Maria Raquel da Rosa de Lima é a homenageada de 2022 pelo Prêmio Simeão, premiação que valoriza a atuação de pessoas negras na sociedade de Itajaí. A entrega do prêmio aconteceu na noite de domingo (20), no Museu Histórico de Itajaí. Esta edição do evento integra as ações do Mês da Consciência Negra, e da campanha Itajaí Sem Racismo.
Maria Raquel da Rosa de Lima é a homenageada de 2022 pelo Prêmio Simeão – Foto: Marcos Porto/Prefeitura de Itajaí/Divulgação/NDProfessora aposentada, Maria Raquel iniciou a trajetória profissional como funcionária pública da Rede Municipal de Itajaí em 1983, na Escola Isolada José de Anchieta, no bairro Canhanduba. Após dois anos trabalhando na Escola, a nomenclatura mudou para Escola Multisseriada e, posteriormente, Escola Reunida José de Anchieta. Ela acompanhou toda essa trajetória da escola, que depois virou Grupo Escolar Padre José de Anchieta e finalmente Escola Básica José de Anchieta.
Quando começou a trajetória como professora, ela era sozinha na escola. Moradora do Bairro São João, fazia o trajeto diário de bicicleta, pedalando mais de 1h30 para chegar até a escola. Mas o trabalho árduo deu resultado, e em 1988, Maria Raquel foi nomeada diretora da escola, onde atuou por 25 anos.
Seguir“Foi uma caminhada longa, difícil, mas também muito gratificante. Tudo o que eu construí, conquistei, não foi sozinha não. Além da minha família, a comunidade esteve comigo sempre, apoiando e acreditando. Por isso que eu digo, não desistam dos seus sonhos, sigam firmes”, afirmou a homenageada, ao receber o prêmio.
Filha da saudosa dona Loca, Odair da Silva da Rosa, da Escola de Samba Unidos da Loca, e de José Pereira da Rosa, Maria Raquel sempre foi envolvida com lutas raciais em Itajaí. Ela também é uma das organizadoras da Festa de Nossa Senhora do Rosário de Penha e de Itajaí, na qual já foi Rainha em Penha e participou várias vezes do Cortejo da Cidade de Itajaí. A homenageada também faz parte do Núcleo Afro Manoel Martins dos Passos desde a fundação e já recebeu o Prêmio Onadir da Silva Tedeu de Educação, em 2003.
Professora aposentada foi homenageada pelo prêmio – Foto: Marcos Porto/Prefeitura de Itajaí/Divulgação/NDPrêmio Simeão
O secretário de Promoção da Cidadania, Leandro Luy Peixoto, destacou a importância da comunidade negra na cultura de Itajaí. Ele ainda pontuou sobre a necessidade de acabar com o racismo. “A única forma que temos de combater e superar o racismo é através da bandeira da nossa homenageada, é pela educação”.
O Prêmio Simeão é uma realização do Município de Itajaí, por meio da Secretaria de Promoção da Cidadania, com apoio da Fundação Cultural e da Fundação Genésio Miranda Lins.
“Precisamos de histórias, de exemplos de solidariedade como essas vividas e contadas aqui pela homenageada. É disto que precisamos, de referências potentes como ela. Nós precisamos recriar um tempo de pensar no coletivo, de agir, trabalhar e fazer história. E neste caso quem faz a história não são pessoas ilustres, munidas de poder, mas a sociedade que se une e deixa legados como o da Raquel”, ressaltou o superintendente administrativo das Fundações, Normélio Pedro Weber.
Entrega do prêmio aconteceu na noite de domingo (20), no Museu Histórico de Itajaí – Foto: Marcos Porto/Prefeitura de Itajaí/Divulgação/NDItajaí Sem Racismo
A campanha Itajaí Sem Racismo é organizada pela Secretaria de Promoção da Cidadania e ocorre durante novembro, considerado o mês nacional da Consciência Negra. A iniciativa envolve vários setores e instituições da cidade por meio da promoção de palestras, apresentações culturais, rodas de conversa, entre outros eventos sobre o tema. O objetivo é fortalecer cada vez mais a comunidade negra de Itajaí e promover ações de igualdade racial. A programação da campanha segue até o dia 2 de dezembro.