Baile Branco: tradição perdida há duas décadas em Florianópolis

Noite de gala das debutantes do Clube Doze de Agosto manteve-se durante gerações como costume das famílias da alta sociedade

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A diretoria do Clube Doze de Agosto celebrou antecipadamente os 150 anos da mais antiga agremiação social de Florianópolis em atividade, no dia 6 de agosto, com festa do P12, beach club construído em parte da área de sua sede balneária, em Jurerê In.

Tempos modernos, hoje a comemoração do aniversário do clube fundado em 1872 por 14 jovens de famílias tradicionais em nada se parece com o que foi até o início dos anos 2000, obedecendo uma intensa programação, moldada ao longo das décadas.

A data era marcada por um concorrido jantar, no qual sócios patrimoniais com 35 anos de contribuição recebiam títulos de remidos; a nova rainha, escolhida entre as debutantes do ano anterior, a faixa; e cada debutante, um presente da diretoria, em geral, uma joia.

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Foto do lado direito do salão nobre mostra parte da grande movimentação de convidados até o mezanino no jantar de aniversário do Clube Doze de Agosto, em 1976 – Foto: Reprodução Revista Clube Doze de Agosto/NDFoto do lado direito do salão nobre mostra parte da grande movimentação de convidados até o mezanino no jantar de aniversário do Clube Doze de Agosto, em 1976 – Foto: Reprodução Revista Clube Doze de Agosto/ND

Dias depois, a aristocracia formada por empresários, políticos, profissionais liberais e autoridades públicas se reunia na grande noite de gala, com orquestra, para a apresentação das meninas-moças, que debutavam aos 15 anos. Era oportunidade única para muitas delas terem o seu dia de princesa, e custava caro.

Além das que moravam na cidade, elas vinham de diversas regiões do Estado e até de fora de Santa Catarina – várias vezes, chegou-se ao limite de 100 debutantes, e até mais que isso. Fazia-se o movimento contrário também: muitas saíam da Capital para debutar em Blumenau, Criciúma, Itajaí, Joinville, Lages, Palhoça, São José e, fora das divisas, em Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro, Brasília, etc.

Baile Branco do Clube Doze de Agosto, provavelmente, década de 1990 – Foto: Acervo Clube Doze de Agosto/Divulgação/NDBaile Branco do Clube Doze de Agosto, provavelmente, década de 1990 – Foto: Acervo Clube Doze de Agosto/Divulgação/ND

Era um rito – não determinante, mas indicativo – de passagem da infância para a adolescência, com alguns significados, como vestir roupas mais adultas, calçar salto alto, usar maquiagem, não depender da presença dos pais para ir a certos lugares, conhecer regras de comportamento. Digamos, sinais de amadurecimento e a conquista de um degrau rumo à liberdade.

Ficou demodê, mas quem viveu aquele glamour nunca o perderá da memória.

O debut

Numa pesquisa rápida que fiz em jornais da Hemeroteca Digital Catarinense, a imprensa já fazia registros sobre debutantes do Clube Doze na década de 1940, quando elas eram apresentadas num mesmo baile comemorativo aos aniversários da entidade e da Independência (setembro).

E, assim como em outras sociedades, a exemplo do Lira Tênis Clube, este criado em outubro de 1926, as garotas que debutariam no ano seguinte já passavam por uma exibição prévia no Baile de São Silvestre, na noite de Réveillon. Eram chamadas ao salão às 23h, e ali festejavam com todos a chegada do novo ano.

O nome Baile Branco, cuja autoria se atribui ao colunista Zury Machado (1922-2014), que já coordenava o evento na década anterior, aparece somente em meados dos anos de 1960.

Na década de 1960, a noite de gala passou a ser chamada de Baile Branco – Foto: Vanessa Pinho/Divulgação/NDNa década de 1960, a noite de gala passou a ser chamada de Baile Branco – Foto: Vanessa Pinho/Divulgação/ND

Na mesma época, surge citado nas colunas dele, no jornal “O Estado”, o Chá das Azaleias, realizado dias depois da noite de gala, com desfile das meninas em passarela, usando o mesmo vestido do baile.

