Conheça Sulanger Bavaresco, diretora do Grupo de Teatro O Dromedário Loquaz

Ela integra há 35 anos o coletivo de atores que apresenta o novo espetáculo, “A Mulher do General e a Outra”, nos dias 21 e 22 de julho, em Florianópolis

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Já na infância vivida no Meio-Oeste de Santa Catarina, entre o distrito de Bom Sucesso e a cidade de Videira, Sulanger Bavaresco decidiu se dedicar ao teatro.

Com 14 anos, foi atrás do sonho em Blumenau, no Vale do Itajaí, mas, trabalhando como babá, não o realizou. Aos 15, chegou à Capital do Estado, onde logo ingressou como atriz numa peça infantil do grupo Fórmula Arte.

Em 1987, foi aprovada em concurso para a FCFFC (Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes), órgão oficial de cultura do município, à época, comandada por Isnard Azevedo, diretor do Grupo de Teatro O Dromedário Loquaz.

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Convite feito, ela entrou para o coletivo de atores, que está sob sua direção desde 1995 e que celebra 41 anos de fundação neste ano com programação especial para marcar o retorno aos palcos.

Atriz, dramaturga, diretora teatral e professora Sulanger Bavaresco – Foto: Anna Guimarães/Divulgação/NDAtriz, dramaturga, diretora teatral e professora Sulanger Bavaresco – Foto: Anna Guimarães/Divulgação/ND

O primeiro projeto pós-controle da pandemia é a peça “A Mulher do General e a Outra”, questionando a realidade oprimida e violenta da mulher, que estreou em junho e terá novas sessões nos dias 21 e 22 de julho, no Teatro da Ubro (União Beneficente Recreativa Operária), às 20h.

Sulanger é licenciada em educação artística – artes cênicas pela Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), onde também cursa especialização em teatro-educação.

Nasceste no Meio-Oeste catarinense, moraste no Vale do Itajaí e te estabeleceste na Capital. Por que as mudanças de cidade?

Nasci em Bom Sucesso, que em 1969 era um distrito de Videira e hoje pertence a Iomerê, município emancipado em 1995. Quinta filha de uma numerosa família de colonos descendentes de italianos, passei minha infância em Bom Sucesso, uma pequena vila cercada de montanhas.

Vivi parte de minha infância na casa de minha tia Emília, quando fui alfabetizada e me tornei apaixonada pela leitura, devorando tudo o que estivesse ao alcance, do acervo da escola do lugar a qualquer impresso que caísse em minhas mãos.

Paralelamente ao acesso ao universo fantástico que a literatura me proporcionava, ouvia programas radiofônicos e, posteriormente, com o início de transmissões televisivas, descobri que a arte da atuação poderia dar vida, corpo e voz para histórias escritas.

Na escola, participava dos eventos alusivos às datas comemorativas declamando poesias que eu incrementava com gestos amplos, mas foi ao assistir uma pequena peça teatral improvisada pelos professores do lugar que tive meu primeiro contato real com o teatro, e a experiência expandiu minha mente em uma felicidade desconhecida que passou a habitar meu coração.

“A vila ficou pequena para o tamanho do meu querer vivenciar o teatro, e desde então sabia que um dia teria que partir para uma cidade maior”

Entrando na adolescência, voltei para a casa de meus pais, que já viviam na cidade de Videira, e como lá o único grupo teatral era formado por adultos, funcionários da fábrica Perdigão, não encontrei espaço para iniciar no teatro. Aos 14 anos, parti para Blumenau, carregando na bagagem um pouco de medo, uma coragem enorme e o sonho persistente de encontrar meu espaço na arte teatral.

Em Blumenau, trabalhei como babá, e longe de casa a urgência se tornou a sobrevivência. O teatro se resumiu a um prédio imponente que eu passava em frente empurrando carrinhos de bebê e olhando com nostalgia cartazes anunciando espetáculos. Ali também o teatro não aconteceu para mim, e aos 15 anos me mudei para Florianópolis, cidade que me permitiu viver a arte em sua plenitude.

Por que Florianópolis?

A família para quem eu trabalhava se mudou para Florianópolis, e ao chegar na Capital, logo ao atravessar a ponte, fiquei assustada com o tamanho da cidade, imaginando que eu poderia me perder ali.

Mas no mesmo dia imaginei que nesta cidade deveriam existir muitos grupos teatrais, e renovei as esperanças de que poderia enfim encontrar uma oportunidade para dar meus primeiros passos na arte teatral.

