Água benta. Gritos. Contorções corporais. Anseios. Crucifixos. Esses são alguns dos elementos presentes nas práticas de exorcismo retratadas em produções audiovisuais do cinema.
Em geral, os rituais mostrados nas telonas são feitos em ambientes escuros, com a presença de um sacerdote. Muitas vezes, eles são gravados em casarões abandonados ou então em locais religiosos. Mas será que os casos de exorcismo da vida real são mesmo como nas obras de terror?
Filme “Exorcismo Sagrado” é novo lançamento de terror nos cinemas, retratando cenas de exorcismo ao longo de duas horas – Foto: Internet/Reprodução/NDDe acordo com o padre Pedro Paulo Alexandre, exorcista formado pelo Instituto Sacerdos, membro da Associação Internacional de Exorcistas, que atua em Florianópolis, Capital de Santa Catarina, “o exorcismo é realizado de forma reservada, para não expor a pessoa, sua privacidade, principalmente o seu passado”.
Seguir“O rito de exorcismo é uma celebração litúrgica que geralmente acontece de forma tranquila e serena – sem gritos, pessoa levitando, girando a cabeça…como vemos nos filmes”, completa.
Padre Pedro, que é o único exorcista do Estado, ainda explica algumas partes que compõem o ritual:
- O exorcismo só pode ser praticado por um sacerdote, com a permissão do bispo;
- Ladainha de todos os santos (onde suplicamos a intercessão de vários santos);
- Leitura de um Salmo e do Santo Evangelho;
- Orações deprecativa (súplica a Deus, anjos, santos, para que a pessoa seja libertada);
- Orações imperativas (onde o exorcista dá ordens diretas ao demônio para que saia);
- Orações de ação de graças a Deus.
O padre lembra que “se um leigo por iniciativa própria dá ordens ao demônio, ele está entrando em uma luta pessoal contra o demônio e, certamente, perderá, pois o demônio é mais forte. Sem falar que ele está colocando a pessoa por quem ora em perigo”.
Isso pode acontecer porque “o exorcista não reza em nome próprio, ele ora em nome da Igreja, aí o demônio é obrigado a obedecer”, complementa o sacerdote.
A arte não imita a vida
Em “Exorcismo Sagrado”, novo longa-metragem do venezuelano Alejandro Hidalgo, o público acompanha a jornada do padre Peter Williams.
Dezoito anos antes dos acontecimentos do filme, Williams foi possuído durante um ritual de exorcismo. Ao longo da trama, o personagem principal é assombrado pelas consequências dessa decisão.
O filme foi lançado na última quinta-feira (10) no Brasil e reúne uma sequência de eventos comuns em produções de terror, como em “Sobrenatural”, “Invocação do Mal” e “Annabelle”.
“O exorcismo de Emily Rose” é um dos casos mais reais de exorcismos – Foto: Internet/Reprodução/NDEntretanto, o longa tem se consagrado mais como um ‘dramalhão’ do que como uma obra de terror. De qualquer forma, o filme apresenta as famosas cenas de exorcismo do cinema mundial. Apesar disso, a arte nem sempre imita a vida.
“Hoje vemos vários filmes tratando sobre exorcismo. De todos os já lançados, o filme “O Exorcismo de Emily Rose” é o que mais se aproxima da realidade”, comenta o padre exorcista.
Mas mesmo com essa representação, “o maior problema que vejo no cinema ao abordar esse tema é o acento que dão ao poder do demônio, como sendo todo-poderoso, e Deus como se fosse fraco e ficasse em silêncio”, diz o padre.
“Raramente esses filmes apresentam o verdadeiro rito de exorcismo e, quando apresentam algo neste sentido, tratam como se fosse um show”, finaliza Alexandre.