Elas estão por todos os lugares e servem de inspiração para as que ainda sonham em alcançar longos voos, mesmo que ainda não tantas quanto o esperado. Segundo dados do Governo do Catar, apenas cerca de 15% do total da população feminina é “economicamente ativa”. Embora esse número ainda seja baixo, ele vem caminhando para uma mudança diária.
Segundo dados do Governo do Catar, apenas cerca de 15% do total da população feminina é “economicamente ativa” – Foto: Rafaella Moraes/Arquivo Pessoal/NDHá 25 anos as mulheres do Catar conquistaram o direito de votar, muito antes dos países vizinhos: Bahrein, Omã, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, que seguiram o exemplo logo após.
Um ano depois, o país ganhou uma empresa de investimento para mulheres, como um incentivo para o ingresso no mercado de trabalho. Em 2000, o Fórum de Mulheres de Negócios do Catar foi estabelecido visando a criação de um ambiente favorável para que as mulheres pudessem colaborar no desenvolvimento de projetos e no papel na tomada de decisões econômicas do Catar e da sociedade local.
SeguirNos dias modernos, mais precisamente no ano da Copa do Mundo de 2022, é possível ver mulheres ocupando e competindo por cargos que, até então, eram considerados masculinos. Cada vez mais elas buscam por direitos iguais em uma sociedade que é tradicionalmente dominada por homens.
Dica para quem for ao país é que respeite os costumes locais – Foto: Rafaella Moraes/Arquivo Pessoal/NDConheça 6 mulheres que estão dando voz para essa mudança:
Sheikha Moza bint Nasser
Moza bint Nasser é conhecida por ser uma defensora da educação – Foto: Instagram @mozabintnasser/Reprodução/NDSheikha Moza bint Nasser, mãe do Emir do Catar, é conhecida por ser uma defensora da educação de qualidade e do desenvolvimento da juventude no Catar. É co-fundadora e presidente da “Qatar Foundation for Education, Science and Community Development”, a qual lidera atividades e projetos em educação básica e superior, estabelecendo escolas particulares sem fins lucrativos e instituições de ensino para crianças e jovens no Catar.
Sheikha Asma bint Thani Al-Thani
Asma bint Thani Al-Thani foi a primeira mulher do Catar a chegar ao cume do Monte Everest – Foto: Instagram @atalthani/Reprodução/NDNo dia 27 de maio deste ano, Sheikha Asma bint Thani Al-Thani fez história ao se tornar a primeira mulher do Catar a chegar ao cume do Monte Everest, levantando a bandeira do país no pico mais alto da Terra. “Não tenha vergonha de sonhar grande. Você tem o compromisso de fazer tudo o que puder para que isso aconteça. Onde há vontade, há um caminho”, publicou ela no Instagram.
Dana Al Fardan
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Dana Al Fardan é uma celebridade local. Foi a primeira compositora e cantora do Catar. Ela também é a compositora oficial da Qatar Airways. Além disso, é embaixadora cultural da Orquestra Filarmônica do Catar.
Lolwa Almarri
Fiz isso e ainda sou uma mulher normal. Eu ainda sou feminina”, disse em entrevista ao The Peninsula – Foto: Redes Sociais/Reprodução/NDNo dia 29 de agosto de 2021, Lolwa Almarri cruzou a linha de chegada do Ironman Hamburgo, conquistando o destaque de primeira mulher do Catar a completar um triatlo de distância total. “Estou fazendo isso pela minha filha, quero que ela me veja como algo mais do que um trabalho e uma mãe”. Apesar da alegria, ela reconhece que sua família fica preocupada: “Fiz isso e ainda sou uma mulher normal. Eu ainda sou feminina”, justifica em entrevista ao The Peninsula.
Dra. Hanan Mohammed Al Kuwari
Ela atuou na linha da frente do progresso do Catar no combate à pandemia da Covid-19 – Foto: WHO/L. Cipriani/I Love Qatar/Reprodução/NDMinistra da Saúde Pública, Dra. Hanan Mohammed Al Kuwari é a responsável pelos serviços de saúde para a população do Catar. Ela atuou na linha da frente do progresso do Catar no combate à pandemia da Covid-19.
