Carnaval de Florianópolis vive forte renovação nos casais de mestre-sala e porta-bandeira

Avaliados pelos jurados no desfile das escolas de samba, os casais de mestre-sala e porta-bandeira disputam dentro da avenida, mas se ajudam fora dela

Nícolas Horácio Florianópolis

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O dia do grande desfile das escolas de samba do Carnaval de Florianópolis, com transmissão da NDTV, se aproxima. Antes disso, as comunidades ensaiam e seus componentes participam dos eventos de aquecimento do Carnaval.

As comunidades ensaiam e seus componentes participam dos eventos de aquecimento do Carnaval. – Foto: Leo Munhoz/NDAs comunidades ensaiam e seus componentes participam dos eventos de aquecimento do Carnaval. – Foto: Leo Munhoz/ND

Nesta sexta-feira (10), por exemplo, ocorre o Berbigão do Boca, bloco tradicional da cidade. Lá estarão representantes das 10 escolas que desfilam neste ano, incluindo casais que devem bailar na avenida em vez de sambar: os mestre-salas e porta-bandeiras das escolas. No sábado (29), como manda a tradição, eles se encontraram no Mercado Público para interagir e unir as agremiações.

Depois de 39 anos na avenida, passando por praticamente todas as escolas, o motorista Vilmar Pereira Filho, o Mazinho, 61 anos, tornou-se mestre-sala do Berbigão. Só na Consulado, ele ficou 29 anos e, agora, passando o legado, vê uma nova geração chegando.

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Nesse momento, as escolas de samba de Florianópolis têm casais de mestre-sala e porta-bandeira bastante jovens, na faixa dos 25 anos. Apesar da juventude, a responsabilidade é de gente grande. “O casal tem que ter elegância, postura”, argumenta a auxiliar administrativo Andréa Lacerda, 50 anos, porta-bandeira do Berbigão com Mazinho.

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    No sábado (29), como manda a tradição, os casais se encontraram no Mercado Público para interagir e unir as agremiações - Leo Munhoz/ND
    No sábado (29), como manda a tradição, os casais se encontraram no Mercado Público para interagir e unir as agremiações - Leo Munhoz/ND
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    Os casais de mestre-sala e porta-bandeira disputam dentro da avenida, mas se ajudam fora dela - Leo Munhoz/ND
    Os casais de mestre-sala e porta-bandeira disputam dentro da avenida, mas se ajudam fora dela - Leo Munhoz/ND
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    As comunidades ensaiam e seus componentes participam dos eventos de aquecimento do Carnaval. - Leo Munhoz/ND
    As comunidades ensaiam e seus componentes participam dos eventos de aquecimento do Carnaval. - Leo Munhoz/ND
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    Richard e Lara, mestre sala e porta-bandeira da Dascuia - Leo Munhoz/ND
    Richard e Lara, mestre sala e porta-bandeira da Dascuia - Leo Munhoz/ND

“Estamos num momento de renovação. Hoje eu e minha esposa somos o casal mais antigo do Carnaval. Vejo renovação. As escolas estão fazendo um trabalho muito bacana de base”, conta Mazinho. “Aqui, é mais uma brincadeira, eles ensaiam o ano todo e hoje, assim como no dia dez, a ideia é relaxar”, explica sobre o encontro dos casais no Mercado Público de Florianópolis.

“Faço essa corrente de trazer as co-irmãs para que, no Berbigão, todas as escolas de samba estejam na volta à praça 15 para abrilhantar o evento. Não tem competição. É mais uma confraternização para relaxar. Dia 18 na avenida, aí sim, competição”, enfatiza Mazinho. Segundo ele, ao contrário das décadas passadas, em que havia rixa entre os casais, hoje existe união.

“É um quesito muito importante e tem que ser valorizado e respeitado. O mestre-sala tem que chegar bem na cabine, apresentar seu pavilhão, fazer o que ensaiou e ter tranquilidade na hora de entrar e de sair, para obter as três notas dez”, ressalta Mazinho. “O mestre-sala não samba, ele baila. É um beija-flor, que contorna a porta-bandeira, protege o seu pavilhão e a sua porta-bandeira”, completa.

Pratas da casa na Coloninha

O técnico em enfermagem Pablo João, 27 anos, e a professora Monique Gil, 26, estreiam esse ano na avenida como primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da atual campeã do Carnaval, a Coloninha. A ansiedade é grande, mas Monique se sente preparada. “Temos uma ala de mestre-sala e porta-bandeira mirim, que foi gerando frutos e fomos subindo sucessivamente”, explica Monique.

Para Pablo, a escola acertou no tema, ao decidir reviver antigos carnavais. Segundo ele, um dos mais marcantes foi 2006, quando desfilou pela primeira vez. Formado na Coloninha, o casal está focado em ganhar três notas dez. Pablo argumenta que “a Coloninha é um pavilhão pesado, a comunidade cobra muito e, como a nossa família é toda da Coloninha, mesmo que não haja cobrança, temos essa responsabilidade e nós abraçamos.”

“É uma grande responsabilidade, acaba sendo um peso, porque é um pavilhão de tradição, uma comunidade que, há muitos anos, bota Carnaval na avenida”, reitera Monique. “Temos o dever de trazer as três notas dez para a escola”, completa.

O casal elogiou a iniciativa do encontro das co-irmãs, pois acreditam que fortalece o quesito. “No Carnaval, as escolas lutam pelo mesmo ideal. Todos querem o Carnaval e que a cultura permaneça. Não é fácil! Já tivemos alguns anos sem e não queremos deixar morrer”, frisa Monique. “Juntos somos mais fortes. Querendo ou não, esse quesito é um pouco desmerecido e esquecido e, com essa união, a gente fortalece o quesito”, pondera Pablo.

Renovação na Dascuia

Representante do Morro do Céu, a Dascuia também vai para a avenida com rostos novos como primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira. Apesar de jovem, o gari Richard Vieira Silveira Mariano, 26 anos, tem 18 anos de Carnaval e vai bailar ao lado da estudante Lara Lyandra da Cunha, de apenas 18 anos.

“Nossa preparação está sendo baseada nos ensaios, na dedicação e em muito aprendizado. Cada dia é uma nova rotina, uma nova emoção. Está sendo muito gratificante, pois estamos recebendo elogios, pelo nosso trabalho. A gente só alcança os objetivos com muito trabalho”, defende Richard.

“Estamos nos dedicando ao máximo. Em qualquer horário livre, ensaiamos para dar o melhor na avenida e levar o pavilhão para toda a comunidade”, afirma Lara. Sobre o encontro com as co-irmãs, ressaltou que esse “é o quesito da união, independentemente da escola, sempre ajudamos um ao outro e isso é muito bom.” Richard vai na mesma linha: “a disputa é na avenida. Fora, todos se ajudam!”

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