Banheira enviada por Dom Pedro II é uma das raridades de futuro museu de Florianópolis

Fundação Senhor dos Passos busca recursos para conceber museu com antiguidades do primeiro hospital de Santa Catarina

Nícolas Horácio Florianópolis

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Florianópolis está prestes a ganhar um novo museu e será o primeiro do Brasil envolvendo múltiplas áreas da saúde, como nutrição, farmácia, bioquímica, enfermagem e medicina. Trata-se do Museu Fármaco Hospitalar do Imperial Hospital de Caridade, o mais antigo hospital do Estado, fundado em 1789.

Banheira projetada para para a imperatriz Teresa Cristina – Foto: Leo Munhoz/NDBanheira projetada para para a imperatriz Teresa Cristina – Foto: Leo Munhoz/ND

O acervo, com mais de 2 mil peças, abrigará raridades como uma banheira de mármore, de 500 quilos, projetada para a Imperatriz Teresa Cristina, mãe da Princesa Isabel, enviada ao Caridade pelo imperador Dom Pedro II. Para dar vida ao museu, a Fundação Senhor dos Passos busca doações.

Em dezembro de 2020, depois de arrecadar recursos via Lei Rouanet, a fundação iniciou a recuperação da cobertura, das alvenarias e esquadrias do casarão, de 1857, que sediará o museu. Conforme a presidente da fundação, Rita Peruchi, 62 anos, o futuro museu terá diversas finalidades.

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“Vai servir para pesquisas, estudos, visitação de turistas. Imagina poder saber como eram feitas cirurgias com serrote, as cirurgias de ortopedia, que hoje ocorrem por vídeo. É importante também para quem é da área da saúde saber como foi o passado”, ressalta Rita.

Banheira projetada para para a imperatriz Teresa Cristina – Foto: Leo Munhoz/NDBanheira projetada para para a imperatriz Teresa Cristina – Foto: Leo Munhoz/ND

O futuro museu ficará num casarão do Século 19 que, com o tempo, foi se deteriorando. Por isso, a primeira etapa foi para conservar a estrutura. Agora, a fundação busca recursos para custear o projeto elétrico, hidráulico, o sistema preventivo de incêndio e o projeto do próprio museu para visitação do público.

“O que estamos pedindo é que empresários de Santa Catarina, que têm interesse em abraçar essa causa, nos ajudem doando”, reforça Rita.

Para facilitar a captação, Rita vai inscrever o projeto no PIC (Programa de Incentivo à Cultura), criado pelo Governo do Estado para que empresas fomentem projetos culturais, por meio de renúncias fiscais. “Nosso desejo é ter os recursos até o final de 2023 e, em meados de 2024, estar com tudo pronto”, vislumbra Rita.

Acervo com peças seculares

O casarão que abrigará o Museu Fármaco Hospitalar do Imperial Hospital de Caridade tem três pavimentos. No andar térreo ficarão parte das peças e um auditório, para ser utilizado pela comunidade e por hospitais particulares para eventos científicos e congressos.

Rita Peruchi é presidente da Fundação Senhor dos Passos – Foto: Leo Munhoz/NDRita Peruchi é presidente da Fundação Senhor dos Passos – Foto: Leo Munhoz/ND

O local também será aproveitado para o projeto de inclusão digital com membros das comunidades da Mariquinha e Mocotó. Também haverá peças no andar subterrâneo e no sótão, que abrigará, ainda, o administrativo da fundação.

Ao todo, o acervo tem aproximadamente 2.150 objetos e documentos que evidenciam a evolução da área de saúde e a trajetória do Caridade e da irmandade. Além da banheira projetada para a imperatriz Teresa Cristina, estão peças seculares, como uma máquina de fazer pomada, com cerca de 150 anos, da época em que o hospital produzia os medicamentos que utilizava.

Peças do futuro museu do Hospital Caridade – Foto: Leo Munhoz/NDPeças do futuro museu do Hospital Caridade – Foto: Leo Munhoz/ND

O acervo também tem diversos aparelhos antigos de anestesia, respiradores, aparelho de pressão, máquina para produzir comprimidos, macas de centro cirúrgico, suporte de soro e pequenos objetos, como olhos de vidro, materiais cirúrgicos, seringas e DVDs com gravações de cirurgias. Além disso, o local terá antigos utensílios de cozinha que serviam almoço e janta para os pacientes do hospital.

Sonho antigo

Antes de chegar à presidência na fundação, Rita trabalhou 25 anos no Caridade. Começou em 1990 e, por nove anos, atuou como enfermeira. Depois, assessorou a Irmandade Senhor dos Passos, dona do Caridade, na administração do hospital, até 2014. Ela conta que o antigo casarão, futura sede do museu, é tombado pelo município e pelo Estado. No passado, o local serviu para abrigar pacientes que precisavam de isolamento e até como centro cirúrgico.

A fundação foi criada para a irmandade obter recursos para restaurar o hospital após o incêndio de abril de 1994. Os anos foram passando e o casarão transformou-se numa espécie de depósito dos antigos utensílios do hospital. “São 237 anos, tudo que foi usado, foi guardado. Quando criamos a fundação, começamos a pensar no museu com essas peças”, lembra Rita.

Sede do futuro museu – Foto: Leo Munhoz/NDSede do futuro museu – Foto: Leo Munhoz/ND

“A ideia sempre existiu, mas nunca tinha se pensado em montar um projeto para captar recursos. Fizemos e a Lei Rouanet nos ajudou. Aprovamos R$ 1,7 mi e conseguimos captar R$ 770 mil, mas esse recurso se esgotou. Para deixar o museu pronto, vamos precisar de mais R$ 700 mil, porque vamos ter elevador, toda parte de acessibilidade”, afirma Rita.

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