‘Acervo deteriorado’: Museu do Forte de Santana completa 5 anos fechado em Florianópolis

Local conta a história da Polícia Militar de Santa Catarina e foi fechado após vistoria do Ministério Público

Foto de Ana Schoeller

Ana Schoeller Florianópolis

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Cinco anos de portas fechadas e parado no tempo. O Museu de Armas Major Lara Ribas, localizado no Forte de Santana do Estreito, que apesar do nome fica à cabeceira insular da Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis, está fechado desde 2018. Inaugurado em 1975, o museu segue sem prazo para reabertura.

O local, que conta a história da PMSC (Polícia Militar de Santa Catarina), fechou as portas após uma vistoria do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina). Ainda em 2018, o MPSC apontou que “precisaria ser trocada a fiação elétrica e feita uma manutenção do acervo, que está deteriorado”.

Museu de Armas Major Lara Ribas está fechado há cinco anos – Foto: Leo Munhoz/NDMuseu de Armas Major Lara Ribas está fechado há cinco anos – Foto: Leo Munhoz/ND

A reportagem do ND+ buscou informações com a PM para entender por qual motivo o espaço segue fechado. A saga para descobrir o mistério por trás do fechamento envolve também o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

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Museu de Armas Major Lara Ribas fica no Centro de Florianópolis – Foto: Leo Munhoz/NDMuseu de Armas Major Lara Ribas fica no Centro de Florianópolis – Foto: Leo Munhoz/ND

Segundo a PM, a organização não tinha condições de atender as demandas solicitadas pelo Ministério Público na época e, por isso, preferiu fechar. Questionada sobre o retorno das atividades, a PM apontou que “logo em seguida entrou a pandemia e os esforços se voltaram para a emergência sanitária. Agora, passada essa fase, estamos retomando o projeto de reabertura do museu”.

No entanto, a corporação afirmou que não tem um prazo para reabrir o museu. “Estamos retomando o processo de avaliação”, escreveu o órgão. Até o momento, não há nenhum processo de licitação para fazer as modificações.

Foto de 2014 mostra entrada quando o espaço ainda era aberto ao público – Foto: Divulgação/PMSC/NDFoto de 2014 mostra entrada quando o espaço ainda era aberto ao público – Foto: Divulgação/PMSC/ND

Já o Iphan explicou ao portal ND+ que é responsável apenas pela fiscalização do Forte Santana, no Estreito, bem tombado em esfera federal onde fica localizado o museu. Recentemente o Iphan alega que realizou obra de restauração com recursos do Fundo de Defesa de Direitos Difusos, do Ministério da Justiça. O Forte Santana é propriedade do Exército Brasileiro e está sob administração da Polícia Militar.

O órgão explicou que o Museu Lara Ribas está instalado em edificação próxima ao Forte Santana, estando em sua área de entorno, mas não é, em si, bem tombado pelo Iphan. É propriedade da Polícia Militar de Santa Catarina e é administrado pela mesma.

O Forte de Santana

De acordo com Roberto Tonera, especialista em fortificações do Brasil e do mundo e história das fortalezas da Ilha de Santa Catarina, o nome do Forte de Santana tem origem religiosa.

“Os nomes dados pelos portugueses sempre foram destinados à homenagem de santos. Portanto, o Forte de Santana é dedicado à Sant’ana, mãe da Virgem Maria. Por isto que a preposição “de” é tão importante, pois indica que é o forte daquele santo em questão. Depois sempre vinha a localização geográfica, “do Estreito”, afirma. Isto porque, era ali que demarcava o estreitamento de mar do canal sul com o canal norte”, explica.

O Forte de Santana, projetado pelo engenheiro militar José Custódio de Sá e Faria, faz parte de um segundo momento do sistema defensivo da Ilha e foi construído em 1763.

A missão da artilharia, com dez bocas de canhão distribuídas ao longo da plataforma, era proteger a Vila de Desterro das embarcações inimigas, em particular das esquadras espanholas que por aqui navegavam.

Forte fica às margens da Ponte Hercílio Luz – Foto: Arquivo/Anderson Coelho/NDForte fica às margens da Ponte Hercílio Luz – Foto: Arquivo/Anderson Coelho/ND

Um dos episódios mais marcantes do local foi em 1893. Na data, durante a Revolução Federalista, aconteceram trocas de tiros com a esquadra rebente. Ao longo do tempo o local passou por diversas reformas e a restauração definitiva veio em 1969.

Alguns anos antes, em 1938, foi tombado como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, e, segundo o site oficial da PMSC, desde 1975 abriga o Museu de Armas Major Lara Ribas.

O museu

Na data da construção, o coronel da PMSC Antônio de Lara Ribas selecionou armas apreendidas no Estado, itens de valor histórico ou de coleção. Devidamente catalogadas e ordenadas, as peças eram expostas por um circuito cronológico de evolução do mecanismo de disparo. Este acervo aumentou gradativamente.

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    Imagem mostra Forte de Santana - Divulgação/PMSC/ND
    Imagem mostra Forte de Santana - Divulgação/PMSC/ND
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    Museu conta a história da PMSC - Divulgação/PMSC/ND
    Museu conta a história da PMSC - Divulgação/PMSC/ND
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    Imagem mostra armas que eram exibidas no local - Divulgação/PMSC/ND
    Imagem mostra armas que eram exibidas no local - Divulgação/PMSC/ND

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