Relatório com 197 indicadores mostra que saneamento e mobilidade são desafios de Florianópolis

Documento entregue terça-feira (13) à prefeitura mostra avanços e problemas da cidade; material se baseia na metodologia do Programa Cidades Emergentes e Sustentáveis

Redação ND Florianópolis

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A associação FloripAmanhã entregou ao prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (PSD), mais uma edição do RAPI (Relatório Anual de Progresso dos Indicadores). O documento, entregue na terça-feira (13), tem 197 indicadores e em 41 a cidade atingiu resultado satisfatório, em 12 níveis que requerem atenção, em 20 está abaixo do satisfatório.

Conforme o relatório, porcentagem de moradias afetadas por inundações intensas subiu – Foto: Luis Debiasi/NDConforme o relatório, porcentagem de moradias afetadas por inundações intensas subiu – Foto: Luis Debiasi/ND

Há outros 54 que a administração não acompanha, não informou, ou forneceu fora dos parâmetros solicitados, além de 70 indicadores novos não sinalizados. Saneamento básico e mobilidade aparecem no topo da lista do relatório como os mais problemáticos.

Em relação, por exemplo, às enchentes que ocorreram recentemente na Grande Florianópolis, os indicadores mostram que a porcentagem anual de moradias afetadas por inundações intensas, decorrentes de transbordamentos dos sistemas de drenagem e esgoto e de inundações causadas por rios e marés, subiu para 9%.

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Em relação ao orçamento dedicado à mitigação de riscos de desastres naturais houve um pequeno aumento, de 0,076% para 0,1%. Conforme o relatório, o valor está abaixo do esperado, que deveria superar 0,5%.

Por outro lado, no quesito segurança há aspectos muito positivos, com homicídios, feminicídios e roubos diminuindo gradativamente nos últimos anos.

O documento faz um “raio-x” de temas como mobilidade, saneamento básico, saúde, educação, segurança, uso adequado do solo e outros que influenciam a qualidade de vida dos moradores de Florianópolis.

Também faz recomendações aos entes públicos para que aprimorem suas políticas públicas e atinjam melhores níveis de desenvolvimento sustentável.

O trabalho foi executado pelo grupo executivo de trabalho ver a cidade Floripa, formado pela Associação FloripAmanhã, UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e Observatório Social do Brasil – Florianópolis.

No entendimento do coordenador do Rapi, Ivo Sostisso, o trabalho tem grande influência na administração municipal, que passou a incorporar a visão dos indicadores e a adotar progressivamente o ato administrativo cada vez mais apoiado em bases técnicas.

“Não há como fazer gestão pública sem indicadores, é o que permite ter políticas públicas que atendam às necessidades da população”, disse Sostisso.

Para o presidente da FloripAmanhã, Jaime de Souza, o Rapi é uma importante ferramenta para que poder público, academia, entidades e sociedade avaliem as questões urbanas a partir do real conhecimento de dados confiáveis e atualizados.

“À medida em que o cidadão se apropria de informações confiáveis sobre seu território, o debate político se torna mais rico, mais participativo e com melhores resultados para toda a população”, ponderou.

O prefeito de Florianópolis ressaltou que a gestão quer criar uma área para trabalhar, com a FloripAmanhã, para que os indicadores embasem as decisões da prefeitura.

“O relatório mostra que a cidade continua caminhando no seu desenvolvimento, que ainda temos trabalho pela frente, mas que é interessante observar como a cidade se desenvolve ano após ano. Estamos conversando, porque um dos pontos da nossa reforma administrativa, que deve ser votada na Câmara, em breve, é dar à cidade uma área específica para acompanhar esses indicadores”, revelou Topázio.

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