E isso se deu no mesmo ano, com meu ingresso como atriz do espetáculo infantil “Alice no País das Maravilhas”, no grupo Fórmula Arte, do diretor e hoje carnavalesco Márcio José Schutz.

Em 2012, atuando na estreia do espetáculo “Um Deus Dormiu Lá em Casa” – Foto: Iur Gomez/Divulgação/NDEm 2012, atuando na estreia do espetáculo “Um Deus Dormiu Lá em Casa” – Foto: Iur Gomez/Divulgação/ND

Como se deu a tua aproximação com o Grupo de Teatro O Dromedário Loquaz?

Cheguei em Florianópolis adolescente e, enquanto dava meus primeiros passos como atriz no grupo Fórmula Arte, fui levada por companheiros de cena para assistir a um espetáculo do Dromedário Loquaz, “Curto Circuito”, em 1986.

Lembro que fiquei muito impactada com a encenação e comentei como deviam ser felizes os artistas que faziam parte de um grupo como aquele. Continuei, como fã, acompanhando as produções e nunca imaginei de verdade que participaria do grupo.

Em 1987, realizei concurso público e iniciei meus trabalhos como técnica cultural da FCFFC. Isnard foi o primeiro superintendente da instituição e a proximidade resultou em um convite para ingressar no Dromedário Loquaz.

Foi um momento muito especial, pois a oportunidade de trabalhar com profissionais experientes e criativos foi uma escola para mim. Entrei no grupo em 1987 e estreei com o espetáculo “Pessoa(s)”, dirigido por Isnard, em 1988.

O uso de espaços não convencionais é uma marca tua e do grupo?

É iniciativa de Isnard Azevedo, já na estreia do grupo, com a montagem de “A Importância de Estar de Acordo”, no prédio da antiga Alfândega, em 1981. Isnard era arquiteto e tinha interesse especial na ocupação cenográfica de espaços não convencionais por espetáculos teatrais. Até onde tenho conhecimento, o grupo foi pioneiro nessa área em Florianópolis.

Com Isnard o grupo encenou ainda “Doce Vampiro”, em 1984, no antigo auditório da Escola de Música do Centro Integrado de Cultura, atual Museu da Imagem e do Som; retornou ao prédio da antiga Alfândega, com “Curto Circuito”, em 1985, e “As Hienas”, em 1986; e “Pessoa(s)”, ambientado no bar alternativo Fulanos & Florianos, em1988.

Meu interesse em encenar espetáculos em espaços alternativos foi natural e realizei várias experiências, destacando-se “Agnus Dei”, em 1995, no hall da antiga Faed (Faculdade de Educação), atual Museu da Escola Catarinense; “Quinnipak – Mundos de Vidro”, na antiga Fábrica de Bordados Hoepcke, em 2002; e “Jardim das Delícias”, em 2006, no quintal da Casa do Teatro Armação, na praça 15 de Novembro.

Para além dos desafios técnicos e artísticos de adequar as encenações em espaços que coloquem os espectadores em um estado diferenciado de percepção da cena, o interesse do grupo se dá pela possibilidade de realizar temporadas longas, aprimorando as performances e despertando a curiosidade de novas plateias.

“Quinnipak – Mundos de Vidro”, encenado na antiga Fábrica de Bordados Hoepcke – Foto: Danísio Silva/Divulgação/ND“Quinnipak – Mundos de Vidro”, encenado na antiga Fábrica de Bordados Hoepcke – Foto: Danísio Silva/Divulgação/ND

Em 1993, criaste o Festival de Nacional de Teatro Isnard Azevedo, na FCFFC. Em quantas edições trabalhaste como coordenadora, membro de comissão organizadora, selecionadora, jurada…?

O festival tem atualmente 24 edições, e eu atuei em diferentes funções em 22 delas, estando ausente somente nos anos que vivi fora do Brasil.

A cidade já tinha um movimento teatral local importante e público. Qual foi a contribuição do festival para este segmento?

O festival deu conta dos anseios que o Isnard tinha no fim da década de 1980. Uma oportunidade real para a cidade ter contato com grupos e produções teatrais de outros Estados que não fossem as montagens “globais” que circulavam habitualmente, e de mostrar sua arte para além da Ilha, ao estabelecer novas conexões. Vejo o percurso do festival em diferentes momentos e considero que cada um teve sua importância, para o bem ou para o mal.

