Na madrugada de 28 de junho de 1969, em um bar gay no bairro de Greenwich Village, em Nova York, eclodia a Rebelião de Stonewall. Os protestos naquele dia marcariam a luta pelos direitos LGBT, celebrada anualmente no mês de junho ao redor do mundo.
As primeiras marchas do Orgulho LGBT ocorreram em 1970 nos Estados Unidos, em comemoração do aniversário da revolta de Stonewall – Foto: Guillaume Paumier/FlickrO Stonewall Inn era um bar LGBT em Manhattan e alvo constante das batidas policiais. Gays, lésbicas, drag queens e transexuais eram presos rotineiramente, mesmo sem cometer crimes.
A tensão entre a polícia e os clientes do estabelecimento escalou a ponto de originar um levante em 1969. Cansados da violência policial, a população LGBT se revoltou em um episódio que entraria para a história, considerado o início da luta organizada pela libertação gay.
SeguirEm um contra-ataque espontâneo, frequentadores do bar arremessaram pedras, tijolos, copos e moedas nas viaturas. A notícia do tumulto se espalhou e o confronto continuou na noite seguinte, com mais força policial e uma multidão ainda maior.
Tumulto no bar Stonewall Inn na noite de 28 de junho de 1969 – Foto: Arquivo/Joseph AmbrosiniUma das personalidades marcantes do evento foi Marsha P. Johnson, uma drag queen negra e ativista pela libertação LGBT. Frequentadora assídua do Stonewall Inn, ela não estava presente no momento em que o tumulto começou, mas logo se juntou à resistência.
As manifestações contra a repressão policial seguiram ao longo da semana. A militância deu origem às organizações Frente de Libertação Gay e Aliança de Ativistas Gays nos Estados Unidos.
No ano seguinte, em 28 de junho de 1970, as primeiras marchas do Orgulho LGBT ocorreram em Chicago, Los Angeles, Nova York e São Francisco, em homenagem ao aniversário da Rebelião de Stonewall. O dia ficou conhecido como “Christopher Street Liberation Day”.
A ativista americana Marsha P. Johnson morreu em 1992 aos 45 anos, em uma morte misteriosa – Foto: Reprodução/NetflixDesde então, a tradição da Parada LGBT tomou o mundo e o Mês do Orgulho é celebrado anualmente em junho. A data do motim de Stonewall marca o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+.
Em 2016, o presidente dos Estados Unidos Barack Obama nomeou o local histórico como Monumento Nacional de Stonewall, sendo o primeiro monumento do país pelos direitos LGBT.
Violência contra a comunidade LGBT no Brasil
No Brasil, a maior Parada do Orgulho LGBT ocorre em São Paulo desde 1997. A passeata ocupa a Avenida Paulista em celebração das identidades e no combate à LGBTfobia.
Parada da Diversidade em Florianópolis – Foto: Daniel QueirozApesar das demonstrações de orgulho, o Brasil ainda é o país que mais mata pessoas LGBTQIA+, segundo dados do Grupo Gay da Bahia (GGB).
O levantamento da ONG contabilizou 257 mortes por homicídio e suicídio em 2023. Entre as vítimas, 127 eram travestis e transexuais, 118 eram homens gays, 9 mulheres lésbicas e 3 bissexuais.
As pessoas trans são as maiores vítimas de violência entre a comunidade LGBTQIA+ no Brasil – Foto: Kyle/UnsplashOs estados mais letais foram São Paulo (13,23% das mortes), Minas Gerais (11,67%) e Rio de Janeiro (10,9%). Santa Catarina ficou em 20º no ranking, com 1,17% das vítimas.
As unidades federativas com o menor índice (somente uma morte) foram o Acre, o Distrito Federal e o Tocantins.