Se hoje as ruas de Joinville estão repletas de carros, a imagem era bem diferente no início dos anos 1900. O primeiro veículo só circulou pelas ruas da cidade em maio de 1907, comprado pelos Irmãos Trinks.
Paixão, zelo e resgate histórico marcam a vida de colecionadores de carros antigos em Joinville – Foto: Reprodução/NDO veículo desembarcou sobre olhares atentos e encantados de dezenas de pessoas que estiveram no porto da cidade, onde hoje é o Mercado Municipal, para presenciar o momento histórico.
Com motor de quatro tempos, o primeiro veículo chamou a atenção pelo barulho e pela velocidade. Apesar de chegar a apenas 50 km/h, a velocidade já era muito superior àquela das carroças e das bicicletas, que tomavam a cidade à época.
SeguirO historiador Dilney Cunha ressalta que a chegada dos automóveis em maior escala foi motor para o desenvolvimento geral da mobilidade da cidade.
“Com a chegada dos automóveis em maior escala, começa a se desenvolver também o transporte coletivo na cidade, com a abertura de novas estradas, estradas intermunicipais. Com a chegada dos automóveis surgem também problemas, problemas de trânsito. O primeiro regulamento na cidade foi estabelecido em 1924, tem algumas curiosidades, como os carros que deveriam estar sempre limpos e pintados e os motoristas que deveriam estar decentemente trajados. Nos documentos do Arquivo Histórico encontramos os primeiros registros de multa que são bem curiosas e como é de se imaginar, a maioria era por falta de habilitação e principalmente por excesso de velocidade”, conta.
No início da década de 1960, o número de veículos rodando ainda não chegava a 400, bem diferente da realidade atual. Em 1972, a primeira concessionária se instalou na cidade e logo os carros, dos mais variados modelos, dominaram a cidade. A Manchester Veículos impulsionou a chegada de veículos a Joinville.
Esses veículos que rodaram entre as décadas de 1950 e 1970 ainda continuam na cidade. Raríssimos, os veículos são alvos de cuidado e zelo por parte de colecionadores, apaixonados por carros antigos.
Um deles é Gilmar Gonçalves, que tem mais de 10 carros antigos. “É muita paixão”, resume. Aos 66 anos, o aposentado lembra que comprou o primeiro veículo aos 14 anos e nunca mais parou. “É muito gratificante, a gente se sente na década de 50 andando em Joinville e o povo olha, curte, bate palma”, diz.
Com 18 veículos em seu acervo, ele lembra que a paixão nasceu ainda no início da adolescência e é ‘coisa de família’. “Fomos criados no meio dos automóveis e eu comecei a trabalhar com essa idade de 12, 13 anos em oficina mecânica, com parentes. Aprendi muito e você começa a ter paixão pelos veículos. É coisa de família”, lembra.
A paixão pelos carros antigos é compartilhada pelo aposentado Gilceu Garcia Gonçalves que tem no seu Karmann Ghia a sua ‘menina dos olhos’. De 1969, o veículo é, para ele, a joia da coroa e era sonho de infância. “Esse carro é minha paixão de juventude, mas eu nem pensava em ter um carro desses porque era uma juventude pobre. Eu tinha um pôster no quarto e quando surgiu a oportunidade, comprei. O carro conta a história dos que andaram nele, dos que tiveram, dos tios. Então, a história é preservada, eu penso que é um grande resgate da história de Joinville”, finaliza.