Cidade de SC cancela festa após acusação de transfobia em concurso de beleza

Candidata trans acusou deputado estadual de transfobia, gerando anulação de concurso; prefeitura alegou 'animosidade'

Foto de Luana Miguel

Luana Miguel Criciúma

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A Prefeitura de Ermo, no Sul do Estado, cancelou, no final da tarde desta sexta-feira (21) a VII Festa do Agricultor e V Arrancada de Tratores, que seria realizada entre os dias 14 e 17 de setembro, após o deputado estadual Jessé Lopes (PL) ser acusado de transfobia por Alice Inácio, candidata transsexual que concorria ao concurso de beleza da festividade.

Ela acusou o parlamentar de parcialidade por causa de comentários em tom de transfobia nas redes sociais,  o que resultou na anulação do concurso pela Justiça.

Deputado Jessé Lopes (PL) é acusado de transfobia por candidata trans – Foto: Reprodução/Alesc; Reprodução/Arquivo PessoalDeputado Jessé Lopes (PL) é acusado de transfobia por candidata trans – Foto: Reprodução/Alesc; Reprodução/Arquivo Pessoal
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Em nota, a prefeitura da cidade afirmou que a decisão foi difícil. “O intuito da festividade sempre foi unir o povo ermense e, diante da animosidade estabelecida, infelizmente, tal objetivo não estava mais sendo alcançado”.

“Destaca-se que não é momento para encontrar culpados. Muito pelo contrário, o que se busca, agora, é a união da comunidade, a fim de que, em um momento futuro e oportuno, possamos novamente estarmos unidos, celebrando nossa cultura e nossa gente”, continuou.

A prefeitura também anunciou que os compromissos assumidos serão revisados e tratados com responsabilidade.

Relembre o caso

Na quarta-feira (19), a Justiça determinou a suspensão dos efeitos do Concurso da Festa do Agricultor em Ermo, sob pena de multa de R$ 60 mil.

A determinação aconteceu após o deputado Jessé Lopes se manifestar, em suas redes sociais, desaprovando a participação da jovem transsexual.

Durante a eleição das soberanas, no dia 7 de julho, o político marcou presença como parte da mesa de jurados, o que surpreendeu a candidata e seu advogado, Thauan Maia de Moraes.

“Solicitamos que fosse declarada a parcialidade do deputado no concurso, porque a gente entendia que fazer uma nova eleição prejudicaria diretamente as candidatas vencedoras, e a minha cliente não quer isso”, explicou Moraes.

Moraes também salientou que a decisão de prosseguir ou não com o concurso coube ao Poder Judiciário. “Não pedimos a suspensão do concurso. A desconsideração das notas de Jessé Lopes era o suficiente”, anunciou.

O advogado ainda destacou que a suspensão dos efeitos do concurso não cancelava a festa, apenas proibia a entrega dos prêmios às ganhadoras.

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