“Chegamos em casa hoje e está tão quieto”. Com uma voz rouca, a neta Micheli, 22 anos, descreve a sensação de não encontrar seu Valter, 68, pela primeira vez em casa.
Valter, do caldo de cana, e as filhas – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação NDConhecido como “tiozinho do caldo de cana” de Joinville, Valter era querido por toda a cidade e por quem frequentava a lanchonete “Caldo de Cana Catedral”, localizada no Centro da cidade.
Infelizmente, seu Valter da Costa, 68 anos, morreu nesta sexta-feira, dia 26, vítima de câncer.
SeguirNatural de Laguna, no Sul do Estado, Valter sempre foi um homem de negócios. Desde de criança, ele e os irmãos vendiam verduras na cidade. Já maior de idade, Valter teve vários estabelecimentos comerciais ao longo da vida.
Mas era na relação com amigos e clientes que Valter era querido por todos.
Família “Da Costa”: Larissa, Alba, Michele e Valter – Foto: Valter com a esposa e as filhas. Foto Arquivo pessoal / Divulgação ND“Meu pai era tipo vereador, conhecia todo mundo”, afirma Larissa, 34, a filha mais nova.
Já Michele, 40, também filha de Valter, concorda com a irmã. “Ele era uma pessoa muito emotiva, gostava de falar com as pessoas”.
Um homem de negócios e de paixão
A vida de Valter foi marcada altos e baixos. Com apenas 18 anos, ele foi para São Paulo trabalhar como garçom. Depois de anos na capital paulista, ele e a esposa Alba, 66, decidiram partir para uma nova cidade: Joinville.
Com a volta para Santa Catarina, em 1993, eles demoraram anos para ficar estável financeiramente. O casal mudou de casa 8 vezes somente em Joinville. Eles também passaram por vários negócios para conseguir pagar as contas em dia.
Valter e Alba chegaram a ter um restaurante na rua João Colin. Para ter uma renda extra, o casal também vendia refrigerante em jogos do JEC.
Até que em 2005, a oportunidade, que poderia mudar a vida da família, apareceu. Valter ficou sabendo que o antigo dono da Caldo de Cana da Catedral queria vender a lanchonete. Ele foi correndo contar a novidade para a esposa.
“Ou compramos a lanchonete ou a casa”, respondeu Alba. Uma sinuca de bico que soou como um balde de água fria para Walter.
De um lado, estava o sonho de ter a casa própria após anos de mudanças. Do outro, a possibilidade de fazer a lanchonete dar certo.
Depois de muita conversa, Valter convenceu Alba que um sonho levaria a outro. O lucro da lanchonete iria fazer com que eles tivessem condições de comprar a casa própria.
Ele estava certo. Em 2006, somente um ano após a aquisição do estabelecimento, o Caldo de Cana da Catedral já era um sucesso na cidade. No mesmo ano, a família conseguiu comprar apartamento no centro da cidade, próximo a lanchonete.
Aniversário de Valter – Foto: Foto: Arquivo pessoal / Divulgação ND“Compramos no centro porque ele gostava de ir para o apartamento descansar um pouco depois do almoço”, afirma a filha.
Mesmo após a perda de Valter, a neta Michele pretende continuar administrando o negócio do avô. Ela assumiu o lugar de Valter na lanchonete em 2019, quando descobriram o tumor.
Enquanto relembra o pai, Larissa comenta que a lanchonete era a segunda casa do Valter, um local onde ele podia fazer o que mais gostava. “Ele amava muito de servir as pessoas, ter contatos com pessoas”, finaliza a filha.