Ambientado em Queen’s Sandringham, no ano de 1991, mais conhecida como a casa de campo da família real britânica, o filme “Spencer” apresenta um panorama do que foram os possíveis últimos dias do casamento entre a princesa e o príncipe de Gales, Lady Di e Charlie.
Spencer é dirigido por Pablo Larrain, e conta com roteirização de Steven Knight, responsável também pela trama britânica de grande sucesso, Peaky Blinders – Foto: Internet/Reprodução/NDA narrativa do filme se alonga durante os três dias de natal celebrados pela família monárquica, encenados dentro de quase duas horas. Para os que buscam por um filme com reviravoltas, Spencer não é a escolha certeira, afinal, o clímax da história toma rumo apenas no final das gravações.
O longa caminha a passos lentos, focando, em suma, nas emoções angustiantes e enclausuradas de Diana, tal qual o aperto que seu colar de pérolas proporcionava em seu pescoço.
SeguirA câmera segue a princesa de Gales durante todos os seus passos, deixando até mesmo os espectadores desconfortáveis com toda a encenação que é viver dentro da família real.
Rompimento à vista
Com os rumores acerca das traições de Charlie sendo aflorados pela imprensa britânica, a monarquia tenta, entre unhas e dentes, estancar o que viria a ser um dos maiores sangramentos da família real: o divórcio entre Diana e Charles.
É certo que, durante todo o filme, a princesa repensa as suas ações, que culminaram no casamento com Charlie. Presa dentro de uma família fictícia, criada e idolatrada aos olhos do povo, Diana se vê diante de uma das decisões mais difíceis – ao mesmo tempo a mais libertadora – que poderia vir a tomar em sua vida.
Afastar-se e desprender-se da família real certamente não seria tarefa fácil, e, como todos sabemos, Diana acaba morrendo um ano após seu divórcio com a monarquia (até porque a separação com Charlie ocorreu muito antes, com o fim do amor entre ambos).
Diante disso, em diversos momentos do longa, tanto o diretor quanto o roteirista deixam pequenos diálogos soltos na narrativa, insinuando que a família real teria sido, de fato, a causa do acidente de carro que ceifou a vida de Diana, em agosto de 1997.
Stewart dá show de encenação
A captação da essência de Diana foi, de longe, o acerto de atuação mais bem feito por Kristen Stewart, que dá vida à Lady Di. Durante todas as cenas temos uma princesa que sofre com a vida na qual foi imposta, não podendo sequer escolher quais roupas gostaria de usar.
Stewart brilha como princesa Diana – Foto: Internet/Reprodução/NDKristen incorpora os mínimos detalhes da personalidade da princesa de Gales, como os olhares baixos e furtivos que Diana dava à imprensa, passando por sua bulimia desenfreada, chegando à mãe zelosa e carinhosa com os filhos William e Harry.
De longe podemos elencar esta como a melhor atuação na carreira de Stewart, que já protagonizou filmes como “Crepúsculo” e a “Branca de Neve e o Caçador”. Seu crescimento como atriz é tardio, mas Spencer consegue mostrar toda a sua maturidade quando se trata em capacidade de encenação.
A presença de nomes como Jack Farthing (príncipe Charles), Sally Hawkins (Maggie), Stella Gonet (Rainha Elizabeth II) e muitos outros ficam em segundo plano – sendo, claro, importantes para a trama, mas muito longe de serem as estrelas principais frente à Stewart.
Cenário é efeito final
Em tons pastéis e levemente mórbido, o cenário rico em detalhes fecha com chave de ouro o filme. Nublado, o clima austero britânico traz, de forma suave, os dias que Diana passa presa em si mesma, andando em círculos e deprimida na companhia da família real.