Pais relatam surpresas e emoções em diferentes idades e experiências da paternidade

Em homenagem ao Dia dos Pais, o ND+ conta a história de três pais que relembraram os primeiros sentimentos e também os desafios

Marcos Jordão Florianópolis

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Neste domingo (14) será comemorado o Dia dos Pais pela 68ª vez no Brasil desde sua implementação em 1953. Ao longo das décadas, diversas gerações foram homenageadas com as demonstrações de afeto e outros que são “estreantes” nesta data.

Pais contam histórias do início da paternidade – Fotos: Leo Munhoz/Arquivo Pessoal/NDPais contam histórias do início da paternidade – Fotos: Leo Munhoz/Arquivo Pessoal/ND

Entre os novatos do grupo de pais, está Deivid Augusto Marcolino que recebeu a notícia exatamente no mês do seu aniversário de 30 anos. Apesar de planejado, ele afirma que o anúncio ainda gerou surpresa.

Deivid Marcolino e Adelane Gonçalves aguardam o nascimento da filha em novembro – Foto: Leo Munhoz/NDDeivid Marcolino e Adelane Gonçalves aguardam o nascimento da filha em novembro – Foto: Leo Munhoz/ND

“Eu não esperava que fosse tão rápido. Foi uma sensação de felicidade, amor, medo e chorei muito com a surpresa. Por uns minutos eu achei que era apenas uma pegadinha, mas assim que vi a minha esposa chorando de alegria a ficha caiu. Foi a melhor sensação da minha vida”, conta Deivid Marcolino.

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Atualmente, a mulher de Deivid, Maria Adelane Martins Gonçalves, está no sexto mês de gestação. O casal descobriu em agosto que será uma menina e já definiu o nome: Zoe.

Mesmo com mais de 65% do período de gravidez, Deivid Marcolino havia sentido apenas o coração da filha, mas sem nenhum movimento. No entanto, Zoe resolveu dar o primeiro chute na mão do pai durante a entrevista ao ND.

Deivid Marcolino sentiu o primeiro chute durante  – Foto: Leo Munhoz/NDDeivid Marcolino sentiu o primeiro chute durante  – Foto: Leo Munhoz/ND

“Ouvir o coraçãozinho dela é muito emocionante. A nossa rotina vem mudando a cada mês e agora sentindo ela chutar o desejo de ver ela só aumenta. Estou ansioso pela chegada e o quarto está quase pronto. Porém, ainda não planejamos um irmão”, conclui.

Primeiros meses como pai

Deivid Marcolino conta com uma inspiração bem próxima. Isso porque a sua cunhada, Ariane Martins Gonçalves, foi mãe há oito meses. Dessa forma, ele vem acompanhando o desempenho do também pai de primeira viagem, Erival Kuci de Oliveira.

Erival Kuci conta sobre os primeiros meses como pai – Foto: Leo Munhoz/NDErival Kuci conta sobre os primeiros meses como pai – Foto: Leo Munhoz/ND

“Mesmo com a nossa proximidade. Eu não consigo explicar o que é ser pai para uma pessoa que ainda não tem filho, mas é um amor que só aumenta. A definição do que é ser pai é uma sensação sem explicação”, aponta Erival.

Assim como o casal Deivid e Maria Adelane, a vinda da filha também foi planejada, sendo que o resultado positivo veio no primeiro mês de tentativas e já conta com momentos em família.

“Como ela tem apenas oito meses, não tem muito o que se fazer. Eu costumo sentar no tapetinho de borracha e ficar brincando com ela. Assim como assistir aos desenhos que a Cecília gosta”, complementa.

Erival Kuci brinca com a filha Cecília, de oito meses – Foto: Leo Munhoz/NDErival Kuci brinca com a filha Cecília, de oito meses – Foto: Leo Munhoz/ND

Antes disso, ele afirma que o período de gestação ocorreu sem grandes problemas e que acompanhou a Aline nos exames de rotina. Hoje em dia, Erival Kuci aponta que a parceria continua fundamental.

“Dentro de casa tem que dar atenção para a filha, se privar de muita coisa para ter uma relação legal com ela. Enquanto isso, o casal vive ajudando um ao outro. Um está mais cansado em um momento, o outro que está mais tranquilo assume as funções. Nós não dormimos o que deveria porque tem que acompanhar o sono da criança e não ela o seu e assim vamos indo”, complementa.

Misto de responsabilidade, preocupação e impotência

Diferentemente das histórias anteriores, Rogerio Kiefer é pai há quase duas décadas, mas ainda lembra dos primeiros sentimentos de preocupação, pavor e apreensão para o nascimento de Bernardo Almada Kiefer.

Rogério Kiefer e o filho Bernardo Almada Kiefer, de 19 anos – Foto: Arquivo pessoal/NDRogério Kiefer e o filho Bernardo Almada Kiefer, de 19 anos – Foto: Arquivo pessoal/ND

“Antes da notícia da gravidez, eu pensava nas coisas boas da paternidade. Mas quando tornou-se realidade, eu imaginei as despesas, saúde do bebê, da mãe, a necessidade de comprar toneladas de fraldas e outros possíveis problemas. Foram necessários alguns meses de gestação para nascer o pai”, conta.

Ele lembra que o período após o nascimento de Bernardo foi um pouco conturbado porque o filho nasceu com a pele amarelada, mas que foi resolvendo naturalmente.

“Nas primeiras semanas de vida dele a minha rotina iniciava com um passeio para pegar o primeiro sol da manhã. Isso virou um hábito muito forte. Durante toda a primeira infância a nossa rotina contou com muitos passeios”, relembra Rogério Kiefer.

Com o passar dos anos, o cotidiano da família foi passando por alterações, desde o passeio por parques, jogos de realidade aumentada até os dias atuais.

“Felizmente, ele amadureceu e abandonou esse joguinho [realidade aumentada]. Hoje assistimos futebol e nos enfrentamos em disputadas partidas de futebol no videogame. Em geral eu venço”, comenta.

Pai e filho aproveitam momentos juntos no estádio da Ressacada, em Florianópolis – Foto: Arquivo pessoal/NDPai e filho aproveitam momentos juntos no estádio da Ressacada, em Florianópolis – Foto: Arquivo pessoal/ND

Assim como Erival Kuci, Rogério Kiefer alega que a paternidade ainda não tem uma definição, mas aponta o seu objetivo.

“Eu preciso fazer o melhor para criar um filho que seja uma boa pessoa – ética, responsável e correta. Também desejo que ele seja feliz, saudável e esteja sempre em segurança. Mas a bem da verdade não sei como fazer nada disso. A sensação então é um misto de responsabilidade, preocupação e impotência”, avalia.

Fatores de ontem podem afetar o pai de hoje

De acordo com o psicólogo Mário César Fernandes, a mudança geracional entre os pais tem como um dos fatores diferenciais a educação e também o ambiente em que foi criado.

“Se o meu pai foi um pouco mais rigoroso, eu tenho dois processos. O primeiro é repetir o comportamento na educação do filho ou posso ressignificar. […] No caso, olhar que não é dessa maneira que eu quero ensinar meu filho, quero dar a ele um outro tipo de ensinamento”, exemplifica.

Outro fator que mudou ao longo das gerações é a maior presença da tecnologia que pode ser usada de uma maneira positiva e negativa. “Estamos percebendo que as pessoas estão usando a tecnologia de uma maneira descontrolada e isso está sendo prejudicial. Por outro lado, você a tem como um recurso para te ajudar inclusive nos aprendizados que pode absolver até mesmo para a educação dos filhos sobre paternidade, por exemplo”, finaliza.

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