Hello, Leitores! Realizei uma entrevista super colorida e expressiva com o João “Vejam”, artista plástico, visual e grafiteiro aqui de Floripa que tem uma trajetória super notável.
João Vejam, artista plástico e grafiteiro de Florianópolis -Reprodução: Foto Bruna Ferreira/NDJoão, conta para gente um pouco sobre você.
“Me chamo João, tenho 33 anos, no universo da arte também conhecido por “Vejam”. Atuo há mais de 20 anos e sou um dos precursores do graffiti em Santa Catarina. Participei de diversos eventos nacionais e internacionais de grande importância como a Bienal Internacional de Graffiti Fine Art, em São Paulo, realizada no Museu Brasileiro de Escultura e Ecologia”.
“Fui convidado para projetos internacionais no Chile, Peru, Estados Unidos, México, Dinamarca, Suécia, Itália, Espanha e Índia. Destaque para o Art Basel, feira internacional de street art, aclamada mundialmente e realizada em Miami. Recentemente, celebrei meus 20 anos de carreira em uma exposição em que apresento meus principais trabalhos, momentos, traçando um paralelo entre minha história de vida e obra”.
SeguirCom quantos anos surgiu o seu amor pela arte e quando você começou a expressá-la?
João me contou que desde criança sempre foi muito expressivo, sempre gostou muito de rabiscar, desenhar, pintar. Criar sempre fez parte da sua raiz. “Acredito que desde os 3 anos já riscava as paredes do quarto. Quando um pouco mais velho, os professores sempre avisaram minha mãe que eu tinha “algo” diferente.”
Arte de João no muro em grafitti. – Reprodução: Foto Bruna Ferreira/NDA sua técnica para pintar é só Graffiti?
“O spray e as tintas são materiais muito pertinentes e fundamentais ao meu trabalho, são características primordiais do Graffiti a utilização destes materiais, além claro de ser feito nas ruas da cidade, isso caracteriza o real Graffiti. Mas com o amadurecimento, pesquisa e a profissionalização como artista visual, me permite sob a ótica da arte contemporânea alcançar novos conceitos para o trabalho e conseguir ir além da arte urbana. Acho necessário a incansável busca pelo aprimoramento e experimentação, sinto que é estimulada através do uso de diferentes materiais, posso citar a madeira e resina, que tenho utilizado muito ultimamente. E além das pinturas em muros e telas me interessa muito a diversificação, a criação em outros suportes e técnicas.”
Além dos muros, onde mais você expressa a sua arte?
“Posso citar inúmeros tipos de superfícies que já pintei como: em metal, concreto, madeira… diferentes suportes também como: muro, trem, metrô, prédio, tela, caminhão, barco… recentemente pintei uma quadra de esportes, foi o maior trabalho da minha carreira. Outra vertente é customizar objetos como: prancha de surf, bolsa, tênis… São infinitas possibilidades.”
A inquietude artística de João o permite ter diferentes olhares e maneiras de expressar-se. Ele não concorda apenas em pintar ou destruir a natureza.
Arte de João em grafitti. -Reprodução: Foto Bruna Ferreira/NDSabes nos contar em média quantas artes você já fez?
“É difícil mensurar ao longo desses 21 anos de arte, mas de maneira muito genérica , milhares com certeza.”
Tu fez algum curso ou vem tudo da tua experiência?
“Autodidata, desde os primeiros riscos até os dias de hoje o curso foi a faculdade da vida, a vontade de ir pra rua e me comunicar, ter atitude de fazer, tentar, acertar, errar… mas nunca desistir dos meus sonhos.”
Visitante apreciando a obra “ Unidade “ 2020 de João Vejam. -Reprodução: Obras da exposição de João Vejam, Foto Bruna Ferreira/NDAquela perguntinha que não poderia faltar no Mundo Maria, qual o seu maior hobby?
“Além de propriamente pintar, que seria um trabalho, hobby e estilo de vida ao mesmo tempo, quando posso gosto de investir meu tempo em estar com a família e em atividades físicas. Gosto muito de pedalar pela cidade e quando surgem oportunidades de viajar, conhecer novas pessoas e culturas.”
Qual a mensagem que você quer passar através da sua arte?
“Na minha humilde visão a arte é livre, cada indivíduo tem o direito de sua própria interpretação sem julgamentos, faço minha arte para que as pessoas vejam e sintam, agucem os sentidos. Se apreciarem, realmente isso é ótimo, gratificante o reconhecimento. Mas não faço arte esperando algo em troca, para provar algo às pessoas e sim por provação pessoal, para minha própria evolução como ser”.
“A arte é veículo para eu me conectar com o mundo, foi a maneira que eu encontrei para irradiar positividade. A arte é o meio mais poderoso para a transformação da sociedade: indaga, gera empatia, caridade e sentimentos que passam despercebidos nas atividades diárias das pessoas.”
Obra “Amor de Mãe” 100×100 2019, de João Vejam. -Reprodução: Exposição de 2019 de João Vejam, Foto Gabriel Vanini/NDPara encerramos a nossa entrevista, qual a mensagem que gostarias de deixar para os leitores do Mundo Maria?
“Obrigado pelo convite, pelo interesse na minha trajetória e obra. No meu trabalho, motiva muito ter essas trocas que nos acrescentam algo. Obrigado por também contribuírem a difundir arte.”
Como é bom ver que temos artistas aqui em Floripa multifacetados, eu não o conhecia e achei o trabalho dele incrível.