Ana, Anita

Trabalho ciclópico de preciosa pesquisa e detalhe, com méritos para uma grande equipe de produção sob o roteiro e direção da jornalista Isabela Hoffman

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O Grupo ND e suas plataformas providenciaram um presente para o grande público. Agraciado com esse belo e pesquisado “Anita: Amor, Luta e Liberdade”, magnífico documentário, derramando história, dramaturgia, lirismo e luz sobre a vida de Ana de Jesus Ribeiro, a Anita.

Trabalho ciclópico de preciosa pesquisa e detalhe, com méritos para uma grande equipe de produção sob o roteiro e direção da jornalista Isabela Hoffman.

Documentário sobre a vida de Ana de Jesus Ribeiro, a Anita, estreia em 28 de agosto na NDTV – Foto: Reprodução/NDTVDocumentário sobre a vida de Ana de Jesus Ribeiro, a Anita, estreia em 28 de agosto na NDTV – Foto: Reprodução/NDTV

Nesse épico, conheceremos, a partir das 13h deste sábado, na NDTV, a mulher e o mito, tanto a Ana da Laguna dos anos 1820, como a Anita guerreira das sagas da Revolução Farroupilha, da República Juliana, da independência do Uruguai e da unificação da Itália, então dividida em ducados.

A menina/mulher Ana é a grande revelação, a guerreira é devidamente exaltada, reparando-se a proverbial injustiça nacional de pouco reverenciar os nossos grandes vultos. Houve época em que Anita era mais cultivada na Itália do que conhecida no Brasil.

Sobre esse mérito histórico, de trazer à vida, para os mais jovens, a memória de Anita Garibaldi, o documentário tem o condão de juntar o mito à mocinha modesta da Laguna, que começou sua revolução pessoal ao romper um casamento arranjado para dedicar sua vida ao amor, ao ser amado e às causas que a enobreceram e a tornaram a heroína de tantos mundos.

Temos aqui uma nova heroína, a própria Isabela, que comandou a produção – com grande pertinácia – de um documentário que imprime as digitais catarinenses nas peças culturais que homenagearam o nosso grande vulto.

Em 2003, em TV, a minissérie “A Casa das Sete Mulheres”, de Maria Adelaide Amaral, deu vida à Anita com Giovanna Antonelli e Thiago Lacerda no papel do revolucionário Giuseppe Garibaldi. No cinema, em grande produção, Ana Paula Arósio viveu a nossa heroína. Papel hoje bem vivido no documentário pela lagunense Lize Sousa.

Na literatura, Adilcio Cadorin – historiador catarinense – compôs ao longo dos anos o maior acervo históricocultural sobre a vida e os feitos de Anita (entre outros “Anita, Guerreira da Liberdade”), lançando a sua lente “grande-angular” sobre a trajetória da grande catarinense. O paulista Flávio Aguiar mereceu um Prêmio Jabuti de literatura ao escrever “Anita”, um romance histórico que juntava realidade e ficção.

O último afago de um catarinense ao nosso ícone veio do grande escritor Deonísio da Silva, que, como Anita, é bem conhecido e reconhecido na Itália. Seu “Balada por Anita”, nas palavras do próprio autor, quer “eternizar uma história de amor”: – Queria contar do medo, da coragem, da paixão e do amor que marcaram a vida de Anita Garibaldi. Sua história era tão fantástica e tão verdadeira, que não precisei inventar. Sua vida já era um romance pronto.

É esse romance que, agora em movimento, o leitor poderá “ler” a partir deste sábado na NDTV. De onde está, na glória do Senhor, Anita Garibaldi também assistirá.