A renda da tarde elegante era destinada a entidades filantrópicas, como o Educandário Santa Catarina, na cidade vizinha de São José. Havia patronesses, não raro as primeiras-damas do Estado e da Capital.

É possível que Zury tenha se inspirado no Chá das Acácias Douradas, realizado no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, e para o qual ele levava debutantes de Santa Catarina.

Já a figura da madrinha das mocinhas ou brotinhos, como também eram chamadas as jovens socialmente estreantes, deve ter sido instituída pouco depois. Cabia a ela recepcioná-las para lanches, almoços, jantares – coisa que uma ou outra debutante fazia antes –, acompanhar em passeios e viagens e, eventualmente, presentear as afilhadas.

Foto publicada na coluna “Acontecimentos Sociais”, de Zury Machado, no antigo jornal “O Estado”, em 21 de agosto de 1960: a debutante Silvia Hoepcke da Silva dançando a valsa com o pai, o ex-governador Aderbal Ramos da Silva – Foto: Reprodução O Estado//NDFoto publicada na coluna “Acontecimentos Sociais”, de Zury Machado, no antigo jornal “O Estado”, em 21 de agosto de 1960: a debutante Silvia Hoepcke da Silva dançando a valsa com o pai, o ex-governador Aderbal Ramos da Silva – Foto: Reprodução O Estado//ND

1962

Vera Cardoso Pítsica debutou em 1962, ainda na primeira sede do clube, na rua João Pinto. “Era uma coisa muito importante, todo mundo falava na cidade. As pessoas ficavam na rua, olhando os convidados chegarem com aquelas roupas bonitas. Um Oscar!”, relembra, comparando o glamour ao da premiação do cinema mundial.

Apesar de já não haver tanta rigidez de costumes na época, o que a permitia sair sem os pais, porém junto de familiares próximos, no baile de debutante ela não podia ir antes dos 15 anos. “O meu primeiro foi o que debutei”.

Vera Cardoso debutando em 1962 – Foto: Divulgação/NDVera Cardoso debutando em 1962 – Foto: Divulgação/ND

Quando chegou a sua vez, Vera precisou antes cumprir toda a programação de fotos, jantares e coquetéis no antigo hotel Querência, à rua Jerônimo Coelho, aulas de etiqueta com Margot Ganzo e gravar na mente todas as orientações de Zury para o baile.

Até que chegou o momento de entrar no salão do clube com vestido trazido de São Paulo para dançar as tradicionais três valsas: a primeira com o pai, Oscar (Zico) Cardoso Filho; a segunda com o padrinho, que foi um tio, Odson Cardoso; e a terceira com o par, função delegada ao jovem estudante de medicina Savas Apóstolo Pítsica, com que viria a se casar anos depois.

Vera recebeu a faixa de rainha do clube em 1966 – Foto: Divulgação/NDVera recebeu a faixa de rainha do clube em 1966 – Foto: Divulgação/ND

Em 1966, ela foi convidada para ser rainha do Doze, sucedendo Iara Gualberto. Na época, não havia o costume de se escolher a soberana entre as debutantes do ano anterior.

Na noite do baile de debutantes, que seria o último no endereço antigo, mesmo tendo tranquilidade em público em ocasiões como esta, Vera ficou um pouco apreensiva quando soube que entraria junto de Glaucia Mercy Zimmermann, miss Santa Catarina eleita dois meses antes. Mas, logo dominou a situação.

Em 1967, Vera despediu-se da realeza, que passou a Sônia Oliveira, já na sede nova, na avenida Hercílio Luz, onde ocorreram os maiores bailes de gala do Estado. “Era uma noite de sonhos, de Cinderela, um momento especial”, define Vera.

