Com programação definida, Procissão Senhor dos Passos deve reunir 50 mil fiéis em Florianópolis

O tradicional evento religioso da Igreja Católica chega a sua 257ª edição na Capital e, dessa vez, vai às ruas sem as restrições da pandemia

Redação ND Florianópolis

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Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil desde 2019, a Procissão Senhor dos Passos chega a sua 257ª edição em Florianópolis em 2023. Realizada pela Irmandade Senhor dos Passos, a celebração tradicional dos católicos ocorre desde 1766 na Ilha, ou seja, desde os tempos da antiga Desterro.

A programação da 257ª Procissão Senhor dos Passos foi apresentada na Capela Menino Deus e o provedor Eduardo Dutra da Silva convidou a comunidade para o evento – Foto: Davi Sommer/Divulgação/NDA programação da 257ª Procissão Senhor dos Passos foi apresentada na Capela Menino Deus e o provedor Eduardo Dutra da Silva convidou a comunidade para o evento – Foto: Davi Sommer/Divulgação/ND

Evento anual, sempre 15 dias antes da Páscoa, a procissão mobiliza milhares de fiéis em cortejos pelas ruas do Centro. Em 2022, ainda com as restrições da pandemia, 30 mil fiéis participaram. Neste ano, a expectativa é maior. A edição de 2023 será nos dias 25 e 26 de março, mas a programação começa no dia 19.

Coordenador da procissão, o servidor público estadual José Hipólito da Silva está há dez anos na irmandade e garante que, após meses de trabalho, está tudo pronto.

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“Estamos aguardando a procissão com 50 mil pessoas participando, desde quarta- feira (22), com o tríduo [três missas que antecedem a procissão]. Sábado (25) tem a Procissão do Carregador, às 8h, e uma missa na Capela Menino Deus às 17h. No domingo (26), à tarde, a procissão e o encontro das duas imagens, Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores, às 16h, em frente à Catedral, que é o ápice da procissão”, explica Silva.

Trajeto de sábado da Procissão Senhor dos Passos – Foto: Divulgação/NDTrajeto de sábado da Procissão Senhor dos Passos – Foto: Divulgação/ND

Segundo ele, organizar a procissão dá trabalho, mas a missão é gratificante. “Tudo é feito em devoção ao Senhor dos Passos, então, é tranquilo. Ele está nos ajudando também!”, ressalta.

Ainda conforme o coordenador, a essência da procissão é a devoção ao Senhor dos Passos: “agradecimento à vida, ao trabalho, à família. É uma forma de levar o Santo mais perto da comunidade. As pessoas podem ter uma visão melhor e agradecer com mais ênfase a vida”, detalha o cristão.

Padre Willian estreia na condução da procissão

A 257ª edição da Procissão Senhor do Passos tem um importante personagem: o atual capelão da Irmandade do Senhor dos Passos e do Imperial Hospital de Caridade, padre Willian Wogel. Natural de Brusque, o padre Wogel vai conduzir os eventos que integram o ritual da Procissão Senhor dos Passos. Será a estreia do capelão à frente do evento.

“Vou rezar as missas do Tríduo, com bênçãos do Santíssimo Sacramento e da Administração e da Unção dos Enfermos, nos dias 22, 23 e 24 de março, às 19h”, informa.

Trajeto de domingo da procissão – Foto: Divulgação/NDTrajeto de domingo da procissão – Foto: Divulgação/ND

O padre falou também sobre a procissão sem as restrições da pandemia. “A primeira procissão depois de um tempo de pandemia e realmente vai voltar com uma grande quantidade de fiéis que buscam no Senhor dos Passos um alento, um carinho, uma proteção”, afirma o sacerdote, que também comentou o lema da procissão: “É necessário que ele cresça e eu diminua”, tirado do evangelho de João.

“É onde encontramos a necessidade de que o Senhor deve ser exaltado e levado às pessoas, não nós. Cada um de nós é um instrumento, um canal da graça de Cristo e precisamos trabalhar para que esse Senhor dos Passos seja levado ao coração das pessoas que precisam”, enfatiza o padre.

História da procissão

A Procissão Senhor dos Passos ganha as ruas da Capital há 257 anos. Símbolo de fé e história, a festividade começou em 1766, dois anos após uma embarcação com destino ao Rio Grande do Sul atracar na Ilha do Desterro, trazendo a imagem de Senhor Jesus dos Passos.

A escultura, que rememora o sofrimento de Jesus Cristo crucificado, se tornou símbolo de devoção e é atribuída ao escultor baiano Francisco das Chagas. Esculpida em madeira, a imagem estava originalmente destinada a uma igreja de Rio Grande (RS).

Em 1764, entretanto, o barco que a trazia parou no intuito de abastecer em Desterro. Após três tentativas frustradas de seguir viagem, devido às fortes tempestades, a tripulação considerou um sinal divino e decidiu que a imagem permaneceria na cidade.

Dois anos depois, em 1766, foi realizada a primeira procissão. Além de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), a Procissão Senhor dos Passos é Patrimônio Cultural Imaterial de Santa Catarina desde 2006.

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