Moradores da Lagoa da Conceição, em Florianópolis, realizam uma exposição para marcar os seis meses do rompimento da Estação de Tratamento de Esgoto da Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento) que inundou o bairro, no dia 25 de janeiro.
Obra de Michelli Zimmermann Souza retrata sentimento de moradores com as perdas geradas pelo alagamento – Foto: Michelli Zimmermann Souza/Divulgação/NDIntitulada “Memória e Trauma – Descaso Lagoa”, a mostra tem como objetivo retratar a indignação, a tristeza e a esperança que remetem à situação vivida pelos moradores desde o desastre.
Para a exposição, foram convidados artistas profissionais, amadores, iniciantes e experientes, para unir vozes e se juntarem à luta em prol da reparação completa das perdas materiais, culturais e ambientais causadas pela tragédia.
SeguirCom a proposta de retratar sentimentos de moradores da Lagoa, a exposição recebeu 30 obras de artistas de várias regiões de Santa Catarina, como Meg Roussenq, Juliana Hoffmann, Sandro Clemes, Luciana Petrelli, Kamilla Nunes, Coletivo Ka e Silvana Maria da Rocha, entre outros.
Lançamento
O lançamento virtual da exposição está marcado para este sábado (24), às 19h, durante uma transmissão ao vivo no YouTube, pelo canal MAB Brasil. Enquanto a mostra física será realizada no domingo (25), das 10h às 16h.
A maior parte das obras estará disponível na antiga Pousada Essência do Sol, na Lagoa da Conceição. Na entrada da Servidão Manoel Luiz Duarte, o artista João Vejam vai produzir um grafite no muro de uma pizzaria.
Já em frente à casa nº 235, na mesma Servidão, estarão três instalações colaborativas montadas pelos atingidos, sendo um jardim pensado como mini praça para os moradores da rua, uma horta comunitária e a árvore da vida.
Veja fotos das obras
Relembre o desastre
A ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) da Casan, situada nas dunas da Lagoa da Conceição, em Florianópolis, estourou por volta das 5h da manhã, do dia 25 de janeiro. O esgoto invadiu a Avenida das Rendeiras e escoou para as águas da Lagoa.
Várias casas situadas entre a ETE e a avenida ficaram totalmente inundadas, provocando prejuízos incalculáveis para os proprietários e moradores.
Durante anos, a população do bairro vinha denunciando que a Estação não comporta a demanda. O transbordamento da lagoa da estabilização era questão de tempo, e de muita chuva.
Com a ocorrência, a Lagoa ficou inviável para banho e também trouxe risco de danos ecológicos, sobretudo, na vida de peixes, camarões e siris que ali se reproduzem e vivem.
Esgoto invadiu a avenida das Rendeiras e foi despejado nas águas da Lagoa – Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação/ND