‘Efeito Desterro’: curta de SC produzido em 48 horas aborda desterramento da mulher

Inspirado em casos reais, "Efeito Desterro" segue para evento que classifica os melhores curtas para o Festival de Cannes

Foto de Yasmin Mior

Yasmin Mior Florianópolis

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“A partir de um drinque recebido por uma mão desconhecida em uma balada, o destino de uma mulher é alterado”. A breve sinopse diz respeito ao curta-metragem “Efeito Desterro”, inspirado em casos como o de Mariana Ferrer.

Neles, a vítima “primeiro sai para se divertir e logo depois é desterrada”, explica uma das produtoras do filme, Fernanda Ozório. Mas o que é desterrar uma mulher?

Efeito Desterro foi exibido no 48 horas Íbero Challenge 2021 – Foto: Juliano Pfutzenreuter Nunes/Volo Filmes e Fotografia/Divulgação/NDEfeito Desterro foi exibido no 48 horas Íbero Challenge 2021 – Foto: Juliano Pfutzenreuter Nunes/Volo Filmes e Fotografia/Divulgação/ND

Para a produtora, o chamado efeito desterro “significa desterrar esse corpo que está lá antes do abuso sexual, mas que depois já não está mais”. Isso pode ser associado como uma “expulsão” de si mesmo, visto que a vítima já não é mais a mesma pessoa após o crime que é cometido contra ela.

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Fernanda Ozório conta que a ideia para o curta-metragem surgiu após ela ler contínuas notícias de abusos sexuais que estavam sendo cometidos em Santa Catarina, ou mais especificamente, em Florianópolis. “Parecia de fato um efeito, um crime após o outro”.

Seguindo o pensamento, ela comenta que o objetivo do curta era evitar que casos desse porte acontecessem de novo com outras mulheres.

“O caso foi uma inspiração, mas não recriamos um passo a passo. Adaptamos e alteramos a história para abordar uma situação que tem cada vez mais visibilidade pelo grande número de denúncias de violência contra a mulher em locais de entretenimento”, comenta.

Desafio contra o tempo

Toda a produção de “Efeito Desterro” foi feita em 48 horas. Para Ozório, foi uma corrida contra o tempo. “Nós nos inscrevemos no 48 horas Íbero Challenge 2021”.

O desafio é intenso, e requer dos grupos inscritos que eles produzam, do zero, um curta-metragem de quatro a sete minutos dentro do período de dois dias.

Para o desenvolvimento dos curtas, cada grupo deveria seguir instruções específicas. “Eles sortearam o gênero do nosso filme, e alguns objetos que deveriam ser obrigatoriamente inseridos nas filmagens e no produto final”. Entre os objetos selecionados, ela dá destaque para uma sapatilha de balé.

Efeito Desterro foi produzido pelos produtores audiovisuais Fernanda Ozório e Juliano Pfutzenreuter Nunes, com a ajuda do ator Guilherme Luiz Porte, que interpreta o personagem principal da trama – Foto: Divulgação/NDEfeito Desterro foi produzido pelos produtores audiovisuais Fernanda Ozório e Juliano Pfutzenreuter Nunes, com a ajuda do ator Guilherme Luiz Porte, que interpreta o personagem principal da trama – Foto: Divulgação/ND

O sorteio foi feito às 18 h de uma sexta-feira, e deste horário em diante, até o domingo seguinte, a produtora, o marido dela Juliano Pfutzenreuter Nunes, e um amigo do casal, Guilherme Luiz Porte, abraçaram a causa e deram início às produções.

A trama não teve investimentos, frisa Ozório. “Foi feito com o que tínhamos em casa”.

“Nós gravamos no Ribeirão da Ilha, até às 6h de sábado. Uma vizinha nos ajudou interpretando o personagem de Mari Ferrer, e também emprestando a sapatilha”, comenta a produtora, dando risada quando fala do objeto que precisou ser inserido na trama.

“Focamos muito em brincar com luzes e sons, para dar os efeitos que queríamos no curta”, finaliza.

O filme foi enviado à comissão julgadora, e para a surpresa dela, foi selecionado como menção honrosa pelo “Melhor Uso de Personagem”. Ele também ficou em 5° lugar no júri popular, e agora segue para a competição Íbero A, promovida pelo 48 Hour Film Project, que seleciona curta-metragens para o Festival de Cannes.

Efeito Desterro

Efeito Desterro foi exibido, de forma exclusiva, durante o 1º Festival Lanterna Mágica de Cinema Catarinense – Mulheres da Ilha, nesta sexta-feira (18), mas ainda pode ser conferido após o festival, pelo site da premiação.

Veja o trailer:

1º Festival Lanterna Mágica de Cinema Catarinense – Mulheres da Ilha

O 1° Festival Lanterna Mágica se estende até este domingo (20), no Ribeirão da Ilha e traz as mulheres de Santa Catarina como protagonistas.

O projeto foi selecionado pelo Edital Aldir Blanc 2021 e executado com recursos do Governo Federal e Lei Aldir Blanc de Emergência Cultural, por meio da Fundação Catarinense de Cultura.

“A intenção era atrair de volta essa cultura cinematográfica para o Ribeirão, onde eles consomem muito isso”, comenta Ozório. Este é o segundo final de semana de festival, e a seguir você pode conferir a programação deste sábado e domingo:

19 de fevereiro

  • 20 h – Exibição e roda de conversa – Documentário “Mulheres da Terra”;
  • 21 h – Roda de Choro

20 de fevereiro

  • 20h – Exibição e roda de conversa – Curta “Baile”;
  • 21h – Esquete Contas do Mar;
  • 20h às 22h – Exposição com artesãs do Ribeirão da Ilha.

O evento é gratuito, e a presença deve ser confirmada através do Sympla.

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