Humanos esgotarão os recursos naturais do planeta em julho; impactos serão sentidos por todos

Em 2025, o Dia da Sobrecarga da Terra cai em 24 de julho; especialistas alertam para impactos ambientais globais do consumo excessivo de recursos naturais

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Lídia Gabriella Florianópolis

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Pessoas segurando planeta Terra na mãoOs recursos anuais do planeta Terra se esgotarão até o dia 24 de julho – Foto: Canva/ND

Novos cálculos da organização internacional “Global Footprint Network” indicaram que a humanidade esgotará os recursos naturais disponíveis para este ano até o próximo dia 24 de julho.

A informação chamou atenção após comparações com o ano passado, no qual o Dia da Sobrecarga, ocorreu em 1º de agosto. Este ano, os recursos se esgotarão uma semana mais cedo, conforme a organização, que é pioneira em dados ecológicos.

O que significa o Dia da Sobrecarga?

O Dia da Sobrecarga é conhecido como o momento em que a humanidade terá esgotado todo o orçamento anual de recursos e serviços ecológicos da natureza.

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Conforme a organização, até em junho deste ano, a humanidade utilizou a natureza 80% mais rapidamente do que os ecossistemas da Terra se podem regenerar.

Isso significa que é como se a humanidade estivesse usando ao que é equivalente a 1,8 Terras.

“Este nível de utilização excessiva só é possível através do esgotamento do capital natural, o que compromete a segurança dos recursos a longo prazo”, diz o comunicado publicado pela organização.

Impactos da ultrapassagem ecológica no clima, na biodiversidade e na segurança alimentar

Planeta Terra brilhando em espaço por trás de estrelas Dia da SobrecargaAs consequências já são visíveis na desflorestação, erosão dos solos, perda de biodiversidade e acumulação de CO2 (dióxido de carbono) na atmosfera – Foto: Canva/ND

As consequências já são visíveis na desflorestação, erosão dos solos, perda de biodiversidade e acumulação de CO2 (dióxido de carbono) na atmosfera, o que contribui para o aumento da frequência de fenômenos meteorológicos extremos e para o declínio da produção alimentar, conforme a organização.

É por isso que a organização diz que, neste século, a segunda maior ameaça para a humanidade é a ultrapassagem ecológica, a utilização excessiva e implacável dos recursos do planeta.

E o maior medo do momento é o planeta “não reagir” as consequências que esses efeitos trazem.

Como é calculado o Dia da Sobrecarga?

A “Global Footprint Network” anuncia todos os anos no Dia Mundial do Ambiente o Dia da Sobrecarga do planeta, que indica em qual momento o consumo de recursos ultrapassaram a capacidade de regeneração da natureza.

O Dia da Sobrecarga é determinado utilizando a última edição das Contas Nacionais da Pegada Ecológica e da Biocapacidade (edição de 2025)

Dia da Sobrecarga está estável na última década

Imagem do planeta TerraAo longo dos anos, o Dia da Sobrecarga acumulou uma dívida ecológica que vai agora em 22 anos – Foto: Canva/ND

De acordo com uma leitura de dados da organização, o planeta tem se mantido estável na última década. No entanto, algo preocupante é o quanto os recursos têm acabado mais cedo em cada ano.

E mesmo que a data se mantenha inalterada “a pressão sobre o planeta continua a aumentar” à medida que os danos causados pela ultrapassagem do limite ecológico se acumulam ao longo do tempo.

Ao longo dos anos, segundo o documento, acumulou-se uma dívida ecológica que vai agora em 22 anos. Se a ultrapassagem ecológica terminasse agora, se os recursos chegassem para todo o ano, seriam precisos 22 anos de capacidade regenerativa total do planeta para restaurar o equilíbrio perdido.

“No entanto é pouco provável que toda a dívida ecológica seja reversível”, avisam os autores do documento.

Quais são os riscos globais, segundo a organização

Mathis Wackernagel, diretor da “Global Footprint Network”, explica que a ultrapassagem não pode durar ou acabar, porque as consequências podem culminar em uma catástrofe.

Vale destacar que esses cálculos iniciaram em 1971, quando os recursos duravam por um ano inteiro. A partir de 1984, tudo mudou, os recursos chegavam a novembro e em 1993 apenas até outubro.

Desde esse ano a humanidade consumiu cada vez mais recursos, com apenas uma ligeira quebra de consumo em 2020, explicada pela pandemia.

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