Blocos de rua cobram prefeitura para garantir desfiles de carnaval em Florianópolis

Agremiações reclamam da falta de informações sobre credenciamento, estruturas e apoio do poder público para festejos em 2025

Foto de Vivian Leal

Vivian Leal Florianópolis

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Representantes de 36 blocos que participam do carnaval em Florianópolis se reuniram para, em conjunto, cobrar a prefeitura municipal para agilizar a organização dos festejos. Conforme ofício enviado ao executivo municipal pelos parlamentares Leonel Camasão (PSOL), Carla Ayres (PT) e Ingrid Sateré Mawé (PSOL) não há qualquer informação sobre “autorização, tendas e pontos de energia” a serem instalados nas ruas.

Blocos de rua reclamam de atraso na organização do carnaval em Florianópolis Blocos de rua reclamam de atraso na organização do carnaval em Florianópolis – Foto: Divulgação

O movimento também cobra a falta de informações sobre a saída dos blocos e quais estruturas de apoio serão disponibilizadas pelo poder público, que abriu um edital para conceder a realização do evento à iniciativa privada. A medida gerou incertezas às organizações, que temem abandono do município para organização do carnaval em Florianópolis.

No documento, que foi encaminhado à Prefeitura de Florianópolis na segunda-feira (13), o coletivo ainda solicita medidas de segurança para proteção dos foliões, instalação de tendas e banheiros químicos, e credenciamento antecipado dos blocos. Assinam o ofício, também, os vereadores Leonel Camasão (PSOL) e Ingrid Sateré Mawé (PSOL).

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Atraso na organização do carnaval em Florianópolis frustra blocos de rua

Faltando menos de dois meses para o carnaval, previsto para acontecer entre os dias 1º e 4 de março, a saída dos blocos de rua ainda não tem data para acontecer. A reportagem do ND Mais questionou à administração municipal sobre o cronograma estabelecido para a festa popular, mas não obteve retorno e nem localizou a informação no site oficial da cidade.

A organização tardia do carnaval em Florianópolis causa insegurança nos coletivos, que temem não conseguir se preparar a tempo para os desfiles. “Fica difícil planejar e assumir compromissos sem saber se teremos que custear as despesas extras, como a estrutura que a Prefeitura costuma oferecer, por exemplo. Em muitos casos, isso inviabiliza o desfile”, diz Bruno Batista da Cruz, do bloco Pauta Que Pariu, à reportagem.

O bloco Cores de Aidê passa pela mesma situação e sente que falta diálogo com o poder público. “Os credenciamentos para uso do espaço público são feitos às pressas, gerando insegurança para os blocos. No ano passado, o credenciamento foi aberto apenas uma semana antes do Carnaval, então até a data do desfile, não sabíamos se estávamos autorizados ou não a sair na rua”, afirma Fernanda Pessoa, membro do grupo.

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    Desfile do bloco Cores de Aidê - Tóia de Oliveira/Cores de Aidê/ND
    Desfile do bloco Cores de Aidê - Tóia de Oliveira/Cores de Aidê/ND
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    Grávida chama atenção durante saída dos blocos de carnaval em Florianópolis - Tóia de Oliveira/Cores de Aidê/ND
    Grávida chama atenção durante saída dos blocos de carnaval em Florianópolis - Tóia de Oliveira/Cores de Aidê/ND

Para reforçar o interesse no diálogo com a administração pública e pressionar a prefeitura para acelerar os preparativos para o carnaval em Florianópolis, um ato está marcado para ocorrer na sexta-feira (17), no Centro da capital. Até o momento, 36 blocos estão confirmados para a ação.

“Queremos mostrar que é urgente estabelecer canais permanentes de diálogo entre os blocos e a Prefeitura, que precisa reconhecer o carnaval de rua como um patrimônio cultural”, pontua Fernanda. “O carnaval de rua gera renda e produz cultura. A prefeitura precisa não apenas manter, mas ampliar o apoio aos blocos”, completa Bruno da Cruz, sobre a elevância do carnaval em Florianópolis.

Turismo recebe vereadora para discutir carnaval de rua

O gabinete da vereadora Carla Ayres (PT) busca intermediar o diálogo dos blocos de rua com o executivo municipal. O contato se intensificou após a publicação do edital que prevê a concessão de área pública à iniciativa privada para realização das festividades, a partir de 2025. O “leilão do carnaval”, como vem sendo chamado, está previsto para acontecer no dia 22 de janeiro.

“Essa organização que a gente tem participado junto com eles [os blocos] vai em dois sentidos: de um lado, para reivindicações de coisas que já não estão acontecendo e que eles buscam conquistar, e questionamentos em relação a esse edital”, afirma a vereadora Carla Ayres (PT), que também destacou uma diferenciação no tratamento do poder público com alguns grupos.

“A desburocratização do credenciamento dos blocos está dentro desse primeiro ponto. É solicitada, sempre em cima da hora, a retirada de alvarás de coletivos que são expressões culturais, não são empresas”, explica. O gabinete da vereadora protocolou ainda, junto ao TCE-SC (Tribunal de Contas de Santa Catarina), um pedido de esclarecimentos sobre o edital da parceria público-privada.

Bloco Filhas e Filhes de Eva durante desfile de carnaval em Florianópolis, em 2024 – Foto: Grazie Mile/DivulgaçãoBloco Filhas e Filhes de Eva durante desfile de carnaval em Florianópolis, em 2024 – Foto: Grazie Mile/Divulgação

“Há algumas contradições do ponto de vista do direito do espaço público, do direito do consumidor e também questões relativas às finanças, que são os principais pontos que levamos ao Tribunal de Contas”, explica a vereadora. Nesta quarta-feira (15), a parlamentar se reúne com o secretário de Turismo, Desenvolvimento Econômico e Inovação, Juliano Richter Pires, para tratar sobre o tema.

A reportagem do ND Mais questionou à pasta sobre as ponderações realizadas pelos blocos que reúnem, anualmente, milhares de foliões no carnaval em Florianópolis, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.