Cacau Menezes cacau.menezes@ndtv.com.br

Apaixonado pela sua cidade, por Santa Catarina, pelo seu país e pela sua profissão. São 45 anos, sete dias por semana, 24 horas por dia dedicados ao jornalismo

De uns tempos para cá, uma lenta corrosão de condutas distorce valores na cidade

Para reverter esse quadro é necessário resgatar valores, respeitar o conhecimento, coibir a vulgaridade e preservar o nosso patamar cultural.

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A maneira como as pessoas vivem, pensam e agem varia muito de um local para outro. O comportamental é diferenciado e fica nítido da maneira de vestir ao linguajar cotidiano.

 – Foto: Ricardo Wolffenbüttel/Governo de SC/ND – Foto: Ricardo Wolffenbüttel/Governo de SC/ND

Aqui em Santa Catarina temos regiões e cidades com características marcantes. A base é histórica, pois desde a formação dos povoados as localidades mantêm as suas tradições de acordo com as etnias dos imigrantes que ali aportaram. O sotaque e a culinária são fatores marcantes nesses perfis regionais, peculiaridades que valorizam as raízes culturais que até podem ser caricatas e divertidas.

Floripa também mantém um modus vivendi característico. Cosmopolita, mesmo com uma sinergia regional, não perde vínculo com as suas origens. Atrai gente e pulveriza conhecimentos.

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Sempre houve uma tendência em seguir a fidalguia urbana, pois a ação centrífuga distribui os conhecimentos dos mestres de suas melhores escolas. Houve época em que a fina-flor da intelectualidade ecoava pela cidade, nas letras, na música ou pela conduta de vanguarda. O espelho era a elite intelectual. O repasse de valores e conhecimentos fortalecia a hegemonia da sociedade florianopolitana. Porém, de uns tempos para cá, uma lenta corrosão de condutas distorce valores. Observo que, internamente, o pensamento coletivo sofre com as más-influências periféricas. Grossura em alta e aplausos à vulgaridade invertem o fluxo cultural.

Surgiu uma ação centrípeta, onde o pensamento suburbano oxida o eixo da consciência coletiva, descaracteriza a sociedade e tira o brilho da sua intelectualidade. Então é hora do mea-culpa, pois direta ou indiretamente todos somos culpados por permitir que a ignorância dê as cartas.

Para reverter esse quadro é necessário resgatar valores, respeitar o conhecimento, coibir a vulgaridade e preservar o nosso patamar cultural.

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