Da esq. para dir.: Glaucia Mercy Zimmermann, miss SC 1966; desembargador Norberto de Miranda Ramos, presidente do clube; a rainha, Vera Cardoso; e Emanoel Campos, diretor da agremiação – Foto: Divulgação/NDDa esq. para dir.: Glaucia Mercy Zimmermann, miss SC 1966; desembargador Norberto de Miranda Ramos, presidente do clube; a rainha, Vera Cardoso; e Emanoel Campos, diretor da agremiação – Foto: Divulgação/ND

1976

O mundo já havia passado por sensíveis transformações políticas, culturais e sociais quando a arquiteta Cristina Maria da Silveira Piazza debutou, em 1976. A geração hippie preferia experimentar novas experiências e descolar sua imagem de modelos comportamentais engessados. Mesmo assim, a tradição do Baile Branco permanecia forte.

“Você frequentava o clube toda a sua vida, tudo era ligado ao clube. Era o centro, toda a sociedade de Santa Catarina estava lá, não só a de Florianópolis. O debut era realmente uma apresentação à sociedade catarinense”, conta.

Na época, ela estudava no Colégio de Aplicação da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), de onde um grupo expressivo de meninas (cerca de 20) já entrosadas se somaria às debutantes do Clube Doze, majoritariamente, estudantes dos colégios Catarinense e Coração de Jesus.

Cristina Maria da Silveira Piazza e o pai, Walter Fernando Piazza – Foto: Divulgação/NDCristina Maria da Silveira Piazza e o pai, Walter Fernando Piazza – Foto: Divulgação/ND

Este encontro era propulsor eficiente do evento. “Eu queria muito debutar, fazer bochicho. Fui por causa das festas, dos passeios. Continuei fazendo as mesmas coisas que fazia antes, mas expandiu os horizontes e ampliou o círculo de amizades”.

O vestido foi ela mesma quem desenhou, sendo confeccionado pela avó materna, Delcides (Tide) Clímaco da Silveira, modista muito conhecida naquele tempo. Sua mãe, Lourdes Maria, bem que tentou debutá-la junto da irmã, Roxane, em 1974, mas a diretoria do clube não permitiu, certamente por contenção de vagas.

As meninas chegavam e subiam direto ao mezzanino para não serem vistas. Concentravam-se ao fundo à esquerda, onde funcionou por muito tempo o restaurante Manolo’s. Dali, o grupo se dividia para descer as escadas ao lado do palco, duas meninas por vez.

Cristina (à esq.), pronta para o seu Baile Branco, e a irmã, Roxane – Foto: Divulgação/NDCristina (à esq.), pronta para o seu Baile Branco, e a irmã, Roxane – Foto: Divulgação/ND

Obedecendo a ordem de inscrição, Cristina foi a primeira a ser chamada. Em dupla com ela, desceu do outro lado Valéria Gouvêa Ghanem. O ator Paulo Figueiredo, da extinta Rede Tupi (o baile foi transmitido pela TV Cultura), foi o apresentador, auxiliado pelo jornalista Mauro Amorim.

Como de praxe, a primeira valsa foi com o pai, Walter Fernando Piazza; a do padrinho, com o avô, Moacir Iguatemy da Silveira; a do par, com Newton Capella; ao som da Orquestra de Câmara do maestro Hélio Teixeira da Rosa. O baile seguiu com a banda Stagium 10.

A madrinha do grupo foi Ruth Hoepcke da Silva, ex-primeira-dama do Estado, que tinha uma neta, Patrícia, filha de Annita Hoepcke da Silva e Francisco Grillo, debutando naquele ano. Cynthia Garofallis era a nova rainha, sucedendo Liana Scheidemantel Soares.

A madrinha, Ruth Hoepcke da Silva (centro), Cristina Maria da Silveira Piazza (5ª da esq. para dir.) e outras debutantes de 1976 – Foto: Divulgação/NDA madrinha, Ruth Hoepcke da Silva (centro), Cristina Maria da Silveira Piazza (5ª da esq. para dir.) e outras debutantes de 1976 – Foto: Divulgação/ND

1989

Mais um salto no tempo. Último ano da década de 1980. Às 8h do primeiro dia de inscrição já havia fila de pais para garantir as vagas das filhas. Apesar de a procura ainda ser grande, o número de debutantes mostrava oscilações perceptíveis na época: 88.

Entre os vários fatores que poderiam justificar a queda, hão de ser considerados, primeiramente, o momento econômico e político; em segundo, a autonomia das meninas e o desinteresse delas, e talvez dos pais também, pelo debut.

