Não são poucas — e também não superestimadas — às referências aos feitos artísticos na monumental construção da Ponte Hercílio Luz, para além das técnicas arquitetônicas e de engenharia seculares.
Já o artista e escultor Jesivan da Silva, de São José, foi além e, a partir do material descartado durante a reforma da travessia, ele ressignificou essa obra de arte.
A partir de sobras de metais e madeira da Hercílio Luz, o artista desenvolveu uma série de esculturas e que hoje já percorrem o mundo. Atualmente, elas podem ser apreciadas na exposição “Uma ponte para a sustentabilidade”, que vai até o dia 15 de abril no Nações Shopping, em Criciúma.
SeguirEm junho a exposição entra na programação do Espaço Itaguaçu+Arte, no shopping Itaguaçu, em São José.
Também vale a visita ao Instagram do artista que traz uma diversidade de outros trabalhos incríveis a partir da chamada arte “Driftwood”, que o próprio explica abaixo:
“A escultura voltou à cena na arte chamada Driftwood, onde o diferencial das peças trazidas pelo mar é a inclusão da madeira de canela proveniente do resíduo da indústria moveleira dos móveis de demolição de casas centenárias, agregando assim, além da crendice popular de que a madeira de canela atrai prosperidade, história e sustentabilidade.
Na arte, com o material centenário proveniente de restauração da Ponte Hercílio Luz não foge à regra, história e sustentabilidade estão presentes, assim como a memória afetiva, pois, além do metal, a madeira é proveniente da passarela da Ponte.
O caminho foi longo. Dois anos e meio até o êxito em conseguir a doação das peças brutas e mais um ano e meio para o convencimento do Governo (do Estado) em certificá-las conforme a legislação vigente.
O próximo desafio veio com a solda do material centenário, por sorte ou pela graça de Deus, obteve ajuda de família de soldadores da Ponte Hercílio Luz em gerações e que também participaram da última restauração realizada pela empresa portuguesa contratada.
Posteriormente, outro desafio, como beneficiar as peças sem descaracterizar as marcas do tempo, enfim, muitas tentativas de erro e acerto até o êxito com muito trabalho manual e maquinário específico.
Hoje as peças que já circulam pelo mundo e em especial pela Itália, contam com dois certificados de autenticidade e um terceiro quando há douração de restauração com ouro italiano de 23 quilates.
Enfim, é um privilégio poder fazer arte com este riquíssimo material que carrega uma memória afetiva gigantesca de um patrimônio histórico municipal, estadual e federal”.