Aos 12 anos, ela administrava a venda do pai e ajudava a sustentar os outros nove irmãos, de uma família modesta, isolada na Cachoeira do Bom Jesus, onde a enxada, a pá, o carrinho de mão de madeira envolviam toda a família em atividade agrícola.
O pai decidiu levar a família para a cidade, onde os filhos pudessem estudar e criar outro estilo de vida. A guria, já aos 15 anos, assumiu a frente dos negócios no distrito do Estreito. Incrível!
Pai e filha – Foto: PixabayA experiência de infância na venda dopai ensejou à menina crescer, transformando-a num sinônimo de sucesso. Montou suas lojas. A idade avançava. A menina Dilba, da Cachoeira, morreu na sexta-feira. Parou de sorrir e de pensar na cidade. “Floripa perdeu seu sorriso”, dizia ela.
SeguirO jornalista e publicitário Emílio Cerri e a sua esposa Vera desabafam: ‘ela era tão querida que não se fazia compras em supermercados, sem primeiro gargalhar com ela’. A Deba, como também era conhecida, gostava de sorrir, mas com uma observação: “o riso precisa ser alegre, sem esconder nada de ruim ou duvidoso”.
Enquanto isso na praia da Cachoeira
Venâncio e Lelo apressavam os passos na certeza de que o barco de Manoel voltara com muitos peixes. Isodoro pulou na frente deles:
– “Vocês soube que o Amalino se foi?
– Como é? Morreu? – indagou Lelo.
– Sim, já vai ser enterrado daqui a pouco.
– Poxa, não pode. Amalino construiu o nosso barco de pesca e ainda ensinou a gente a jogar a rede.
– Pois tudo. A verdade dói, né? Mas a vida passa e a gente se esquece da nossa própria gente. É por isso e outras coisas que a cidade não se conhece, né?
– Olha lá, tá chegando o afilhado do Venanço, o Teco. E já vem com alguma sacanage, pelo jeito – aponta Lelo.- Oi, como tão, amigos?
– Tamo triste com a partida do Amalino, apressou-se Lelo.
– Aqui morreu, se apagou. Ninguém mais se lembra de gente importante de Canasvieiras. Por acaso vocês sabem quem é Virgílio Várzea? O silêncio tomou conta da área.
– Não é o irmão do Manoel? – questionou Lelo.
– Lelo, Virgílio foi um dos maiores escritores de Santa Catarina. E foi filho de pescador e dono de barco aqui em Canasvieiras. Foi piloto de navio e depois começou a escrever livro.
– Bem, tá explicado. Morreu, tá esquecido. Mas nada justifica a cidade perder a sua memória – salienta Venanço.