Para contar uma história intensa como a de Anita Garibaldi, com a fidelidade e riqueza de detalhes pretendida pelo documentário “Anita: Amor, Luta e Liberdade”, da NDTV/Record TV, foram usados vários recursos visuais.
Além das cenas de ficção e documentais, gravadas no Cine Teatro Mussi em Laguna, e em locações externas, gravuras feitas pelo ilustrador Ricardo Manhaes foram fundamentais para retratar passagens importantes da vida da heroína, como o nascimento dos filhos, as batalhas épicas e o casamento.
Laguna do início do século 19, mais precisamente a Laguna de 1821, ano em que Anita nasceu e que o Brasil era governado por uma monarquia e a venda de escravos era uma prática comum – Foto: Ilustração/Ricardo Manhaes/ND“Trabalhar com ilustrações para ajudar a contar uma história, seja em uma matéria de jornalismo, um documentário ou no cinema, não é algo inédito. Mas na série sobre Anita, as ilustrações do Ricardo trazem algo mais. Trazem a magia de imaginar cenários e situações a partir apenas de dados históricos”, destaca a roteirista e diretora do documentário, Isabela Hoffmann.
SeguirNo primeiro episódio, o público pode conferir quatro ilustrações feitas especialmente para o projeto, mas vão aparecer muitas outras ao longo de todo o documentário. “Na reunião prévia para ajustar os detalhes, senti que as ilustrações deveriam ter um estilo ‘quadros históricos’, por isso usei como referência pinturas da época e fotos modernas e antigas, seja de Laguna, da Anita, das batalhas e também de Montevideo (a capital uruguaia, onde Anita e Giuseppe moraram por um tempo e onde casaram). Além disso, pude consultar trechos de filmes que já retrataram a história da Anita”, conta o ilustrador, que desde 2018 assina as charges do Jornal ND, em Florianópolis, e do portal NDMais, de Joinville.
As conversas da jovem Aninha, com o tio Antônio, quando ela tinha cerca de 14 anos, em volta da fogueira, onde o tema sempre abordava questões ligadas à liberdade – Foto: Ilustração/Ricardo Manhaes/NDPara aproximar ainda mais o telespectador dos cenários da época, as ilustrações ganharam movimento com o trabalho de finalização de Lucas Rezende e João Batistella. “Achei o resultado sensacional! O excelente trabalho de edição foi um aliado que trouxe vida às ilustrações. Modéstia à parte, o resultado pode ser considerado inédito na TV catarinense. Participar de um projeto dessa relevância me aproximou da história de Santa Catarina. Agradeço mais uma vez ao diretor regional do Grupo ND, Roberto Bertolin, e à diretora da série, Isabela Hoffmann, pela confiança e pela oportunidade”, comemora Ricardo.
Não existem muitos registros fotográficos de Anita e sua saga. Por isso, os traços da personagem e interpretações dos momentos têm como base os registros históricos. Por isso mesmo, o casamento forçado da adolescente Anita com o sapateiro Manuel Duarte, em 1835, é um dos momentos em que as ilustrações foram fundamentais para contar a história.
O casamento forçado de Ana Maria de Jesus Ribeiro, aos 14 anos, com Manoel Duarte na Igreja de Laguna, em 1835 – Foto: Ilustração/Ricardo Manhaes/ND“Eu destaco principalmente a cena do casamento forçado aos 14 anos, na igreja de Laguna. Nós tínhamos a imagem real da Igreja e o Ricardo criou a cena com precisão, dentro do que o nosso imaginário permitia, já que não temos registro desse fato, em termos de imagens. Eu queria uma leitura mais suave, mas com personalidade dos fatos narrados pela própria Anita. E o Ricardo trouxe isso”, observa Isabela.
Episódio 2 registra a partida do casal
O episódio 2, que será exibido neste sábado (4), às 13h, na NDTV, registra a partida de Anita e Garibaldi de Laguna. O casal seguiu para o Planalto Serrano, onde enfrentou mais uma batalha com a polícia imperial. No grande confronto em Curitibanos, fato que entrou para a história como “A Batalha de Curitibanos”, ela perdeu-se do marido e acabou prisioneira dos imperiais.
A embarcação que Garibaldi usou para invadir Laguna em 1839. Ano em que conheceu Anita – Foto: Ilustração/Ricardo Manhaes/NDPrisioneira, mas não derrotada, Anita consegue fugir e reencontra Garibaldi no Rio Grande do Sul. Em 1840, nasce o primeiro filho do casal.
A maternidade desperta também a coragem de mãe e Aninha reforça sua luta por liberdade. Mas para o casal Garibaldi, houve um momento em que as batalhas no Brasil chegaram ao fim. Novos horizontes se apresentam e outras batalhas se desenhavam em solos estrangeiros. Anita, Garibaldi e o pequeno Menotti partem para Montevidéu em junho de 1841. E Aninha dá adeus de vez ao Brasil.
A grande batalha contra o Exército Imperial
Em 12 de janeiro de 1840, um grande confronto entre revolucionários e o Exército Imperial foi registrado na Serra catarinense e ficou conhecido como a Batalha de Curitibanos. Apesar dos perigos, Anita provia o abastecimento de munições aos soldados e acabou sendo capturada. Presa, recebeu a notícia da suposta morte do marido e convenceu o comandante do Exército Imperial que lhe autorizasse a procurar o cadáver.
Capão da Mortandade: monumento homenageia os que ali lutaram e morreram pela liberdade – Foto: Divulgação/NDPorém, em um instante de distração dos guardas e com a ajuda de um admirador, Anita aproveita a bebedeira dos inimigos e foge a cavalo. Destemida, ela atravessa o rio Canoas e chega ao Rio Grande do Sul, onde encontra-se com Garibaldi, oito dias depois. Exatamente nove meses depois, nascia o primogênito Menotti.
Devido ao grande número de mortos, o local onde houve o conflito ficou conhecido como Capão da Mortandade. Há 38 anos, um monumento homenageia os que ali lutaram e morreram pela liberdade.
“Aos heróis Farroupilha do combate de 12 de janeiro de 1840 que aqui estão sepultados. À memória de Anita Garibaldi, catarinense, heroína dos dois mundos.”
Frase em placa no local da Batalha de Curitibanos