Santa Catarina tem mais de 100 mil praticantes de corrida de rua e o ambiente acolhedor para a prática faz cada vez mais pessoas se interessarem pelo esporte.
SeguirSó que os primeiros passos nem sempre são fáceis. Desconforto, dores físicas e falta de motivação e orientação estão entre os principais desafios. Nesse cenário, os atletas que já atingiram alta performance se destacam por inspirar os novatos.
É o caso de Mell Porto, moradora de Florianópolis. A advogada de 45 anos é considerada referência para mulheres que querem estabelecer uma rotina de treino.
Primeiro episódio do podcast ‘Vá para corrida’ recebeu a corredora Mell Porto – Foto: Divulgação/NDMell foi a convidada da primeira edição do podcast “Vá para a corrida”. O novo espaço busca discutir o ambiente da corrida no Estado de Santa Catarina.
Chamada para dar dicas sobre treino, Mell contou como começou a correr. “A grande maioria começa pela dor. Seja pela dor de perder alguém, seja pela dor da própria saúde. Seja pela dor de não estar satisfeito com o que vê no espelho”.
Apresentadora Vanessa da Rocha e Mell Porto na gravação do primeiro episódio do podcast “Vá para corrida!” – Foto: Divulgação/NDHistória de vida: “Naquele dia encontrei meu pai deitado no chão do banheiro. Foi infarto fulminante”
No caso de Mell, o despertar para a corrida começou quando ela perdeu o pai. Em 2015, com rotina agitada ao conciliar o trabalho e os cuidados com a família, Mell dedicava pouco tempo para os cuidados com a saúde.
No dia que ela pediu para uma amiga buscar a filha e entregar ao pai dela, enquanto trabalhava e tinha reuniões no mesmo horário, o pai sofreu um infarto e ela não teve a oportunidade de se despedir.
“Naquele dia encontrei meu pai deitado no chão do banheiro. Foi infarto fulminante”.
“Ali eu entendi que eu estava fazendo tudo errado. Como eu priorizei receber pessoas, priorizei o meu trabalho e não priorizei descer um lance de escadas e quem sabe dar um último abraço no meu pai?”
Quinze dias após o ocorrido, Mell quase perdeu o parceiro de vida. O esposo dela estava obeso e também teve um infarto.
“Eu disse ‘meu deus o que é isso? Vai tirar essas duas pessoas que são mais importantes para mim?”
Ele sobreviveu e o casal resolveu dar um novo ritmo à vida. “Todo mundo acha que fui eu que incentivei ele a correr, mas foi ele que me incentivou. Eu já estava na academia e ele começou com a corrida. Emagreceu 30 quilos. Eu comecei também e não parei mais”, diz Mell.
A corrida virou uma paixão e um método de equilíbrio de vida. Ela seguiu trabalhando no ramo da advocacia, mas passou a priorizar a saúde. Em 2019, mais uma perda familiar. A mãe de Mell faleceu de câncer.
No ano seguinte, Mell decidiu celebrar a vida e homenagear os pais através de um desafio que chamou a atenção de atletas de todo o Brasil: 90 quilômetros numa corrida de Florianópolis ao Santuário da Santa Paulina, em Nova Trento, onde o pai dela foi sepultado.
Na preparação, ela conheceu a história da Laurinha, uma criança diagnosticada com AME (Atrofia Muscular Espinhal) tipo 1. A menina estava precisando de recursos para comprar medicamentos e continuar vivendo.
Mell passou a “vender os quilômetros”. Quem comprava um lote de quilômetros, corria ao lado dela, participava do desafio e a verba era revertida para a Paulinha.
“Em alguns lugares parecia o Forrest Gump. As pessoas chegavam, corriam ao meu lado, se emocionavam, se envolviam na causa”, conta Mell.
Mell passou a ser inspiração. Hoje é procurada por pessoas de todos os Estados que querem dicas para criar uma rotina de cuidados com a saúde.
“As pessoas querem saber o que comer, qual tênis usar, com que frequência correr. Eu comecei com o propósito de cuidar da minha saúde. Nunca imaginei chegar onde cheguei. Inclusive errei muito até começar a acertar”.
E a dica de como começar? “A primeira coisa é colocar a saúde como prioridade. Comece saindo para caminhar. Coloque o horário que fica melhor para você. Saindo três vezes na semana para dar uma caminhada. Bota o tênis que tu tem e começa”.