Centenas de pessoas ignoraram a chuva e foram assistir ao desfile de 7 de Setembro em Florianópolis. Realizado na Beira-Mar Continental, no Estreito, o evento contou com a participação de quase 30 grupos militares. Em 2022, o Grito do Ipiranga completou 200 anos, tornando ainda mais histórico o desfile deste ano. Muitas crianças também compareceram. Alguns, inclusive, alimentam o desejo de, um dia, usar a farda de verdade.
Homens do Exército no desfile de 7 de Setembro em Florianópolis – Foto: Leo Munhoz/NDNa Capital, após a execução do Hino Nacional e do Hino da Independência, a paratleta Julia Marcelino, jogadora de bocha, e a atleta de ginástica rítmica Luisa Harumi Matsuo conduziram e acenderam o fogo simbólico da Pátria, dando início à solenidade.
SeguirIniciado por volta das 9h, o desfile de 7 de Setembro em Florianópolis teve apenas um pequeno ajuste: as crianças que desfilariam por escolas não participaram do evento em função do mau tempo.
Apesar disso, a solenidade foi considerada um sucesso, conforme o general de brigada Márcio Luís do Nascimento Abreu Pereira, comandante da 14ª Brigada de Infantaria Motorizada. Segundo ele, na Capital, cerca de 600 militares, somente do Exército, participaram do desfile, além de 26 viaturas. No Estado, 2.800.
O general de brigada Márcio Luís do Nascimento Abreu Pereira – Foto: Leo Munhoz/ND“Uma belíssima festa. Tivemos a retomada, após dois anos de pandemia, do maravilhoso desfile cívico-militar, uma festa organizada pelo governo do Estado, com a participação de todas as nossas instituições: Forças Armadas, forças de segurança pública, escolas, uma integração bonita entre civis e militares”, declarou Abreu Pereira após o encerramento do desfile.
Para o general, o 7 de Setembro de 2022 vai ficar marcado na história, justamente pela interrupção da celebração nos últimos dois anos de pandemia. “Todas as instituições buscaram fazer o máximo que podiam, para demonstrar esse amor à Pátria, essa união em prol de um país melhor”, registrou Abreu Pereira.
Comandante-geral da Polícia Militar de Santa Catarina, o coronel Marcos Pontes participou do desfile num local privilegiado, com as autoridades que prestigiaram o evento, a exemplo do governador em exercício, Moacir Sopelsa (MDB) e do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (PSD).
O coronel Marcos Pontes – Foto: Leo Munhoz/NDHá mais de 30 anos na PM, Pontes, já esteve do outro lado: representando a corporação no desfile. Neste ano, cerca de 400 policiais militares participaram do 7 de Setembro na Capital.
“É sensacional poder viver esse momento de patriotismo. É o momento de manter esse sentimento de pertencimento que todos devemos ter com a Nação, de enaltecer essa data e refletir. Valeu muito a pena. Foi muito marcante, emocionante e saímos daqui fortalecidos”, afirmou Pontes. O que mais chamou atenção do coronel no desfile foi a participação das crianças e das famílias.
O general de brigada Márcio Luís do Nascimento Abreu Pereira com o governador em exercício Moacir Sopelsa – Foto: Leo Munhoz/NDAs atletas do Brasil que participaram do ato de acender o fogo simbólico da Pátria ficaram orgulhosas de receber o convite para a cerimônia:
“Primeiramente, fico muito feliz por ter esse reconhecimento da minha história dentro do esporte para Florianópolis e Santa Catarina e, acima de tudo, feliz porque o esporte está sendo reconhecido num dia tão importante como hoje”, disse a manezinha Luisa.
A paratleta Julia Pereira Marcelino e a atleta Luiza Harumi Matsuo – Foto: Leo Munhoz/NDA atleta ficou impressionada com o volume de pessoas na celebração, mesmo com chuva: “O pessoal não correu. Imaginei que estaria mais vazio, mas vimos a população comparecendo e fico muito feliz”, completou.
Também natural de Florianópolis, a paratleta Julia Pereira Marcelino, que pratica bocha há 10 anos, e é campeã estadual da modalidade, falou sobre a alegria de ajudar as Forças Armadas na solenidade: “Foi muito legal. Nunca tinha participado de outros desfiles. Foi a primeira vez que assisti e está muito bonito”, disse Julia.
