O começo de uma paquera é sempre muito confuso e pode até rolar uma leve “obsessão” pela pessoa amada. Você passa o dia pensando no que ela está fazendo ou no que poderiam fazer juntos, lembra com frequência das qualidades, falas engraçadas e inteligentes e os mais emocionados podem vislumbrar o caminho até o altar em segundos.
Esse começo das relações tende a ser florido e repleto de coisas boas. Mas quanto ao interesse, é paixão mesmo ou apenas a carência floreando as coisas e fazendo você pensar que está mirando no amor e acabar acertando na cilada?!
Como distinguir a paixão de carência e o que fazer diante dos sentimentos — Foto: Getty Images/Divulgação/NDDistinguir os sentimentos e ter uma visão racional já no início dos relacionamentos pode te ajudar a se livrar de “embustes” e identificar quando se trata realmente de uma paixão, ou de uma carência que pode ser resolvida de outras maneiras, sem precisar de uma date furado.
SeguirA psicóloga Daniela Nunes é especializada em relacionamentos e deu algumas orientações de como distinguir os sentimentos, organizá-los e se livrar da carência.
Daniela Nunes é psicóloga especialista em relacionamentos — Foto: Reprodução/Internet/NDDaniela começa explicando que o primeiro passo é separar as emoções, organizando cada uma em seu devido lugar. “Geralmente a gente põe todas as emoções juntas e misturadas, apesar de representarem coisas diferentes. Os sentimentos nos indicam movimentos e sensações diferentes, que a gente precisa organizar em seu devido espaço”, começa.
Na área afetiva os sentimentos tendem a ser mais intensos e fica difícil racionalizar e organizá-los, porém é possível treinar essa habilidade e tomar as rédeas das emoções.
Fogo irracional
Para Daniela, a paixão é um “fogo” inicial das relações, repleto de alegrias com as chamadas borboleta no estômago causada por conexões. “Acontecem alterações neuroquímicas que vão invadindo o nosso cérebro e os deixa com um certo foco, de uma certa forma mais irracional diante das situações e com a pessoa amada. Então a gente sai da racionalidade, daquelas caixinhas e começa a ver tudo mais belo, mas florido e mais leve”, destaca Daniela.
> O amor e as emoções não são nossos inimigos
É justamente por essas alterações neuroquímicas que os apaixonados ficam mais felizes, de bem com a vida, propensos a ver o lado bom da vida e um bem-estar indescritível.
Mas é paixão mesmo, ou só carência?
Apesar de muitas vezes se misturar e ser confundida com a paixão, a carência indica, como o próprio nome diz, a falta de algo, trazendo uma necessidade emocional que, nos casos das relações afetivas, não foi suprida na infância.
Para Daniela, essa falta indica também uma imaturidade emocional que se transforma em dependência do outro. Diferente da paixão, a dependência te deixa em um lugar de constante insegurança e dependendo do comportamento de outra pessoa para te trazer, ou não, bem-estar, quando essa sensação boa vem, ela rapidamente acaba por um simples gatilho.
Carência muitas vezes se mistura a outros sentimentos, mascarando o que realmente nos falta – Foto: Getty Images/iStockphoto/Divulgação/ND“Nestes casos, eu fico dependente do outro, eu fico esperando do outro. Fico sempre alicerçada no que o outro pode ou não ser para mim, então é sempre uma questão para não entrar no meu vazio de falta e dor novamente. É necessário identificar o que falta em você, suprir e trazer isso de forma autônoma e um profissional da saúde mental, através da terapia, pode ajudar a pessoa se encontrar e suprir essas necessidades”, exemplifica.
E quanto a paixão não correspondida?
Bom, aí não tem jeito, é melhor partir para outra! Quando identificamos que estamos bem e completos conosco, entendemos que somos seres únicos e o outro também é, por isso cada um decide o caminho que deseja trilhar.
O importante desta reflexão é separar e organizar os sentimentos e, a partir disso, decidir os melhores caminhos a seguir. Mais uma vez, nem sempre a solução é fácil, mas é eficaz!
“Com isso, a gente começa a compreender com mais clareza, com os pés na realidade, de que não é porque sinto, que o outro sente o mesmo na mesma proporção. Não é uma garantia. Então quando a gente está diante dessa situação de uma paixão que não é correspondida, precisamos compreender que o outro tem essa escolha também e essa liberdade”, finaliza Daniela.
Escolha estar feliz e bem com você mesma!
Vamos juntas!