Conheça Bernardo Pessi, representante oficial da Liga das Escolas de Samba de Florianópolis

Advogado reunirá os presidentes das agremiações nesta quarta-feira (5) para avaliar o cancelamento do Carnaval, anunciado pelo prefeito Gean Loureiro na noite de hoje (4)

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Bernardo Pessi, filho de tradicional família de Florianópolis, cresceu na rua Vereador José do Vale Pereira, em Coqueiros, bairro continental onde seu pai e outros parentes ainda vivem.

Formado em direito pela Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina) em 2013, especializou-se em direito processual civil com capacitação para ensino no Magistério Superior pela Faculdade Damásio em 2016.

Sua área profissional segue a hereditariedade: o bisavô materno, Abelardo da Costa Arantes, foi juiz de direito; o tio-avô, Abelardo da Costa Arantes Junior, foi diplomata em países da Europa e do Oriente Médio; sua mãe, Helena Maria Corrêa de Sousa Pessi, foi advogada; tem primos advogados e outros ainda cursando direito.

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Entre suas atuações, é diretor administrativo da Adocon-SC (Associação Catarinense de Defesa dos Direitos dos Consumidores e da Mulher) e secretário adjunto da Comissão de Direito do Consumidor da OAB/SC (Ordem dos Advogados do Brasil – Santa Catarina).

Bernardo Pessi atua no direito, no esporte e no Carnaval – Foto: Divulgação/NDBernardo Pessi atua no direito, no esporte e no Carnaval – Foto: Divulgação/ND

Da mesma forma, o esporte está na veia: o pai, Clóvis Pessi, ex-competidor, é professor de tênis; o tio-avô, Orlando Pessi (Torrado), foi um dos maiores nomes do basquete catarinense; o avô, Aroldo Pessi, foi destaque no remo do Clube de Regatas Aldo Luz, no bolão do Clube Doze de Agosto e presidente do Avaí Futebol Clube (1949-1952), do qual Bernardo é atual vice-presidente do Conselho Deliberativo, cargo também ocupado por Aroldo em 1948.

Na torcida Mancha Azul ele foi atraído para a escola de samba Os Protegidos da Princesa, tendo sido seu ritmista e diretor jurídico – mesma função que ocupa na Liesf (Liga das Escolas de Samba de Florianópolis) desde 2020, com a posse da atual diretoria.

Devido o afastamento do presidente Moacyr Gomes, o Cy, para tratar a saúde, Bernardo passou a representar a entidade, que trabalhava pela retomada do desfile na passarela Nego Quirido em 2022.

Com o cancelamento da programação de Carnaval, comunicada publicamente pelo prefeito Gean Loureiro na noite desta terça-feira (4), a Liesf reunirá os presidentes das afiliadas na quarta-feira (5) para avaliar a decisão.

Hoje, Bernardo representa oficialmente a Liesf – Foto: Divulgação/NDHoje, Bernardo representa oficialmente a Liesf – Foto: Divulgação/ND

Qual o teu envolvimento com o esporte? Chegaste a praticar profissionalmente?

Toda a família Pessi sempre foi envolvida com esporte. Já pratiquei todos os esportes que eu tive acesso. Do remo ao snowboard. Nunca nenhum de forma mais séria. Atualmente, costumo jogar tênis com meu pai e uma pelada ocasional.

E com o Avaí?

O Avaí faz parte da minha vida desde que eu aprendi a falar. Isso vale para outros tantos integrantes da família Pessi. Sou do Conselho Deliberativo desde 2014. Fui presidente da Comissão Temporária que analisou as contas do último presidente do time. Em dezembro, fui eleito vice-presidente do Conselho Deliberativo para um mandato de quatro anos.

A tua ligação com o Carnaval também é desde criança?

Minha ligação com o Carnaval é, assim como de qualquer outro brasileiro, cultural. Todos amamos o Carnaval.