Adultos idosos e até as crianças se emocionaram no desfile de 7 de Setembro em Florianópolis
Mia Abgail Barella Siere, 12 anos, é estudante da Fope (Força pré-militar brasileira). Ela participou do desfile representando a escola e, depois, foi acompanhar o restante da solenidade com os pais argentinos, Gabriel Modesto Barella, 53 anos, e Gabriela Cecilia Siere, 35. Mia descreveu seu dia a dia na Fope.
Mia Abgail Barella Siere, do Fope, e a familia – Foto: Leo Munhoz/ND“É um treinamento pré-militar. A gente aprende um pouco de cada coisa que um militar precisa aprender. Primeiros socorros, disciplina, sobrevivência. Estou gostando muito. Estou há seis meses. Eu passei de recruta para cabo. Eu participo e quero participar mais. A escola fica em Canasvieiras. A gente faz as aulas na creche Neim Clair. Foi a primeira vez de Mia num desfile: “Muito bom, eu amei! O que mais gostei foi ver as diferentes forças desfilando.”
O eletricista Thiago Martins, 38 anos, é de Florianópolis e foi ao desfile com os filhos Julio, 4 anos, Helena, 2, e a mulher, a pedagoga Patrícia, 32 anos. Ele narrou a experiência de voltar a assistir ao desfile.
Thiago Martins e a filha Helena – Foto: Leo Munhoz/ND“Sempre costumo trazer os meus pequenos para ver o desfile de 7 de Setembro, antes na Passarela, agora aqui na Beira-Mar do Estreito. Acho muito importante, é um marco cívico. A gente tem que incentivar eles, desde pequeno, a ter esse amor à Pátria. Eles gostam bastante. Estavam empolgados já pra vir e, apesar do mau tempo, estão felizes curtindo o momento. Infelizmente o tempo não ajudou, mas mesmo assim, depois de dois anos, voltar a ter o desfile, valeu a pena. Tá uma garoazinha, aquela que a gente acha que não molha, mas molha, porém, tá valendo todo sacrifício.”
A professora Maria Elair Vieira, 74 anos, natural de Lauro Muller, foi ao desfile com o marido, Miguel Passos Vieira, de Florianópolis.
O casal Miguel Passos Vieira e Maria Elair Vieira – Foto: Leo Munhoz/ND“Um encanto, muito bom, condizente com os 200 anos da nossa liberdade. Estou muito feliz por estar aqui, com todo esse engajamento. O que mais chamou minha atenção foi a harmonia, o propósito disso tudo e a pacificação desse espaço. Tudo que eu esperava para hoje. Eu já tinha assistido a outros desfiles. Sou casada há 54 anos e já viemos em outros desfiles. Tivemos quatro filhos e um deles serviu à Aeronáutica.”
A família Menezes resolveu pintar o rosto com as cores da bandeira do Brasil para participar do desfile. Naturais de Salto do Jacuí (RS), os Menezes estão em Florianópolis há quase seis anos e, antes, assistiam o desfile no Estado de origem.
Luana Taisa de Oliveira da Silva, Josiel Menezes da Silva e o pequeno Jonatas Menezes no 7 de Setembro em Florianópolis – Foto: Leo Munhoz/ND“Lá é um pouco diferente. Todas as entidades do município participam, inclusive as escolas. Todas as entidades são convidadas a participar”, disse a professora Luana Taisa de Oliveira da Silva, 36 anos, e quem deu a ideia da pintura no rosto dos familiares. Luana estava no desfile com o marido Josiel Menezes da Silva, 45 anos, cobrador de ônibus em Florianópolis e o filho, Jonatas Menezes de Oliveira da Silva, 9 anos.
Os pais do Benjamin Nicolas Rodrigues Neves até cogitaram não ir ao desfile, porém, sabiam que o pequeno ia reclamar. Benjamin é fã da Polícia Militar.
