VÍDEO: Barragem de José Boiteux tem sede destruída

Comunidades indígenas se reuniram em um acampamento na barragem de José Boiteux, nesta quarta-feira (5)

Foto de Bruna Ziekuhr

Bruna Ziekuhr Blumenau

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A sede da barragem de José Boiteux, no Alto Vale do Itajaí, amanheceu destruída na manhã desta quinta-feira (6). Um vídeo feito mostra o que seria a casa de operações e o muro da estrutura em ruínas. Não há detalhes sobre os responsáveis pelo vandalismo.

Nesta quarta-feira (5), comunidades indígenas se reuniram em um acampamento na barragem. A manifestação foi confirmada pelo cacique Setembrino Camlém e reúne membros de todas as aldeias, que alegam o descumprimento do acordo feito para a manutenção da estrutura.

A sede da barragem de José Boiteux, no Alto Vale do Itajaí, amanheceu destruída na manhã desta quinta-feira (6) – Vídeo: Jailson Klock/@jailsonklock/Instagram

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Setembrino explicou que o acampamento ocorre após não obterem um retorno do Governo de Santa Catarina sobre as reinvindicações feitas pela comunidade envolvendo a barragem de José Boiteux.

“Já pedimos várias reuniões com o governo do estado, até agora nada resolvido, não foi aceito o pedido de agendamento, então, a comunidade tá preocupadíssima”.

Indígenas acamparam na barragem de José Boiteux

De acordo com o cacique, desde 2023, o governo diz fazer ações dentro da comunidade, mas que isso não tem ocorrido.

Ele alega que os acordos, que prevê melhorias de infraestrutura e saúde dentro da terra indígena, não foram cumpridos. Ainda segundo o cacique, a comunidade teme que haja um confronto, como o registrado em 2023.

“Então a comunidade tomou essa decisão. De que enquanto não se faz ou iniciam algumas obras dentro da terra indígena, não se conserta a barragem”.

Comunidades indígenas se reuniram em um acampamento na barragem de José Boiteux, nesta quarta-feira (5) Indígenas alegam descumprimento de acordo e ocupam barragem em José Boiteux  – Foto: Arquivo pessoal/ND

“Tem várias obras que eram para iniciar, que não foram iniciadas. O colégio também não esta sendo encaminhado. A gente tá desinformado se tem recurso do estado pra iniciar algumas obras”, completou Setembrino.

A Defesa Civil de Santa Catarina, responsável pela operação do local, informou que uma manutenção prevista para esta quinta-feira (6) foi suspensa.

“O Secretário Mário Hildebrandt sabe dos compromissos que o Estado tem que cumprir com a comunidade indígena e, a pedido e por determinação do Governador Jorginho Mello, está trabalhando para tirá-los do papel no menor tempo possível”, disse por meio de nota.

Em nota, a Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina ainda classificou a destruição da estrutura como um “ato lamentável e desnecessário”. O governo reafirmou o compromisso com o diálogo e disse que “trabalha na busca por soluções que atendam tanto às necessidades da população indígena quanto a segurança hídrica do Vale do Itajaí”.

“A Secretaria reforça a importância do diálogo e da cooperação entre todas as partes envolvidas para garantir que as medidas adotadas contemplem o desenvolvimento da infraestrutura necessária e o respeito aos direitos da comunidade indígena”, completa a nota.

Termo de compromisso para construir casas

Nesta manhã de quinta-feira (6), o governador Jorginho Mello está em Rio do Sul para a apresentação da 2ª edição do Programa Santa Catarina Levada a Sério + Perto de Você: Prestando Contas na região da Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí (Amavi).

O evento reúne lideranças e gestores dos 28 municípios que compõem a Associação para apresentar investimentos, ações e resultados do Estado na região. Durante o evento, um termo de compromisso entre o Governo do Estado e Prefeitura de José Boiteux deve ser assinado.

O documento prevê a construção de 32 unidades habitacionais de alvenaria (57,12 m² cada), sendo 30 destinadas à reserva indígena e 2 para moradia de párocos. O investimento total é de R$ 3.656.378,88 em recursos estaduais.

As obras fazem parte de um processo proposto em 2003 pelo Ministério Público Federal e Comunidade Indígena, que determinou que a União Federal, Funai e o Estado de Santa Catarina fizessem melhorias nas aldeias indígenas de José Boiteux, para mitigar os danos provocados pela obra da barragem.

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