Montanha mais íngreme da Grande Florianópolis, o Morro do Cambirela, em Palhoça, dificilmente passa despercebido por quem chega na região.
Com mais de 1.000 metros acima do nível do mar, o local faz parte do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e é ponto de exploração de ambientalistas e desportistas, atrás da ousada ideia de chegar ao cume, que soma quase 900 metros de altimetria.
A reportagem do Grupo ND, em meio a produção de um conteúdo exclusivo, no local, se deparou com Mariana Scarpelli, paulista de 40 anos e atleta profissional de skyrunning (corrida de montanha).
SeguirMariana Scarpelli, de olho no campeonato sul-americano da modalidade previsto para acontecer no Espírito Santo, subiu e desceu o imponente morro nada menos do que quatro vezes.
Com quase 7 km de distância entre a subida e a descida, Mariana somou quase 30 km de montanha, em ganho de altura de quase 3.500 metros.
“É um grau bem alto [dificuldade em subir o Cambirela], uma trilha técnica, por isso eu escolhi, lá [no sul-americano] serão 50 km e 4.400 metros de ganho”, revelou Mariana, ofegante, em meio a um dos percursos no local, em entrevista ao apresentador do Cidade Alerta da NDTV Record TV, Henrique Zanotto.
Confira
Mariana Scarpelli é atleta de skyrunning e tem uma preparação sobre-humana. – Vídeo: Henrique Zanotto/NDTV/Divulgação/ND
Treinamento incrível e onipresente
Para se ter uma ideia da onipresença de Mariana, ela foi entrevista em dois pontos diferentes, enquanto realizava seu treinamento. Em um primeiro momento, ao ser abordada, falou ainda sobre o seu sentimento a cada vez que chega ao topo.
Mais um manifesto dela
Mariana Scarpelli fala sobre o sentimento a cada chegada no cume do morro – Vídeo: Diogo de Souza/ND
Outro exemplo da dificuldade na escalada vem do tempo usado pela equipe do Grupo ND. É bem verdade que o período foi marcado por várias paradas, uma vez que a equipe estava em trabalho de produção. Mas foram mais de 7h de trilhas entre a subida e a descida da imponente montanha.
Mariana Scarpelli
Natural de São Paulo, a atleta é moradora de Imbituba há 8 anos, onde começou a praticar as corridas de montanha há, pelo menos, 6 anos.
“Eu falo que Santa Catarina me transformou numa corredora porque morando em cidade grande eu nem sabia da existência desse esporte”, comentou.
Mariana Scarpelli subiu e desceu o Morro do Cambirela quatro vezes – Foto: @marianascarpelli/Instagram/Divulgação/NDQuestionada sobre a preparação e o nível de cuidado para exercer uma prática tão fisicamente insana, Mariana admitiu que, além de atleta, é nutricionista.
“Tenho essa facilidade para me preparar, sou nutricionista, tenho uma alimentação 100% vegetal, não consumo álcool, nada de industrializados, priorizo alimentos naturais e integrais que me dão muita energia, a base de carboidratos”, contou.
Mariana ainda contou que teve um acompanhamento de um psicólogo do esporte para “angariar técnicas de meditação, respiração, além da melhoria da ansiedade, concentração e foco durante as provas e os treinos”.
Mariana ainda disse que, depende da competição, mas que treina corrida de 6 a 7x por semana, além de pilates e treino de força.
Imparável
De olho no Sul-Americano, agendado para o mês de junho, no Espírito Santo, Mariana já tem números impressionantes em sua “pequena” carreira como montanhista.
Dentre as conquistas está a primeira prova, na Serra da Mantiqueira (região montanhosa que se espalha entre São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais), onde subiu a Pedra da Mina, considerada a montanha mais alta do País.
Ainda em 2022 Mariana passou pelo Mundial, na Itália, além de uma seletiva, já em 2023, em Jaraguá do Sul. Em junho, depois da competição no Espírito Santo, a super-atleta prevê uma competição em julho, na Itália, para atletas acima de 40 anos.
Mariana se prepara, desde agora, para a prova que soma 55 km com 4.200 metros de ganho de altura.
E aí, você teria coragem de um treinamento desses?