Como foi a tua experiência em Londres?

Vivi em Londres em 1997 e 1998, e foi um período sabático. De curar o coração partido e viver novas experiências de vida. Lá, estudei um pouco da língua inglesa e não frequentei cursos de arte como aluna regular. Fui, sim, uma espectadora assídua da produção musical, e onde assisti pela primeira vez uma montagem de ópera em palco italiano, foi “Otello”, de Verdi, encenada na Royal Opera House, em 1988. Lembrando que meu primeiro contato com o gênero se deu na rua, naquela montagem emblemática de “O Guarani”, de Carlos Gomes, realizada em 1996, no Largo da Catedral de Florianópolis.

Já dirigiste e escreveste quantos espetáculos?

Dirigi 30 espetáculos, entre teatro adulto, infantil, de bonecos, intervenções artísticas, musicais e óperas. Destes, escrevi dois espetáculos, quatro roteiros de musicais e ópera e várias adaptações. Agora, em junho de 2022, estreou mais um, o drama “A Mulher do General e a Outra”, dramaturgia baseada em literatura homônima de Iur Gomes. E ainda inédito, o monólogo “Florbela Espanca”, dramaturgia original inspirada na vida e obra da poetisa portuguesa Florbela Espanca.

Equipe do espetáculo “Jardim das Delícias” (2006) – Foto: Renato Gama/Divulgação/NDEquipe do espetáculo “Jardim das Delícias” (2006) – Foto: Renato Gama/Divulgação/ND

Os públicos de casas de teatro e de teatro na rua são distintos. O que os mais difere e o que os mais aproxima?

Eu acredito na força do teatro em qualquer espaço. A arte tem o poder de sempre alterar o estado do espectador, levando-o a vivenciar diferentes emoções. A diferença é que, em uma casa de espetáculos, temos um público que atendeu a uma decisão pessoal de vir em busca da experiência artística, enquanto na rua o espectador é surpreendido em sua rotina cotidiana, o que requer das encenações diferentes técnicas para despertar e manter o interesse do público.

Faz bastante tempo que Florianópolis não assiste a montagens ao ar livre, usando como cenário o espaço urbano, que foram poucas. Não é viável?

Temos em Florianópolis grupos competentes que atuam exclusivamente com teatro de rua, a exemplo do Erro Grupo, que realiza intervenções e espetáculos provocadores.

Lembro que no passado a FCFFC realizou a ópera “O Guarani” no Largo da Catedral e que o grupo (E)xperiência Subterrânea encenou o espetáculo “A Destruição de Numância” no vão central do Mercado Público.

A respeito de grandes produções realizadas ao ar livre, especialmente aquelas que exigem sonorização e número expressivo de artistas, elas requerem investimento de recursos significativos e dependem de condições climáticas favoráveis para sua realização.

Eu nutro especial interesse em levar espetáculos para áreas públicas urbanas, oportunizando ao público geral a fruição artística de uma forma diferenciada. Tenho acalentado alguns projetos que aguardam condições para acontecerem.

Da formação original, ainda há integrantes no grupo?

Não temos nenhum integrante da formação original. Infelizmente, a longevidade carrega em si o preço das perdas. Da primeira formação, Isnard Azevedo e Ademir Rosa, fundadores do grupo, já faleceram. Piero Falci mudou-se da cidade e as atrizes Lilian Del’Antônio e Jane De Bem deixaram as atividades artísticas.

Isnard conduziu o Dromedário por 10 anos, e neste tempo o grupo recebeu novos participantes que contribuíram para a sua continuidade. Deste período, gostaria de destacar o ator e cenógrafo Sylvio Mantovani, falecido em 2010, e o ator e diretor Pio Borges, que se afastou das atividades teatrais em 2005.

Pelo Dromedário já passaram aproximadamente 200 pessoas, e acredito que a rotatividade e renovação de participantes, com a entrada de novos integrantes e a participação de técnicos e artistas convidados, são importantes para a continuidade do grupo e conferem a ele tamanha longevidade.

Sulanger Bavaresco dirige o Grupo de Teatro O Dromedário Loquaz desde 1995 – Foto: Anna Guimarães/Divulgação/NDSulanger Bavaresco dirige o Grupo de Teatro O Dromedário Loquaz desde 1995 – Foto: Anna Guimarães/Divulgação/ND

Em quatro décadas de existência foram mais de 40 espetáculos e ações teatrais – em média, mais de um por ano. Esta longevidade e ritmo são uma marca rara no teatro brasileiro?