“Ele vem de uma batalha contra o câncer (leucemia) e se inspirou muito como um soldado valente. Quando estava no hospital, recebeu a visita e o apoio da Polícia Militar. Ele gosta de estar vestido e defender a bandeira da polícia. Acredito que vai ser um futuro soldado”, disse Hoedi Lourenço das Neves, pai do Benjamin. Além do caçula, Hoedi estava no desfile com os outros dois filhos e a mulher, Debora Rodrigues Neves, 38 anos, que trabalha com enfermagem. “Esse é o dia que ele [Benjamin] gosta. Desde pequeno a gente traz ele para o 7 de Setembro”, completou Debora.
Hoedi Lourenço das Neves, o filho Benjamin Nicolas e a mãe Debora Rodrigues Neves – Foto: Leo Munhoz/ND“Essa é a primeira vez que eu participo, mesmo morando em Florianópolis, mas sempre fui muito patriota. Eu acho maravilhoso ser brasileira. Eu me emociono muito, sou apaixonada pelo Brasil. Tem tudo de bom. Não quero outro país pra viver. O Brasil é rico em tudo, tanto na parte militar, quanto na parte das riquezas. Somos um país muito próspero. Sou uma brasileira orgulhosa”, registrou Maria Ivone da Silva Machado, 65 anos, aposentada, de Santo Amaro da Imperatriz. Ela estava com a filha, o genro e os netos Davi e Sara no desfile.
Maria Ivone da Silva Machado foi ao desfile com os netos Sara e Davi – Foto: Leo Munhoz/NDA administradora Alessandra Pinheiro, 39 anos, foi ao desfile com o marido Paulo, além dos gêmeos Lucas e Vitor, que viram a solenidade pela primeira vez.
Os gêmeos Lucas e Vitor, com a mãe Alessandra Pinheiro e o pai, Paulo May – Foto: Leo Munhoz/ND“Eles gostaram muito. Chama atenção a questão da banda. Eles gostam muito de música e da parte dos bombeiros e polícia. Quando o bombeiro passa com uma roupa diferente eles perguntam se é do fogo e a gente vai explicando. Do Exército, eles perguntaram do camuflado, para que serve, e porque o rosto de alguns estava pintado. Achei muito bonito o desfile, bem completo, todas as Forças Armadas do Brasil. A parte dos cachorros me chamou bastante atenção e, apesar da chuva, muito bonito o desfile”, afirmou Alessandra.
Casada com um policial militar, a publicitária Olivia Fagundes Paula, 38 anos, levou o pequeno Pedro para acompanhar o desfile.
Os gêmeos Lucas e Vitor, com o amigo Pedro (centro) na dispersão do desfile de 7 de Setembro em Florianópolis – Foto: Leo Munhoz/ND“Meu marido era do Exército. Estamos há 20 anos juntos e, em Porto Alegre (RS), ele já desfilava pelo Exército. Aqui, sempre que teve, a gente veio”, contou Olivia. Segundo ela, o pequeno Pedro também aprovou o desfile, o primeiro que participou. A vontade dos pais é que o garoto também faça carreira militar. Hoje, o menino frequenta a creche da PM na Trindade. “Percebi muita diferença. Ele, com três anos, já reconhece a letra do nome, conta até 20”, declarou a mãe coruja.
Veranice Michquinis, 51 anos, é casada com Marcos Antônio Moura, de 54 anos. No dia a dia, a dupla se dedica ao comércio ambulante no Centro de Florianópolis. Mas sempre que tem um evento com perspectiva de grande público em Florianópolis, eles tentam faturar um pouco mais.
Marcos Antônio Moura e Veranice Michquinis aproveitaram para faturar – Foto: Leo Munhoz/ND“Foi bom, não dá pra se queixar. Tinha bastante gente, mas a chuva atrapalhou. Se não chovesse, com certeza, teria mais”, disse Veranice sobre as vendas no desfile. Depois das comemorações do 7 de Setembro, o casal foi para a manifestação pró-Bolsonaro tentar ganhar um pouco mais. À noite, nada de descanso: foco na produção para o dia seguinte.
Embora trabalhando, Marcos Antônio aproveitou para espiar o desfile: “Eu sempre vejo, porque meu filho era militar. Sou apaixonado e fico meio emocionado”, declarou.