Tinto, branco, rosé, licoroso, espumante. Variedades de vinho para agradar os diferentes paladares. Hoje consolidada em diferentes cidades catarinenses, a produção de uva e vinho se relaciona com a história da colonização de Santa Catarina.
Dia do Vinho: vinicultura faz parte da história da colonização em SC – Foto: PixabayApesar de iniciativas pontuais, a viticultura só progrediu com a colonização italiana a partir de 1875. A natureza somada ao empenho de homens e mulheres que dedicam sua vida ao cultivo, respondem pelo giro da economia, carregando consigo o rótulo de excelência.
Quer seja para harmonizar, acompanhar, temperar ou até para fins terapêuticos, o vinho é um produto versátil. Deixou de ser uma opção eventual e está se tornando cada vez mais ocasional. Bom para quem produz e também para quem se especializou na venda.
A sommelier Márcia Amaral já percorreu o mundo para conhecer as particularidades e características dos vinhos de diferentes locais. Ela considera que o Brasil, especialmente o Sul, não perde nada em qualidade. Inclusive, os produzidos na Serra catarinense.
Segundo Márcia, “os chamados vinhos de altitude têm como peculiaridade serem vinhos que a uva que dá origem ao vinho leva mais tempo para amadurecer. Com isso, as características dessas uvas são diferentes. Os aromas são mais intensos, os taninos (apesar de serem mais marcantes) são mais macios. Então, os vinhos são bastante agradáveis”. Como sommelier, ela criou um evento que busca mostrar o “lado b” dos vinhos. Isso é, fugir do convencional. São rótulos não tão comerciais. Ela deu dois exemplos, um de vinho tinto e outro de vinho branco.
“Nós sempre começamos pelos vinhos brancos e eu escolhi um branco da Serra catarinense, um vinho de altitude, um vermentino, uma uva bem diferente. O tinto, esse é um vinho peculiar porque as uvas são de Vacaria, no Rio Grande de Sul, mas ele é elaborado em Florianópolis. É um cabernet franc, que é tido como a mãe de muitas uvas. A ideia é explorar, conhecer, descobrir e valorizar também”, explicou Márcia.
Dia Nacional do Vinho é comemorado no primeiro domingo de junho – Foto: Reprodução/NDEm 2017, uma lei instituiu o primeiro domingo de junho como o Dia Nacional do Vinho. A ideia da data foi enaltecer a produção brasileira. Nos dois primeiros meses deste ano, a venda de vinhos finos, espumantes e suco de uva, já superou em 60% o volume do mesmo período de 2021. A empresária Cibele Garrido Godoy pegou carona nesse crescimento. Ela abriu uma loja especializada em vinhos brasileiros. Tudo começou com a ideia de vender o produto numa bicicleta, circulando pela Capital.
“A ideia era levar, a princípio, só vinhos de Santa Catarina. Então, eu fazia eventos numa bicicleta e eu levava vinho sem muita complicação para a rua, como se fosse um bar de vinho itinerante. Aí, eu comecei a observar que as pessoas queriam consumir, queriam conhecer o vinho brasileiro e surgiu essa ideia”, contou Cibele.
Hoje, a bicicleta está estacionada. A empresária tem procurado investir em experiências ao cliente, cada vez mais atento a esse mercado.
Segundo Cibele, sua loja “é um comércio de vinhos, como qualquer outro, mas em alguns dias da semana vira um espaço de aprendizado. A gente faz aulas sobre vinho brasileiro, degustações com queijos, com outros produtos brasileiros, para mostrar não só a qualidade dos vinhos, mas o quanto a gente tem para harmonizar, para explorar, e o consumidor sair da minha loja sabendo escolher produtos bem interessantes”.
Seja qual for seu estilo de vinho, o que vale mesmo é apostar na bebida para encarar os dias de inverno que ainda estão por vir.
Para a sommelier Márcia, “cada um tem as suas prioridades, as suas preferências como profissional, mas no meu caso é ver as pessoas se aproximando do vinho de uma forma mais casual. Eu gosto que elas percebam que aquilo é algo bonito que exige muita dedicação, mas que também não precisa muita idolatria porque também é simples. Faz parte da agricultura, do trabalho, da união, da sinergia da natureza com o trabalho do homem. Quando isso motiva, cativa e até emociona as pessoas é o que me faz feliz”.
Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis!