SC tem pior nível de desigualdade entre crianças e adolescentes do Sul do Brasil, aponta Unicef

Relatório considera desigualdade de renda, educação, informação, água, saneamento e moradia, ou seja, quando há dificuldades de exercer os direitos; e extrema, quando não há o acesso

Foto de Gabriela Ferrarez

Gabriela Ferrarez Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

Santa Catarina tem o pior índice de desigualdade entre crianças e adolescentes do Sul do Brasil. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (10) no relatório Pobreza Multidimensional na Infância e Adolescência no Brasil, do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

SC tem pior nível de desigualdade entre crianças e adolescentes do Sul do Brasil, aponta UnicefSanta Catarina tem o pior índice de desigualdade da região Sul do Brasil, 53,1%. – Foto: Pixabay/Divulgação/ND

O relatório considera privação de renda, educação, informação, água, saneamento e moradia, ou seja, quando há dificuldades de exercer os direitos; e extrema, quando não há o acesso.

O levantamento se baseia na Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

O Governo de Santa Catarina foi procurado pelo Grupo ND neste sábado, mas até o momento da publicação desta matéria não respondeu.

Santa Catarina tem o pior índice de desigualdade da região Sul do Brasil, 53,1%, seguido do Rio Grande do Sul, com 50%, e do Paraná, com 46,8%.

Apesar do índice alto, o Sul e o Sudeste apareciam com os melhores níveis. Destaque para São Paulo, o melhor do país, com 35,7%. Fora dessas duas regiões, o Distrito Federal apresentava bom resultado, com a segunda melhor taxa do país, 37,6%.

No Estado, o saneamento é a maior privação de crianças e adolescentes de 0 a 17 anos. Conforme o relatório, a desigualdade no tema atinge em média 694.2 crianças e adolescentes de 0 a 17 de maneira intermediária e 32.6 de maneira extrema.

Índice de desigualdade por setor

  • Saneamento: 41,25%
  • Renda: 12,77%
  • Moradia: 5,1%
  • Educação: 4,71%
  • Informação: 1,69%
  • Água: 1,57

Analfabetismo em crianças brasileiras dobra durante a pandemia

O panorama de jovens de 4 a 17 anos de idade com acesso à escola na idade correta segue, desde 2016, uma trajetória crescente. Em 2022, 93,8% deles estavam na série adequada, 3,4% tinham uma privação intermediária e 2,9%, privação extrema. As informações são da Agência Brasil.

De acordo com o relatório, “os dados da privação relativa a estar na escola na idade certa podem ser resultado da aprovação automática na pandemia”. Para o Unicef, isso demanda “abordagens mais cautelosas e contextualizadas ao interpretar dados educacionais em tempos de crise”.

Já em relação à alfabetização, o estudo do Unicef acende um sinal de alerta. Há uma grande piora no analfabetismo.

A proporção de crianças de 7 anos de idade que não sabem ler nem escrever saltou de 20% para 40% de 2019 para 2022. Situação similar à de crianças de 8 anos de idade. De uma taxa de 8,5%, em 2019, houve elevação para 20,8%, em 2022. Para as crianças de 9 anos de idade, a proporção cresceu de 4,4% para 9,5%, de 2019 para 2022.

Tópicos relacionados