De 1850 para cá, a história do comércio de Blumenau, no Vale do Itajaí, se reconfigurou inúmeras vezes. Iniciou com as tradicionais “vendas”, se profissionalizou, explorou produtos exclusivos e locais, e após se especializou, chegando até os dias de hoje. No entanto, você sabe quais foram os primeiros estabelecimentos comerciais instalados na cidade e o que eles vendiam? Na semana do aniversário de Blumenau, o Portal ND+ irá publicar, todos os dias, materiais especiais para celebrar os 172 anos do município.
Nas primeiras décadas da Blumenau colônia casas comerciais começaram a se estabelecer próximo ao porto localizado na curva do Rio Itajaí-Açú, onde hoje é a XV de Novembro – Foto: Arquivo Histórico Professor José Ferreira da SilvaO livro “O desfile do tempo: Rua XV de Novembro”, da historiadora Ana Maria L. Moraes, leva luz à história dos primórdios do comércio na cidade, retratando como a principal rua comercial se desenvolveu e reconfigurou ao longo dos séculos. O primeiro motivo que tornou a XV o que ela é, é a posição em relação ao Rio Itajaí-Açú. Estabelecida em uma curva, a rua ganhou um porto fluvial, que recebia matérias-primas, produtos, e até mesmo notícias dos jornais da Alemanha.
Sendo assim, começaram a se concentrar na região as primeiras “vendas”, estabelecimentos que, de maneira geral, recebiam o nome dos seus proprietários, e apresentavam nas prateleiras os produtos que os clientes solicitavam. No entanto, poucas décadas após a fundação da cidade os colonos passaram a construir as primeiras casas comerciais e se especializaram em determinados tipos de produtos.
Seguir“O conjunto de imponentes casas de comércio no início da Rua XV de Novembro surgiu após os anos 1960, quando os proprietários já haviam acumulado recursos suficientes possibilitando investimentos em conforto e beleza”, conta a autora do livro. Abaixo, conheça as primeiras e o que elas vendiam.
Casa Meyer
De acordo com o livro, os imigrantes Karl Meyer e August Spierling assim que chegaram em Blumenau, em 1857, abriram a primeira casa comercial da cidade, a Casa Meyer & Spierling, que ficava localizada na Rua das Palmeiras e vendia produtos gerais, entre secos e molhados.
O sucesso foi tanto que em 1863 instalaram a pedra fundamental de outra sede da loja. No entanto, infelizmente, o empreendimento passou por um incêndio, que fez com que os sócios fossem à falência, em 1882.
É a mesma Casa Meyer do bordado?
Segundo o livro, apenas mais tarde, em 1903, Ricardo Meyer, filho de imigrante alemão, instalou novamente a Casa Meyer, que ficou conhecida pela venda de artigos bordados no estilo típico local, entre outros produtos.
Casa de negócios Sr. Johannes Franz Faust
A casa, que era especialista em secos e molhados, trabalhava, segundo o livro, com exportação de manteiga, banha, e outros gêneros coloniais. Além de empresário, o dono do estabelecimento também chegou a ser presidente da Câmara de Vereadores por seis meses, em 1892. O homem morreu em 1917, aos 85 anos.
Padaria de Heinrich Probst
Casa de Victor Probst já na década de 1960 – Foto: Arquivo Histórico Professor José Ferreira da SilvaSegundo o livro, o mestre-padeiro Heinrich Probst veio para o país nos anos 1860. Estabeleceu aqui uma padaria que ficava localizada nas proximidades da Rua das Palmeiras. Inquieto e aberto para novas oportunidades, o empresário logo abriu mão da padaria e produção de conservas, tendo administrado também um negócio paralelo de livraria e papelaria, e também de venda de ferragens.
Nos estabelecimentos eram vendidos carne seca de Montevideo, livros, artigos de papelaria, talheres, artigos de cutelaria, lubrificantes para móveis, bicicletas, carroças e máquinas de costura, munições para armas diversas, parafusos de metal e de madeira e ferramentas de carpintaria.
Casa comercial Schrader
Casa comercial e oficina Schraber, em 1936 – Foto: Arquivo Histórico Professor José Ferreira da SilvaO imigrante Ludwig Andreas Ferdinand Schrader instalou, em 1859, mais uma casa comercial no Centro da cidade. Vendia roupas, remédios e demais produtos, além de ter uma oficina. Mais tarde, segundo o livro, se tornou referência na compra e venda de moedas estrangeiras.