O vírus pandêmico contabiliza todos os óbitos, como se camada da humanidade estivesse sendo dizimada por uma só doença. Em cada dia, surpresas com o desaparecimento de vidas, e causa é a Covid-19. Nas últimas semanas, perdemos cerca de 40 amigos e conhecidos no ranço da pandemia.
E nesta semana, morreu o nosso estimado e competente amigo Gilberto Gerlach, vítima de problema do coração. Tristeza é ver a cidade distanciar-se do valor humano que desaparece no momento de agonia.
Cinema – Foto: Pixabay/Divulgação/NDGilberto era a síntese de simplicidade, inteligência, inovação e, sobretudo, estímulo à cultura. Assim como a nossa querida Carmen Fossari, que passa a nominar o teatro da UFSC, Gilberto foi expressivo na cultura da Grande Floripa, e pode-se afirmar que o centro histórico de São José ainda está vivo em razão da sua teimosia.
SeguirAjudou-nos a criar o curso de Cinema da Unisul e transformou o CIC (Centro Integrado de Cultura) numa grande atração, tanto em programas de cinema quanto em teatro e outros espetáculos. Floripa não é mais a mesma.
Na Cachoeira do Bom Jesus, a morte de Leonel Pereira, por exemplo, o querido Nelito, nos anos 70, comoveu toda a região. Ele criou a Serte (Sociedade Espírita de Recuperação Trabalho e Educação), para ajudar idosos e crianças.
Da mesma forma, outros manezinhos, como Vazinho, Gervásio… O velório realizava-se na residência, e o corpo, colocado em esteira de piri da bananeira, era transladado em carro de boi, até o cemitério de Canasvieiras, em romaria.
Na praia da Cachoeira…
– Ô Venanço, como tem morrido gente meio que do nada, né?
– Morre mais é pela praga do corona, Lelo. Pelo dito e pelo não dito.
– E tu já reparou como a dor está apressada depois que a tal da praga se aboletou? Será que ninguém mais deixa história? Tudo é igual?
– Velório de agora é lugar estranho, Lelo. Não há mais essa de passar o dia inteiro na casa do defunto, prosear, beber cachaça pra aliviar a dor que não arreda. Tudo mudou!
– Mas, home, lembrança boa ajuda a viver.
– Melhor é que ainda temo gente boa no nosso lado, como o pescador Manoel, o Zé Cabra, o Jorge, filho do Zinho, e ainda temo as bruxas de verdade.
– Só falta o corona derrubar nossas bruxas.
– Vira a boca pra lá, Lelo.