Niède Guidon defendeu a hipótese de que as Américas foram povoadas há mais de 50 mil anos – Foto: Divulgação/Fundham/NDA arqueóloga Niède Guidon morreu na madrugada desta quarta-feira (4), aos 92 anos. A pesquisadora reconhecida internacionalmente foi pioneira em descobertas sobre o povoamento do continente americano.
Niède Guidon dedicou sua vida a estudar a região do Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí. A arqueóloga liderou escavações que revelaram a presença humana nas Américas há mais de 50 mil anos, muito antes do que se acreditava até então.
Ela transformou a Serra da Capivara em um dos sítios arqueológicos mais importantes do mundo, lutando por investimentos e infraestrutura para o parque.
SeguirA cientista era presidente emérita da Fundham (Fundação Museu do Homem Americano), criada em 1986 no município de São Raimundo Nonato, onde fica a Serra da Capivara. O Museu da Natureza, que integra a fundação, divulgou uma nota de pesar.
“Mais do que uma cientista, Niéde foi uma incansável defensora da preservação do patrimônio cultural e natural do país”, descreve.
Niède Guidon deixa ‘legado imensurável’ para a ciência brasileira
Nascida em Jaú, São Paulo, em 1933, Niède Guidon tinha dupla nacionalidade porque era filha de pai francês e mãe brasileira. Ela se formou em história na USP (Universidade de São Paulo) em 1959.
A pesquisadora se especializou em arqueologia pré-histórica, com ênfase em arte rupestre, na universidade francesa Panthéon-Sorbonne, em 1962. Na mesma instituição, se tornou doutora em pré-história em 1975.
Após oito anos como professora universitária na França, ela retornou ao Brasil e convenceu o governo francês a iniciar uma missão arqueológica com foco na pré-história no Piauí.
Niède Guidon foi “uma incansável defensora da preservação do patrimônio cultural e natural do país” – Foto: Divulgação/NDO Parque Nacional da Serra da Capivara foi criada em 1979, quando Niède Guidon e outros pesquisadores solicitaram ao governo brasileiro o estabelecimento de uma área protegida na região.
Ela só se aposentou em 2020, aos 87 anos, devido a questões de saúde. Sequelas da chikungunya provocaram problemas nas articulações e a pesquisadora passou a usar uma bengala para andar.
“Sua trajetória é marcada pela paixão, pela persistência e por uma visão generosa da ciência como instrumento de transformação social”, afirma o Museu da Natureza.
“Niéde Guidon deixa um legado imensurável para a ciência, a cultura e a história do Brasil. Seu nome estará para sempre gravado nas pedras que ajudou a revelar — e nos corações de todos que sonham com um país que valorize seu patrimônio e seus cientistas”, diz em nota.