O Brasil caminhava para o final do primeiro governo civil após o regime militar, tentando domar a hiperinflação que afetava fatalmente o poder de compra das pessoas. Meses depois, haveria a primeira eleição direta para presidente em quase 30 anos. Ou seja, estava tudo mexido.

Debutantes de 1989 desfilam no salão nobre – Foto: Divulgação/NDDebutantes de 1989 desfilam no salão nobre – Foto: Divulgação/ND

Naquela altura também, as adolescentes já viajavam em grupos de estudantes ou mesmo sozinhas para dentro e fora do país. As famílias, muitas vezes, deixavam a decisão para as meninas: viajar ou debutar. Como os custos se equivaliam, muitas preferiram pegar o caminho do aeroporto.

“Eu era uma das que não queriam debutar, eu queria viajar”, confessa a professora universitária Balbinete Silveira, a Babi. Mas diante do argumento da tradição defendido pela mãe, Alcyone Rotter, ela foi convencida, e também a fazer festa de 15 anos.

A preparação das garotas ficava a cargo de Liana Scheidemantel Soares, Vera da Cunha Brito e Roberto Kessler, uma comissão que vinha se alternando desde 1972, quando o clube completou seu centenário. Liana ensinava postura e andamento; Vera, escada e etiqueta à mesa; Roberto, um pouco de tudo, além da coreografia (caracol, diagonal, bolo vivo) e até cuidados com os cabelos.

Da esq. para dir.: Babi Silveira, Sabrina Gerlach Koerich, Stefanelli Ribeiro, Cynthia Valente e Giorgia Koerich – Foto: Divulgação/NDDa esq. para dir.: Babi Silveira, Sabrina Gerlach Koerich, Stefanelli Ribeiro, Cynthia Valente e Giorgia Koerich – Foto: Divulgação/ND

Vera lembra que, como em todos os anos, “algumas já vinham com esta finesse, teve gente que nunca me preocupou”. Outras, porém, apesar dos dotes financeiros bem altos das famílias, davam trabalho. Arredias, não queriam aprender. “Eu dizia: vocês ainda vão lembrar de mim”.

Naquela edição, a madrinha foi Ivone Gruber Maldaner, mulher do então vice-governador Casildo Maldaner; a rainha, Sandra Bubniak; e os artistas convidados, surpresa para todos até a hora de entrarem no salão, os atores Suzy Rêgo e Marcos Breda.

Passada a contrariedade inicial, Babi já estava curtindo aquilo tudo. Valsou com o pai, Waldemiro Silveira Filho, que viria presidir o clube de 1993 a 1997; com o próprio padrinho de batismo, Juari Pimentel; e em par com o irmão gêmeo, Alex.

Babi Silveira (centro) entre os atores Marcos Breda, Suzy Rêgo e colegas debutantes – Foto: Divulgação/NDBabi Silveira (centro) entre os atores Marcos Breda, Suzy Rêgo e colegas debutantes – Foto: Divulgação/ND

Curtiu tanto que voltou mais tarde, como modelo formada, para auxiliar na comissão de preparação quase que diária das novas debutantes. “Era tudo muito gostoso. Amizades se formaram, o círculo foi além do colégio. Tinha uma magia”.

Em agosto de 2019, ela organizou um encontro para comemorarem os 30 anos daquele baile. Compareceram 34 mulheres com muitas lembranças da época e histórias de vida. Algumas sem se verem desde então e outras bem próximas até hoje, todas igualmente tomadas de emoção. Confira a galeria de fotos e a reportagem da NDTV.

A ideia era tornar frequente as reuniões somente entre elas, como também eventos maiores, junto de maridos, namorados e filhos – o que a pandemia não impediu, apenas adiou. “Existe um saudosismo ainda, uma resistência por que as pessoas querem se encontrar”, conclui.

