300 interações e vários internautas se posicionaram para defender Adri A. “Tentar me desculpar pelo povo de Floripa, nem todos são assim. Existem uns idiotas. Continue seu trabalho. Faça nota de repúdio e comunique a organização do evento”, escreveu um homem.

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“Te desejo forças. Siga em frente, pois teu trabalho é muito bom. Fazia tempo que eu não lia histórias de super-heróis tão legais quanto as do Cra-Unicórnio”, disse outro. “Seu trabalho é muito importante para muitas pessoas”, afirmou um terceiro.

A organização do evento se posicionou sobre o caso por meio de nota, na qual repudia qualquer ato de homofobia.

“Um de nossos artistas selecionados, neste sábado, foi vítima deste odioso crime. Um participante cometeu claro ato de homofobia contra o artista que vendia quadrinhos de temática LGBTQI+. Isto não é admissível, sobretudo em um encontro que congratula as artes e a diversidade. Estamos tristes com o ocorrido e pedimos desculpas, em nome de todos catarinenses ao artista e a comunidade LGBTQI+, pois quem fez isto, não nos representa”, diz o texto.

Em uma atualização, a organização escreveu que não foi possível reconhecer o homem que praticou o crime. “Se descobrirmos, iremos relatar para a polícia”, afima.

Adri A. fez um vídeo nesta segunda-feira (12), em que agradece o apoio que recebeu e fala sobre a repercussão do caso.

“É bem triste. Acho que ele não chegou a ser criminoso, mas acho que ele foi um put* babaca, o que não muda o fato de que me deixou bem triste, e de saber que existe gente assim no mundo”, desabafou.

“Gostaria que essa pessoa repensasse sua postura diante da diversidade do mundo. O que eu posso fazer é o que eu já sigo fazendo, me posicionamento através do meu trabalho”, finalizou.

A criminalização da homofobia e da transfobia foi permitida pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em decisão de junho de 2019. No memso ano, o tribunal também decidiu que declarações homofóbicas podem ser enquadradas no crime de racismo. A pena é de 1 a 3 anos, podendo chegar a 5 em casos mais graves.

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