Shams Al-Qassabi
Al-Qassabi ganhou vários prêmios, tanto local quanto internacionalmente – Foto: Instagram @shay_alshomous/Reprodução/NDShams Al-Qassabi foi primeira mulher a abrir um negócio no Souq Waqif, um conhecido mercadão de Doha, Capital do Catar. “Eu hesitava em trabalhar entre homens, especialmente considerando que eu era a única mulher”, disse ela em entrevista ao Doha News. Al-Qassabi ganhou vários prêmios, incluindo o título de melhor projeto empreendedor do Catar.
** Com informações do The Peninsula, Doha News e I Love Qatar.
Ouro, pets exóticos, muito luxo: a conexão Brasil – Catar é cheia de surpresas
Estava finalizando o ensino médio, no auge da adolescência, quando recebi a notícia que minha família se mudaria para o Catar.
Vou ter que usar burca? — perguntei apreensiva.
— Me falaram que não é bem assim como a gente pensa.
Minha mãe era a mais animada com a ideia e já tinha feito milhares de planos naquela altura. Meu pai ainda estava meio apreensivo e meu irmão já estava com o inglês na ponta da língua para crescer em um novo país.
Pelo que vi as mulheres levam uma vida normal. Dirigem, trabalham e até usam calça jeans. É do ladinho de Dubai, você vai adorar! — ela disse animada.
“Usam calça jeans? Sério? Isso deveria ser grande coisa?”, pensei.
Havia chegado o grande dia, a expectativa era alta e, confesso, meus pré-conceitos também. Logo ao desembarcar do avião já sentia a mesma sensação de abrir um forno pré-aquecido em 200°C para assar um bolo.
Termômetros podem marcar entre 40°C e 50°C no verão – Foto: Rafaella Moraes/Arquivo Pessoal/NDOs trajes eram muito diferentes do que estava acostumada. No entanto, não demorou muitas escalas entre o Brasil e o Catar para o meu conceito mudar (mas quem não?). Ouro no chão, nas paredes e o mais surpreendente: pode deixar a bolsa com dinheiro em uma mesa e sair sem preocupações, porque quando voltar provavelmente estará tudo lá.
Todas as nacionalidades em um só local – Foto: Rafaella Moraes/Arquivo Pessoal/NDMulheres com véu, sem véu e, realmente, até de calça jeans. Todas as nacionalidades em um só local. Afinal, entre os quase três milhões de habitantes, apenas 10% são cataris.
Fui muito bem recebida e o meus cabelos loiros (na época) curiosamente viraram atração para as crianças que pediam para passar a mão. Uma das minhas primeiras amigas foi uma mulher catari que me presenteou com um vestido Chanel. “Que loucura é essa?”, pensei.
Eles gostam de presentear, ostentar e são muito hospitaleiros. Me vi em um círculo de amizades onde os “pets” dos nobres colegas eram falcões, dromedários, macacos e até tigres. Os passeios eram em lanchas e super carrões. Coisa de filme mesmo!
Um “bichinho” desses pode custar milhões – Foto: Rafaella Moraes/Arquivo Pessoal/NDAs leis rígidas não são para todos (e nem aqui). Os jovens costumam ser mais liberais e a cultura estrangeira, principalmente a americana, é idolatrada.
As mulheres parecem começar a ter voz, muitas formadas em faculdades estrangeiras renomadas, trabalham, possuem o direito de votar, se candidatar para cargos públicos e concorrer às eleições municipais. Um pouco tarde, se comparado com outros países, mas se visto com os olhos de países da mesma região, um avanço.
Em 2018, para meu trabalho de conclusão da faculdade, conversei com o empresário catari, Saad Alkaabi, que afirmou que apesar da globalização, não tem medo de perder a cultura.
“Há mais estrangeiros do que cataris no Catar, e eles são muito bem-vindos. A minha cultura está dentro de mim. Não se pode mudar isso”, garantiu.
A boliviana Chary, que morava no Catar por conta do trabalho do marido, me contou que tinha certeza que estava feliz com a escolha de viver em um país com uma cultura como a do Catar.
“Estamos muito felizes aqui. O Catar é um país muito bonito. Muitas pessoas me perguntam porque vim para cá. Aqui é ótimo para quem tem filho pequeno. Gosto da comida, do povo, de sair e conhecer novas culturas. Estou muito agradecida”, contou.
É. Vivendo lá a gente até acaba se apaixonando pelos prós, pois com respeito às tradições, dá para passar um dia de cada vez com doses de otimismo e olhos semi-abertos para algumas coisas que, por enquanto, ainda ficam “por trás do véu”.