O primeiro encontro das debutantes de 1989 depois de 30 anos – Foto: Vanessa Pinho/Divulgação/NDO primeiro encontro das debutantes de 1989 depois de 30 anos – Foto: Vanessa Pinho/Divulgação/ND

2001

A partir da virada do século, Florianópolis já estava modernizada em vários aspectos que provocavam mudanças de hábitos, e vice-versa. Um dos fenômenos foi a evasão de sócios dos clubes de modo geral. A região recebeu grandes estruturas e diversidade de entretenimento, turismo, esporte e lazer que antes só se encontravam nas agremiações sociais.

Beach clubs, danceterias, academias, quadras esportivas e casas de espetáculos, melhores equipados até, atraíram a juventude, o motor mais potente que vitalizava o clube, afinal os maiores eventos eram pensados em função dos jovens, parte vigorosa da família associada.

Maria Luiza Mussi Stefan Oliveira Espíndola, hoje médica, já sabia bem antes dos 15 anos que iria debutar em 2001. Das quatro meninas entre os netos de Wanda Mussi Stefan, só faltava ela, a mais nova. Inclusive, a mais velha, Geórgia Borin, fora rainha do Doze. “Era o sonho da minha avó ver todas as netas debutarem”, diz Maria Luiza.

Vicente Pacheco Oliveira e Elizabeth Mussi Stefan Oliveira com a filha, Maria Luiza – Foto: Divulgação/NDVicente Pacheco Oliveira e Elizabeth Mussi Stefan Oliveira com a filha, Maria Luiza – Foto: Divulgação/ND

No ano anterior, Wanda adoeceu. Chegou-se a cogitar a possibilidade de antecipar o debut, porém ela acabou falecendo. Mais tarde, a neta soube que a avó havia separado dinheiro para presenteá-la com o vestido de gala, e assim foi feito. Galdino Lenzi, de cortes clássicos e tecidos nobres, foi o estilista escolhido, e ela ainda tem o traje guardado.

Após a valsa com o pai, Vicente Pacheco Oliveira, ela dançou com o padrinho, Fernando Viegas, e a do par dividiu com dois primos: Augusto Borin e Henrique Stefan Neto.

O ator Márcio Kieling, que se destacava em uma série juvenil de TV, fez as honras do cerimonial de apresentação das debutantes – eram menos de 30. A madrinha foi Liliane de Mello, as aulas de passarela ficaram sob responsabilidade de Thaiz Londero e as de maquiagem, ministradas por Claudia Cerri, a Claudinha Pop.

Maria Luiza e a madrinha das debutantes de 2001, Liliane de Mello – Foto: Divulgação/NDMaria Luiza e a madrinha das debutantes de 2001, Liliane de Mello – Foto: Divulgação/ND

“Era lindo de ver. As festas eram muito legais, os coquetéis, almoços da madrinha. Nosso passeio foi a Porto Seguro. Tenho amigas da época que são grandes amigas até hoje”, relata Maria Luiza, lembrando ainda que a condição de debutante abria algumas portas: “Fomos conhecer o camarote do antigo Café Cancun. A gente já era meio mocinha, mas se não fosse debutante não poderia”, pois não tinha idade suficiente para frequentar a casa noturna.

Sobre a preparação e a experiência do debut, ela diz: “os valores de família, de tradição são superimportantes. Treinar os manuais de comportamento, bons modos, as coisas que aprendi de etiqueta eu tenho até hoje. Acho interessante se minha filha tivesse isso no mundo dela”.

Um mês depois de sua noite inesquecível, Maria Luiza foi convidada para ser a rainha do clube no ano seguinte, tendo a chance de prolongar e repassar todos aqueles momentos de recordações felizes.

O ator Iran Malfitano entre as rainhas, Maria Luiza Mussi Stefan Oliveira (2002, à esq.) e Marina Teixeira (2001), no baile de debutantes do Clube Doze de Agosto – Foto: Divulgação/NDO ator Iran Malfitano entre as rainhas, Maria Luiza Mussi Stefan Oliveira (2002, à esq.) e Marina Teixeira (2001), no baile de debutantes do Clube Doze de Agosto – Foto: Divulgação/ND

2002 foi o ano em que o clube realizou o seu último Baile Branco. Há duas décadas, portanto, foi cravado o ponto final em uma longa história que a juventude atual não conheceu, e é preciso explicar a ela o que significava.