No Brasil não são muitos os coletivos teatrais que atingem tantas décadas de existência. É preciso vencer adversidades e ter resistência para atravessar tempos difíceis, mantendo a chama do amor pelo labor teatral permanentemente acesa.

É importante lembrar que o grupo surge em 1981, período em que o país dava seus primeiros passos após uma longa ditadura. Nos seus primeiros anos de atividade, ainda lidava com a censura para a autorização de textos teatrais, e fazia de sua arte uma voz potente em defesa da liberdade e da democracia.

O Dromedário Loquaz e o Grupo Armação, fundado em 1975, são os grupos teatrais mais antigos em atividade no Estado de Santa Catarina.

Das montagens do Dromedário, qual consideras ter causado maior impacto no público e por quê?

Difícil indicar uma única montagem. Podemos destacar a de estreia, em 1981, “A Importância de Estar de Acordo”, primeira montagem de Bertolt Brecht em Santa Catarina, que por seu texto, pela contemporaneidade da encenação que contou com enxertos de notícias atuais e ocupação cenográfica do edifício da antiga Alfândega, causou impacto no público.

“Doce Vampiro”, de Carlos Carvalho, espetáculo de 1984, que alcançou grande afluência de público, mantendo-se em cartaz por um longo período. “Quinnipak – Mundos de Vidro”, de 2002, que contou com grande elenco e belíssimo projeto cenográfico de Sylvio Mantovani na ocupação cênica de ala desativada da antiga Fábrica de Bordados Hoecpke, que ainda contava com maquinário de tecelagem do século 19.

Sylvio cobriu a área de atuação com areia e apostou em transparências e iluminação que conferissem atmosfera onírica, elementos que, aliados ao texto poético e a sonoplastia executada ao vivo pelo elenco, possibilitaram ao público novas e inéditas sensações na fruição da arte teatral.

Ainda sobre a ocupação de espaços inusitados, o grupo realizou em 2012 a performance lírica “Árias Públicas”, que, com a participação de um pianista, 10 cantores líricos e dançarinos, ocupou as sacadas e calçadas da esquina do Ponto Chic, surpreendendo o público desavisado com a encenação de árias operísticas.

Elenco e técnicos do espetáculo “O Pequeno Príncipe” – Foto: Luiza Filippo/Divulgação/NDElenco e técnicos do espetáculo “O Pequeno Príncipe” – Foto: Luiza Filippo/Divulgação/ND

Depois do espetáculo “O Pequeno Príncipe” (2017 a 2019), o Dromedário se ausentou do palco para produzir nova montagem, e veio a pandemia. O que o grupo fez a partir daí?

A área da cultura, em especial o segmento de espetáculos, foi a primeira a interromper suas atividades com a pandemia do coronavírus, e a última a retomar sua plena normalidade, incluindo o contato com seu público.

Em razão dos protocolos de emergência para o controle da disseminação do vírus ao longo de 2020 e 2021, o grupo restringiu suas atividades na organização interna e na realização de reuniões virtuais para o planejamento de novos projetos com vistas ao retorno das atividades presenciais.

A organização interna contou com levantamento do acervo documental da entidade, composto por fotos, vídeos, clipagem e textos diversos, e permitiu a reestruturação e manutenção do site do grupo, que possibilita a pesquisadores e interessados o livre acesso à história do Dromedário Loquaz, podendo conhecer a trajetória de seus espetáculos e integrantes.

Em 2020, o grupo foi selecionado e participou de eventos virtuais, como a Mostra Rosa dos Ventos, da Fecate (Federação Catarinense de Teatro), com “O Pequeno Príncipe”, e da Mostra Dromedário Loquaz – 39 Anos de Resistência Artística, realização da 5M Produções que contou com uma live entrevista conduzida pela atriz e jornalista Andrea Busato e a exibição de vídeos de quatro espetáculos.

Também em 2020 definiu-se pelo desenvolvimento de projeto de montagem de dois espetáculos inéditos: “A Mulher do General e a Outra” e “Florbela Espanca”. O processo de aprimoramento da escrita dos textos, da seleção de elenco e equipe técnica, assim como a leitura dos textos, foi realizada através de reuniões virtuais.

