‘Movimento da cidade’: Procissão Senhor dos Passos marca a cultura religiosa em Florianópolis

Confira na reportagem do projeto Floripa 350 como a procissão, maior evento religioso local, integra a tradição do município há 257 anos

Jéssica Schmidt, especial para o ND Florianópolis

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Em uma cidade multifacetada como Florianópolis, falar de cultura tem muito significado. É o modo de vida de um povo, é a música, teatro, arte, cinema, arquitetura, poesia ou religião. Pluralidade define.

Inclusive, na Capital há muita cultura religiosa, tradições que vieram com a colonização portuguesa. Na reportagem especial do Floripa 350 desta sexta-feira (24), Marcelo ‘Mancha’ Cabral apresenta detalhes da religiosidade do povo que vive na Ilha da Magia.

Procissão Senhor dos Passos marca história cultural de FlorianópolisImagem do Senhor Jesus dos Passos está presente durante o ano na Irmandade, no Centro da Capital – Foto: Jéssica Schmidt/Especial para o ND

Crenças, ciência, fé e respeito. Em Florianópolis, uma das tradições religiosas mais conhecidas pela população é a Procissão Senhor dos Passos, tradicional evento religioso da Igreja Católica, que antecede a Páscoa e que faz parte do calendário da Capital há 257 anos.

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Manifestação religiosa

Rute Gebler, soprano com mais de 50 anos de carreira conhecida mundialmente, tem muitas histórias para contar. Gaúcha e moradora de Florianópolis há 54 anos, possui uma forte ligação com a Ilha, especialmente com a Procissão Senhor dos Passos.

A artista interpretou Verônica durante a procissão uma única vez e eternizou esse momento para sempre.

Rute Gebler descreve com emoção sua interpretação única como Verônica na Procissão Senhor dos Passos – Foto: Jéssica Schmidt/Especial para o NDRute Gebler descreve com emoção sua interpretação única como Verônica na Procissão Senhor dos Passos – Foto: Jéssica Schmidt/Especial para o ND

“O Senhor dos Passos aqui em Florianópolis tem muita tradição, as pessoas esperam muito esse momento. E eu digo, com toda convicção, que ser Verônica é um grande presente que a gente pode ter e oferecer”, reflete.

A tradição narra que a jovem Verônica teria se aproximado de Jesus enquanto ele carregava a cruz e, ao limpar sua face cheia de sangue e suor com um véu, a figura do rosto de Cristo ficou estampada no pano.

O canto, ou o grito de lamentação, tinha o intuito de anunciar que o homem que seria crucificado era o verdadeiro Cristo.

Segundo ela, interpretar a jovem é algo único na vida de uma cantora. “Além de ser uma responsabilidade, tem que passar a emoção e a dor que ela está sentindo, para que o povo que acompanha a procissão sinta isso”, ressalta Rute.

Movimento de uma cidade

A professora Lélia Pereira Nunes destaca que a procissão e todo culto em volta da Semana Santa é um símbolo da religiosidade do município.

“É a cara de Florianópolis. Se você está na procissão e tem o privilégio de olhar aquela multidão, que não é uma multidão simples, são pessoas comovidas, sensíveis, rezando. Alguns estão pagando suas promessas […] é o movimento de uma cidade”, evidencia.

Marcelo Mancha, Rute Gebler e Lélia Nunes Pereira constroem juntos a história da Procissão Senhor dos Passos – Foto: Jéssica Schmidt/Especial para o NDMarcelo Mancha, Rute Gebler e Lélia Nunes Pereira constroem juntos a história da Procissão Senhor dos Passos – Foto: Jéssica Schmidt/Especial para o ND

De onde veio

A imagem original do Senhor do Passos veio de barco da Bahia em 1764. O destino era o Rio Grande do Sul, mas o forte vento sul e as condições desfavoráveis do mar para uma navegação tranquila mudaram o desfecho dessa história.

De acordo com Lélia, essa é a história local que contam sobre a imagem. “Alguém disse: ‘Será que a imagem não quer sair daqui’?”, conta. A imagem ficou em Florianópolis e o barco seguiu seu caminho.

A procissão é realizada pela Irmandade Senhor dos Passos, localizada junto ao Hospital Imperial de Caridade, no Centro.

A cor roxa e seu significado

Os tons de roxo estão presentes nas imagens e em tudo que tem a ver com a procissão. A professora revela que a cor roxa significa a tristeza, o luto. “O roxo é a cor da quaresma, o símbolo de luto da igreja católica”, diz.

O evento religioso é dividido em Procissão do Carregador, missa, a procissão e o encontro das imagens de Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores, em frente à Catedral Metropolitana.

Imagem de Nossa Senhora das Dores está presenta durante o ano na Irmandade, no Centro da Capital – Foto: Jéssica Schmidt/Especial para o NDImagem de Nossa Senhora das Dores está presenta durante o ano na Irmandade, no Centro da Capital – Foto: Jéssica Schmidt/Especial para o ND

Confira a reportagem completa sobre a cultura religiosa de Florianópolis exibida pelo Balanço Geral:

Floripa 350

O projeto Floripa 350 é uma iniciativa do Grupo ND em comemoração ao aniversário de 350 anos de Florianópolis. Ao longo de dez meses, reportagens especiais sobre a cultura, o desenvolvimento e personalidades da cidade serão publicadas e exibidas no jornal ND, no portal ND+ e na NDTV RecordTV.

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