Geralmente quando falamos em reboots, ou seja, regravações de filmes que já foram lançados, pensamos em uma grande tragédia cinematográfica, afinal, não é como se não tivéssemos motivos para isso. Basta pegar como exemplo “As Tartarugas Ninja, o Filme”, de 2014. Ou então o mais recente “Esqueceram de Mim”, produção de 2021.
Apesar de ambos serem longas-metragens voltados para o público jovem, a premissa quase sempre é a mesma: sem ideias de como atrair mais público para as suas produções, as grandes empresas de cinema refazem filmes que marcaram gerações em uma tentativa – muitas vezes falha – de recriar tal cenário, mas no mundo atual.
Atualmente, opções de filmes são o que não faltam nas plataformas de streaming ou nos canais de televisão pagos e abertos – Foto: Senado Notícias/Divulgação/NDE foi esse o meu exato pensamento quando dei play no mais novo remake de “12 é demais”, principalmente porque o filme original é uma das comédias clássicas lançadas nos anos 2000, com um elenco de peso e renome (o longa era simplesmente estrelado por Steve Martin e Bonnie Hunt!).
SeguirDo original ao remake
A produção é capaz de surpreender até mesmo quem já era fã da franquia. Recheado de carisma, o longa foi dirigido por Gail Lerner. Ele contou também com o roteiro e produção de Kanya Barris, Gabrielle Union e Shawn Levy.
Com majoritária presença feminina por trás das câmeras, o filme põe em cena uma nada tradicional família norte-americana (bem diferente do longa original, ponto este positivo e que somente agrega à narrativa), que precisa lidar diariamente com temas como racismo, preconceito e uso de substâncias ilícitas.
Família Baker conta com ao menos 18 integrantes em seu cerne, indo além dos personagens principais que estão na foto – Foto: Internet/Reprodução/NDDe início, parece difícil entender a família Baker. É claro que, por ser composta de 14 integrantes – 16 se contar os cachorrinhos, ou então 18 se contar o ex-marido e a ex-esposa do casal principal – a tarefa não fica nada fácil.
Basicamente, Zoey e Paul se conheceram após já terem uma primeira família formada em seus casamentos prévios com Dom e Kate, respectivamente. Quando resolveram morar juntos, Zoey trouxe sua filha Deja e seu filho DJ para a casa.
Por sua vez, Paul tinha duas filhas de sangue, Ella e Harley, e um filho adotado, Haresh. Dessa união, vieram dois pares de gêmeos: Luca e Luna, e Bailey e Bronx. Além disso, o sobrinho de Paul também se junta à família quando sua mãe precisa ser internada pelo uso excessivo de drogas.
Para finalizar com muita fofura, os Bakers ainda possuem dois cachorrinhos: Bark Obama e Joe Bitten (sim, exatamente o que você leu).
A premissa e seu diferencial
A história original do filme vem de um romance semiautobiográfico de Frank Bunker Gilbreth Jr. e Ernestine Gilbreth Carey. No livro, lançado em 1948, a família formada pelos matriarcas era composta por 12 integrantes, o que deixou o público na época empolgado com a publicação.
Desde então, a narrativa já teve três adaptações cinematográficas, uma em 1950, e outra em 2003, com direito a uma parte dois em 2005.
A mais recente, lançada neste ano pela Disney Plus, não tenta associar-se às suas prévias adaptações, trazendo consigo uma nova narrativa contemporânea e redefinindo o conceito de “família”.
Filme traz família se redescobrindo e encarando dificuldades do dia a dia – Foto: Internet/Reprodução/NDA nova versão encanta o telespectador ao acompanhar o dia a dia zero convencional dos Bakers em Los Angeles. Eles possuem seu próprio negócio, a Baker’s Breakfast, que funciona como um restaurante local que serve café da manhã durante todas as horas do dia.
Com a ajuda do molho picante-agridoce “dependendo com o que você o comer” de Paul, a família sobe de nível na sociedade, e passa a viver em um luxuoso subúrbio em Calabasas. A mudança afeta a todos em níveis profundos, e é focando nesses problemas e dando enredos específicos para cada integrante dos Bakers que o filme é moldado.
Produção foi veiculada na Disney Plus – Foto: Internet/Reprodução/NDNinguém é “apagado” ou “jogado para escanteio” no longa-metragem, o que faz com que o filme seja ainda mais adorável em sua composição do que já é. A família lida, à sua maneira, com a paciência que deve-se ter ao gerenciar um grande negócio e também com a expectativa e quebra de sonhos.
A comédia trata também, de forma sensível, sobre temas problemáticos e enraizados na sociedade norte-americana.
É assim que ele se torna um filme acessível para toda a família, podendo até mesmo ser classificado como um longa-metragem que ficará marcado na cabeça das crianças nascidas após 2015, assim como o remake de 2003 tem um lugar especial em meu coração desde a infância.
Foi se desvencilhando do “padrão reboot” que “12 é demais” se caracteriza como um filme próprio, desamarrando-se dos remakes já feitos, trazendo consigo uma nova e melhorada nostalgia, que não fica atrelada de nenhuma maneira com as antigas narrativas.