Servidores da Funai (Fundação Nacional do Índio) de Santa Catarina e de todo o país realizam greve por 24 horas nesta terça-feira (14). Entre as reivindicações está a retratação do presidente Marcelo Augusto Xavier da Silva, que declarou que Bruno Pereira e Dom Phillips, desaparecidos desde domingo (5), teriam tido contato com indígenas sem autorização.
Servidores da Funai realizam ato em Florianópolis nesta terça-feira (14) – Foto: Sintrafesc/Reprodução/NDA afirmação também está presente na “Nota de esclarecimento da Funai às afirmações inverídicas da Unijava sobre as autorizações de ingresso em área indígena”, publicada na sexta-feira (10).
A INA (Indigenistas Associados), a Ansef (Associação Nacional dos Servidores da Funai), a Condsef (Confederação dos Trabalhadores no serviço Público Federal) deliberaram nesta segunda (13) que, caso a Superintendência da Funai não atendesse as pautas urgentes até as 18h, deflagrariam greve por 24 horas a partir das 9h desta terça.
SeguirSegundo o Sintrafesc (Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal em Santa Catarina), “um número significativo de servidores da Funai, sede em Brasília. Na Coordenação Regional Litoral Sul, da Funai em São José, na Grande Florianópolis, a grande maioria dos servidores está em greve”.
Foi realizado um ato em frente à cadetral, no Centro de Florianópolis, às 14h desta terça.
Reivindicações
- Na retratação do presidente da Funai, os servidores afirmam que “a retratação pública deve conter o reconhecimento das inverdades e criminalização relatadas publicamente sobre o servidor Bruno da Cunha Araújo Pereira, Unijava e servidores da Coordenação Regional do Vale do Javari”.
- O documento diz ainda que, “considerando que não há quaisquer irregularidades legais na conduta do servidor Bruno da Cunha Araújo Pereira, bem como servidores da CR-VJ e representantes da Unijava, a retratação deve admitir os equívocos de falsas argumentações sem nenhum embasamento legal dentro da política indigenista brasileira”;
- Há o pedido do “envio imediato de forças de segurança pública específicas para a garantir a integridade física dos servidores da Funai em todas as Bases de Proteção do Vale do Javari – Quixito, Curuçá e Jandiatuba, bem como as sedes das CRs do Vale do Javari e CFPE-VJ”.
Além das reivindicações apresentadas nesta pauta, estão: “imediata desintrusão de garimpeiros, madeireiros, grileiros, arrendatários e demais invasores das Terras Indígenas no país, bem como recomposição desses territórios” e reivindicação de 19,99% de reajuste para cerca de 1,2 milhão de servidores federais da ativa e inativos, cujos salários estão congelados há quatro anos.
“O percentual é baseado na reposição das perdas salariais de 2019, 2020 e 2021. A defasagem salarial chega a 33%”, afirma o Sintrafesc em sua página oficial.