Em 2021, o grupo deu um passo além e passou a realizar ensaios semanais através plataforma de videoconferência.

Como foi a adaptação?

Um aprendizado para todos os envolvidos, passando pelo estudo de texto, pela criação dos personagens, pela leitura dramatizada e criação de cenas com a participação de até dois atores.

Não foi um processo fácil, pois a criação teatral se dá no contato presencial, com a troca de olhares, com interação física e retroalimentação de energia.

Acredito que o que parecia impossível se deu em razão de ser o exercício artístico vital para a saúde física e mental dos artistas. Era tanta a saudade do teatro que o elenco e a direção se adaptaram à nova realidade, e foi maravilhoso ver a arte acontecer e emocionar através do encontro virtual.

Déa Busato (à esq.) e Diana Adada Padilha em “A Mulher do General e a Outra”, que estreou em junho deste ano – Foto: Luiza Filippo/Divulgação/NDDéa Busato (à esq.) e Diana Adada Padilha em “A Mulher do General e a Outra”, que estreou em junho deste ano – Foto: Luiza Filippo/Divulgação/ND

Mesmo com ensaios presenciais, que voltariam a ocorrer, algo foi pensado de forma diferente ou adequado a ponto de mudar uma cena ou cenário pela incerteza de como seria o retorno ao palco ou para a segurança sanitária do público e da própria equipe?

Durante os ensaios virtuais pensamos em diferentes possibilidades de readequação, como a gravação de cenas em vídeo. Porém, nunca perdemos de vista a esperança de que a vacinação poderia conter a disseminação do vírus, e de que estes espetáculos marcariam o reencontro do grupo com seu público, como um ato de superação e celebração da vida e da arte.

O que foi programado para o retorno do grupo aos palcos neste ano?

Preparamos programação especial para 2022, marcando nosso reencontro com o público e celebrando os 41 anos de existência e resistência teatral do Dromedário Loquaz.

Distribuída ao longo do ano, contará com a remontagem e reestreia do infantojuvenil “O Pequeno Príncipe”, além das estreias de “Florbela Espanca” e de “A Mulher do General e a Outra”, com textos e direção de minha autoria, e “Cabaré Loquaz”, performance inspirada nos shows de variedades, que reunirá música, poesia, dança burlesca e textos que exaltem a alegria, entremeadas por outras que denunciem a face sombria e triste que profana o que acreditamos ser a verdadeira vocação humana, a felicidade.

Mais que comemorar a resistência artística do Dromedário Loquaz ao longo de quatro décadas, o espetáculo pretende homenagear a grandeza dos artistas e amigos que pereceram no caminho e exaltar a sobrevivência daqueles que permanecem ao nosso lado, nas trincheiras dessa vida, levantando com sua arte as bandeiras de luta por um mundo mais justo.

A expectativa do setor cultural e do público era muito grande pelo retorno das atividades. Acreditas que a relação entre eles está sendo ressignificada, haja vista a falta que muita gente só sentiu quando não teve mais acesso?

Com certeza, nem eu nem ninguém passou pela pandemia sem consumir alguma forma de arte que pudesse preencher os espaços vazios e solitários impostos pelo isolamento ou suas restrições. Filmes, músicas, livros e outras formas artísticas tornaram mais leve o peso desses meses todos e aproximaram pessoas através de lives e mostras online.

Era natural que a tua filha, Julia, experimentasse o fazer teatral. Acreditas que há uma futura profissional de teatro dentro de casa?

A Julia tem 19 anos. Deu seus primeiros passos me acompanhando no Teatro da Ubro, quando eu respondia pela gerência do espaço, e assim teve desde muito cedo contato direto com a arte em suas diferentes áreas. Como também me acompanhava nos ensaios e apresentações dos espetáculos que dirigi.

Foi natural sua aproximação com o teatro. Porém, seu interesse é amplo, alcançando a literatura, o cinema e a música em diferentes funções. É impossível apostar em uma área específica que a Julia venha a atuar, mas podemos, sim, acreditar que temos uma artista em casa.

Julia Bavaresco, filha de Sulanger, também está no elenco de “A Mulher do General e a Outra” – Foto: Luiza Filippo/Divulgação/NDJulia Bavaresco, filha de Sulanger, também está no elenco de “A Mulher do General e a Outra” – Foto: Luiza Filippo/Divulgação/ND