Sci-Fi Floripa Festival abre nesta terça com mais de 50 filmes gratuitos no CIC

A partir desta terça (23) até domingo (28) o público será abduzido pela incrível programação do 3º Sci-Fi Floripa, o Festival Internacional de Cinema de Ficção Científica, no CIC. Tudo de graça!

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Que passar pelo Cinema Gilberto Gerlach, no Centro Integrado de Cultura (CIC), a partir desta terça-feira (23) será abduzido pelo 3º Sci-Fi Floripa – Festival Internacional de Ficção Cinetífica, com uma programação incrível repleta de produções nacionais e do mundo inteiro que vai até domingo (28) e com entrada gratuita.

Já para a abertura, logo mais, a partir das 19h, teremos a homenagem ao cineasta baiano Roberto Pires (1934-2001), um dos pioneiros do sci-fi brasileiro, com a exibição do clássico “Césio 137 – O Pesadelo de Goiânia” (1990).

A lista de filmes selecionados está completinha no site oficial da mostra, cuja programação é inteiramente gratuita e você acessa no site do Sci-Fi Floripa e também no Instagram.

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Longa-metragem “Césio 137” é o destaque do primeiro dia de programação do Sci-Fi Floripa – Festival Internacional de Cinema de Ficção Científica, que abre nesta terça, 23 de julho, e vai até o domingo (28), no Cinema do CIC, em Florianópolis – Foto: DivulgaçãoLonga-metragem “Césio 137” é o destaque do primeiro dia de programação do Sci-Fi Floripa – Festival Internacional de Cinema de Ficção Científica, que abre nesta terça, 23 de julho, e vai até o domingo (28), no Cinema do CIC, em Florianópolis – Foto: Divulgação

Até domingo o festival uma jornada por universos da produção cinematográfica e audiovisual para além dos blockbusters hollywoodianos, além de oficinas interativas, e debates instigantes sobre inteligência artificial.

Trailer de “Césio 137 – O pesadelo de Goiânia” de Roberto Pires (1990)

Entre as curiosidades, o público poderá conhecer o premiado filme “Superno”, produção da Etiópia de 2021, de Abel Mekasha, além da mostra em homenagem ao falecido cineasta Roger Corman, o “Rei dos Filmes B” e grande influência no cinema pop também, além de mostras paralelas com exibição em festas e bares, e mais uma seleção de mais de 50 filmes.

Outra dica ultra bacana da programação é a sessão de curtas com trilha ao vivo, sábado, às 18h. Será uma seleção de curtas-metragens de mestre francês George Méliès, um dos pais do cinema de fantasia na alvorada do século 20. Entre os filmes da sessão estará o clássico “Viagem à Lua” e todas as trilhas serão executadas ao vivo por musicistas da UDESC sob a regência do professor Luiz Felipe Soares.

Cineasta, produtor e inventor Roberto Pires (1934-2001), um dos grandes nomes do cinema do cinema novo e da ficção científica brasileira – Foto: DivulgaçãoCineasta, produtor e inventor Roberto Pires (1934-2001), um dos grandes nomes do cinema do cinema novo e da ficção científica brasileira – Foto: Divulgação

Festival homenageia um visionário do cinema brasileiro

Particularmente, quero chamar a atenção de vocês para a atenção que o festival, desde a sua primeira edição, dispensa à ficção científica brasileira, que infelizmente é muito pouco explorada e conhecida do grande público aqui. Temos uma grande história neste gênero, com produções clássicas, cineastas visionários e pioneiros e toda uma geração que hoje produz intensamente também.

Um exemplo é o próprio cineasta e inventor Roberto Pires, cuja filmografia está ligada à alma do audiovisual Brasileiro desde o Cinema Novo. Seu filme “Césio 137”, que será exibido na abertura de logo mais, é apenas uma prova da sua visão de vanguarda sobre o cinema. Após a sessão haverá também um bate-papo com o filho de Roberto, o também cineasta Patrus Pires.

Abaixo eu reproduzo o texto que o jornalista e curador Andrey Lehnemann escreve sobre Pires e seu legado que por si só parece uma obra de outro mundo.

Um dos grandes visionários do cinema brasileiro, um verdadeiro artesão que, com sua paixão e inventividade, deixou um legado inestimável para a sétima arte.

Roberto Pires foi um dos pioneiros do Cinema Novo, ainda que raramente seja lembrado como tal. Seu filme “A Grande Feira” (1961) foi um sucesso de bilheteria e plantou as sementes para o movimento que viria a revolucionar o cinema brasileiro.

Pires sempre apostou no cinema de gênero, recusando-se a seguir a tendência de seus colegas que colocavam somente a política acima da narrativa cinematográfica.

Ele acreditava na importância de contar histórias com apelo popular, sem ser populista, e isso se refletiu em sua filmografia diversificada.

Entre seus trabalhos mais notáveis estão “Redenção” (1958), “Máscara da Traição” (1969), “Abrigo Nuclear” (1981) e “Césio 137 – O Pesadelo de Goiânia” (1990).

Este último, que será exibido no 3º Sci-Fi Floripa, é um corajoso libelo antibelicista produzido em pleno período de Guerra Fria, enquanto o Brasil fechava um acordo com a Alemanha para a construção de usinas nucleares.

O filme aborda de forma impactante os perigos da contaminação radioativa, um tema que sempre fascinou Pires.

Roberto Pires foi um verdadeiro diferencial no cinema de gênero brasileiro, não apenas em termos técnicos, mas também na forma como pensava o cinema como uma indústria.

Ele entendia a importância de fazer filmes que pudessem atrair o público, sem sacrificar a qualidade artística.

Sua paixão pelo cinema era evidente em cada projeto que realizava, e sua capacidade de trabalhar “na unha”, produzindo praticamente sozinho, é uma inspiração para cineastas independentes até hoje.