A Casa da Alfândega, construída em 1875 em Florianópolis, foi restaurada e voltará a ter duas destinações. Além de abrigar a Galeria do Artesanato, espaço administrado pela FCC (Fundação Catarinense de Cultura) com cerca de 3.700 peças de 70 expositores de todo o Estado, será novamente a sede da superintendência do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em Santa Catarina. A obra custou R$ 5,8 milhões.
Depois da obra de restauro, Casa da Alfândega volta a ser utilizada em Florianópolis – Foto: Diorgenes Pandini/NDDe acordo com a superintendente substituta do Iphan em Santa Catarina, Regina Helena Santiago, o prédio com 1.100 m² é utilizado pelo Iphan na ala sul e central. A Galeria do Artesanato fica na ala norte.
“Foram restauradas paredes, telhado, esquadrias, revisão da parte elétrica, instalação de estrutura para combate a incêndio e acessibilidade e aclimatação”, contou Regina.
Segundo ela, entre o final deste mês e início de março, a equipe do Iphan, com aproximadamente 40 colaboradores, voltará a trabalhar no local. Já a Galeria do Artesanato será reaberta na segunda-feira (7).
Casarão na praça 15 abrigou provisoriamente a Galeria do Artesanato, que volta para Alfândega na próxima segunda-feira (7) – Foto: Divulgação, NDA previsão era nesta quarta-feira (2), mas a FCC mudou a data. No local desde 1988, a galeria funcionou em outro espaço há mais de dois anos.
“Estava num casarão no entorno da praça 15. Com a pandemia, ficou fechada por completo e foi reaberta na metade de 2021. Agora, vamos retornar. A reabertura será às 10h da manhã, com uma solenidade”, informou o presidente da FCC, Edinho Lemos.
Segundo ele, a parte administrativa ganhou um mezanino e a galeria tem agora uma rampa de acesso. A visitação será de segunda a sexta-feira, das 9h30 às 18h30 e, aos sábados, das 9h às 13h. A entrada é gratuita.
Retorno da estrutura do Iphan
A Casa da Alfândega serviu de sede para o Iphan até 2008, quando foi identificada a necessidade da obra. Em 2014, a empresa Prospectiva foi contratada para fazer o projeto de recuperação, finalizado em 2018. De maio de 2019 a janeiro de 2022, a empresa Planalto executou a obra.
“Desde que a sede do Iphan saiu da Alfândega, buscou-se outro imóvel para abrigar a superintendência. Não tendo se concretizado outras alternativas, optou-se por fazer os ajustes necessários com tempo hábil de adaptar a Alfândega para voltar a sediar a superintendência”, comentou Regina.
Regina está ansiosa para ver pessoal e estrutura do Iphan retornar à Alfândega – Foto: Diorgenes Pandini/NDPara ela, um dos principais ganhos com a restauração foi a acessibilidade. “Vamos ter uma sede plenamente acessível. Temos o elevador, que comunica o primeiro com o segundo andar e, na ala sul, acesso por cadeirinha elevatória. Toda a parte de banheiro também ficou de acordo com a norma”, enfatizou.
Alfândega da Ilha de Santa Catarina
No passado, a atual Casa da Alfândega funcionava como alfândega em Florianópolis. “Todo recebimento e controle por parte do governo da chegada de mercadorias na ilha era feito aqui, por isso, foi construído ao lado do Mercado Público”, explicou Regina.
Alfândega teve reparo, mas obra preservou história do tempo de chegada das mercadorias na Ilha de Santa Catarina – Foto: Diorgenes Pandini/NDA estrutura do Iphan chegou no início dos anos 2000. Depois da mudança, em 2008, apenas alguns setores ficaram na estrutura. A restauração preservou os traços históricos do local. “Mantivemos esse piso de vidro sob os trilhos, onde estão também os carrinhos originais. Eles são da operação de quando o prédio era alfândega”, afirmou Regina.
Arquiteta e urbanista técnica do Iphan, Marina Cañas Martins integrou a equipe que fiscalizou, semanalmente, os serviços para verificar se o projeto aprovado estava sendo desenvolvido. Ela trabalhou com Luiz Edgard Pereira.
A arquiteta Marina acompanhou se a execução seguiu o projeto – Foto: Diorgenes Pandini/NDSegundo Marina, além dos imprevistos da restauração, a decisão de a superintendência voltar à Alfândega alterou o projeto e demandou um aditivo financeiro. Com isso, o valor da obra aumentou em aproximadamente R$ 1 milhão.
Há 15 anos no Iphan, Marina trabalhava no antigo espaço antes da restauração. “Na outra época, não tínhamos a instalação elétrica de comunicação e foi tudo adaptado. Com esse restauro, voltamos a uma casa totalmente recuperada, com instalações e tecnologias necessárias, além da parte de segurança, como prevenção de incêndio. Será outra era para a alfândega!”, apontou a arquiteta.