Vítimas de Pompéia que morreram em erupção do Vesúvio ‘contrariam’ ciência, revela DNA

Uma análise de DNA antigo das vítimas de Pompeia que morreram na erupção do Monte Vesúvio revela algumas relações incomuns entre as pessoas que morreram juntas

Foto de Amanda Sperotto

Amanda Sperotto Florianópolis

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O DNA extraído das vítimas de Pompeia, sepultadas pela erupção do Monte Vesúvio há quase 2.000 anos, revelou que as relações entre algumas pessoas não eram o que pareciam, segundo um novo estudo.

Por exemplo, um adulto que usava uma pulseira de ouro e segurava uma criança no colo foi, por muito tempo, considerado uma mãe com seu filho. No entanto, a nova análise de DNA mostrou que, na realidade, tratava-se de “um homem adulto não relacionado e uma criança”, disse o coautor do estudo David Reich, professor de genética na Harvard Medical School.

Em outro caso, um casal que morreu abraçado, anteriormente interpretado como irmãs ou mãe e filha, foi identificado como sendo, pelo menos em parte, do sexo masculino, segundo Reich.

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Casal que morreu abraçado foi identificado como ambos do sexo masculino – Foto: Reprodução/NDCasal que morreu abraçado foi identificado como ambos do sexo masculino – Foto: Reprodução/ND

No estudo, publicado na última quinta-feira (7) na revista Current Biology, Reich e uma equipe internacional de pesquisadores analisaram a genética de cinco indivíduos que morreram na erupção de 79 d.C., que matou cerca de 2.000 pessoas.

Vítimas de Pompéia

Quando o Monte Vesúvio entrou em erupção, ele cobriu a área com uma camada mortal de cinzas vulcânicas, pedra-pomes e fluxo piroclástico, sepultando pessoas vivas e preservando a forma de muitos corpos nas camadas de cinzas calcificadas.

As ruínas da cidade foram redescobertas apenas no século XVIII. No século seguinte, o arqueólogo Giuseppe Fiorelli aperfeiçoou a técnica do gesso, preenchendo os espaços deixados pelos corpos em decomposição para criar moldes das vítimas.

Ruínas da cidade foram redescobertas apenas no século XVIII – Foto: Reprodução/NDRuínas da cidade foram redescobertas apenas no século XVIII – Foto: Reprodução/ND

Os desafios das suposições modernas na arqueologia

Os moldes permitiram que estudiosos analisassem os momentos finais das vítimas e formulassem hipóteses sobre suas identidades, baseadas em detalhes como a posição dos corpos, local e vestuário.

Vítimas de pompéia Pesquisa analisou 14 moldes e extraiu DNA de cinco indivíduos – Foto: Reprodução/ND

Para a pesquisa, a equipe analisou 14 moldes e extraiu DNA de restos esqueléticos fragmentados de cinco indivíduos. Analisando o material genético, os cientistas determinaram as relações genéticas, sexo e ancestralidade dos indivíduos, concluindo que as vítimas tinham uma “diversidade genética” significativa, principalmente descendendo de imigrantes do Mediterrâneo oriental, o que confirma a realidade multiétnica do Império Romano.

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