O filósofo francês Charles Renouvier dizia que a imprensa, assim como as torrentes, se enfurece e ganha força diante de obstáculos. Nas redes sociais não é diferente.
Atividade jornalística – Foto: Divulgação/NDFomentadores de notícias nas redes parece que herdaram o ardor do jornalismo, com a mesma vontade de divulgar novidades, opiniões, sem dispor, ainda, de critérios e técnicas imprescindíveis à construção da identidade e confiança. Para informações duvidosas já se trata de índole, aqui e ali.
Se o jornalismo não se revigorar meio à imensidão de ferramentas da informação, poderá ocorrer uma reordenação do processo, no sentido de reconfigurar autoria, credibilidade e fontes.
SeguirAs redes sociais ainda estão respirando, mas, no assopro, podem descobrir novos caminhos, em simbiose com as facilidades dos acessos à informação e ao desenvolvimento do conhecimento, estimuladas pela educação multidisciplinar.
De outro lado, no plano da expressão e seu contraditório, o jornalismo vive um momento de dubiedade no Brasil. Contudo, segue-se praticando um jornalismo sem medo, claro e posicionado. Por quê? O governo tachou veículos de comunicação de trincheira de esquerdistas, justificando a evasão a questionamentos sobre denúncias e fatos públicos sucessivos.
Por outro lado, há veículos se posicionando abertamente em defesa do liberalismo econômico, do governo e contra partidos de oposição (de esquerda?). Precisamos apostar na liberdade de expressão. O país convive hoje com o jornalismo que venceu o temor, o fantasma das ameaças, mas que ainda vive com a individualidade da incerteza: contra ou a favor?
Há uma ironia de Johann Goethe apropriada à realidade brasileira: “Ó doce liberdade da imprensa, vem, deixa-nos estampar o que quisermos. Mas… não se atreva a abrir a boca quem como nós não pensa”.
Essa alfinetada, dada no começo do século XIX, retrata o conflito que se vive hoje, à mercê de conceitos equivocados de esquerda e de direita, que se esvaziam no duelo de interesses pessoais e de irmandades. Aqui, o destemor precisa estar acompanhado de determinação e inovação.
Parodiando Rui Barbosa, a hipocrisia, a subserviência e a bajulação não devem integrar os compromissos diários do jornalista. Compromissos com ideias renovadoras, o combate ao vírus da corrupção e abusos políticos, investimento em reportagens e textos que fujam à mesmice, são prerrogativas que devem alicerçar o jornalismo em seus novos desafios. Ah, mais um detalhe: vaidade, arrogância e desatenção precisam dar lugar à humildade.
Enquato isso, na praia da Cachoeira…
– Venanço, o que tás achando dessa briga entre a imprensa e o Bolsonaro?
– Pelo jeito, Lelo, nenhum dos dois não querem saber da gente