Minha ligação mais efetiva teve origem na própria Ressacada, onde tive proximidade com integrantes da bateria da Mancha Azul (torcida organizada do Avaí), o que me levou a frequentar a escola de samba Os Protegidos da Princesa.

Na Protegidos fui ritmista e posteriormente diretor jurídico. Desfilo na escola desde 2016. Evidentemente, na posição que ocupo na Liesf, tenho mantido a necessária isenção em relação as demais escolas, a fim de que possa ajudar o Carnaval como um todo, sem predileções.

Torcedor de berço do Avaí – Foto: Divulgação/NDTorcedor de berço do Avaí – Foto: Divulgação/ND

É comum quem tem grande paixão pelo futebol nutrir o mesmo entusiasmo por escola de samba.

Futebol e Carnaval são as paixões do brasileiro. É muito comum pessoas nutrirem o mesmo entusiasmo por um time de futebol e uma escola de samba. Conheço pessoas que amam suas escolas de samba como amam um membro da própria família. No meu caso particular, minha paixão pelo Avaí supera a do Carnaval e de qualquer outra atividade que eu me envolvo, mas ambos são parte relevante da minha vida.

Com o afastamento do presidente da Liesf por que tu, o diretor jurídico, tens representado a entidade?

O vice-presidente, Caio Teixeira, não chegou a assumir por motivos de foro íntimo. Também foi convencionado entre os presidentes de escolas de samba que novas eleições seriam convocadas e, por eu ter maior alcance e conhecimento sobre o dia a dia da Liesf, decidiu-se que seria mais fácil que eu conduzisse esse processo até as novas eleições.

O presidente, Moacyr Gomes (centro), e o diretor jurídico, Bernardo Pessi, com demais dirigentes da Liesf – Foto: Divulgação/NDO presidente, Moacyr Gomes (centro), e o diretor jurídico, Bernardo Pessi, com demais dirigentes da Liesf – Foto: Divulgação/ND

O Carnaval foi cancelado em 2021, mas as agremiações, ao longo do ano, mantiveram seus calendários individuais, retomando o desenvolvimento dos enredos de onde haviam parado, com vistas a 2022 – que também acaba de ser cancelado. Não era arriscado investir tempo e dinheiro em algo ainda incerto?

Sim. Havia um risco em avançar investimentos sobre um Carnaval que ainda não se tinha certeza se iria ou não acontecer. De qualquer modo, as agremiações têm focado investimentos primordialmente em material humano, ou seja, ensaios de bateria, passistas, casais de mestre-sala e porta-bandeira.

Além disso as aplicações financeiras têm se destinado a produção de materiais de ordem cultural e educacional, cujo resultado poderá ser utilizado no futuro, como sambas e enredos, por exemplo.

Acima de tudo, a atividade carnavalesca tem viés cultural, que é praticado o ano inteiro, com ou sem Carnaval. O tempo investido pelas escolas de samba na sua atividade fim (valorização cultural do Carnaval) nunca é perdido.

O desfile das escolas se encaixa nas normas do Evento Seguro estipuladas pelo governo do Estado? Quais seriam os protocolos?

Os desfiles de passarela são absolutamente diferentes do “Carnaval de rua”. Na passarela há o controle de entrada, lotação, cumprimento dos conhecidos protocolos de segurança sanitária, passaporte da vacina, etc., assim como qualquer outro evento que está acontecendo no verão da cidade.

Além disso, protocolos específicos para o controle da passarela poderiam ser criados. Ainda, o regulamento do Carnaval 2022, elaborado pela Liesf com a participação de representantes de todas as escolas de samba, já previa cuidados com a segurança sanitária do evento.

Era consenso entre as 10 agremiações integrantes da Liesf quanto à realização do desfile?

Todas as escolas e seus componentes amam o Carnaval. Todos têm integral entusiasmo com as festividades. Evidentemente, as inseguranças sanitárias assolam todas as escolas, e não só elas, todos aqueles que têm responsabilidade e consciência sobre os deveres cívicos na proteção da saúde pública.