FCC anuncia retorno do Prêmio Cruz e Sousa, sete editais e a reforma no TAC

Presidente da FCC, Rafael Nogueira, avalia que setor vive momento histórico em SC, faz um balanço e apresenta metas

Foto de Nícolas Horácio

Nícolas Horácio Florianópolis

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Retorno do prêmio Cruz e Sousa de Literatura, reforma no TAC (Teatro Álvaro de Carvalho), em Florianópolis, e no Museu Nacional do Mar, em São Francisco do Sul. Os maiores editais de cultura da história de Santa Catarina. Conforme o presidente da FCC (Fundação Catarinense Cultura), Rafael Nogueira, o momento é virtuoso.

O presidente da FCC, Rafael Nogueira, visitou a sede do Grupo ND e apresentou as novidades da fundaÇão – Foto: DIVULGAÇÃO/LEO MUNHOZ/NDO presidente da FCC, Rafael Nogueira, visitou a sede do Grupo ND e apresentou as novidades da fundaÇão – Foto: DIVULGAÇÃO/LEO MUNHOZ/ND

Após visitar o Grupo ND na última quinta-feira (14), Nogueira concedeu entrevista ao jornal ND, fez um balanço da gestão, anúncios, apresentou metas e reforçou os pedidos do governador Jorginho Mello, como o apelo para que os demais municípios, além da Capital, sejam atendidos e valorizados.

“Estamos em condições de fazer cultura como nunca se fez e queremos que isso se mantenha”.

Natural de Santos (SP), Nogueira conta que foi muito bem recebido e elogia a variedade cultural do Estado.

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“Temos uma riqueza de identidades muito grande e isso é extremamente positivo. Basta que o governo do Estado enxergue isso, do ponto de vista cultural. Temos um dos programas de incentivo mais bem-sucedidos do Brasil. Quando cheguei aqui já existia, mas valorizamos. É uma triangulação entre o setor privado, destinando ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços] para um proponente cultural, que tem seu projeto analisado e aprovado pela FCC. Se não for o melhor do Brasil é um dos melhores”, salienta o presidente.

Sobre os projetos da fundação, lembrou do Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura 2023, que teve as inscrições prorrogadas até este domingo, e vai distribuir R$ 8 milhões a propostas em três categorias: artes, artes populares e patrimônio e paisagem cultural. Além disso, o lançamento do Prêmio Catarinense de Cinema, edição especial da Lei Paulo Gustavo.

Sete editais

O presidente Rafael Nogueira diz que esse é o primeiro edital, de um total de sete, e cinco deles serão para o audiovisual e cinema. Este edital de R$ 38 milhões é o maior edital de cinema da história de Santa Catarina, com inscrições até 23 de outubro.

“São várias categorias, desde longa-metragem, longa-metragem de baixo orçamento, curta e média metragens, games e várias faixas que possibilitam inscrições de valores muito altos, ou valores bem menores para fazer, por exemplo, um vídeo, videoclipe. Tem muito recurso previsto para realmente fortalecer a área do cinema”, frisa Nogueira.

Na mesma área, também mencionou editais para aprimoramento dos espaços de cinema, capacitação dos produtores e agentes ligados à indústria do cinema.

Já o PIC (Programa de Incentivo à Cultura) fica aberto o ano todo, fechando em dezembro para balanço, e voltando entre março e abril de 2024.

“É o carro-chefe, mas ao mesmo tempo teremos iniciativas novas. Estou para lançar um edital de educação patrimonial, para que as cidades, institutos e associações possam captar e ensinar sobre imigrações, prédios, museus, tudo que existe na cidade, além de criar trilhas e guias para uma maior valorização dos espaços históricos”, ressalta Nogueira.

Reformas nos espaços da FCC

Após demanda do setor cultural, sobretudo de artistas que se apresentam no palco, o TAC passará por uma reforma na parte elétrica a partir desse mês.

“A nossa questão agora é fechar ou não fechar e a minha linha como presidente é não fechar. Fazer a obra com o teatro funcionando, desde que todas as condições de segurança sejam atendidas. Se não puderem ser atendidas, não vamos prejudicar os servidores, público nem os artistas. Aí teremos que contar com a compreensão de todos”, afirma o presidente da FCC.

Nogueira conta que se espantou com a qualidade estrutural dos espaços da FCC. “Quando cheguei, o cinema do CIC [Centro Integrado de Cultura] estava com infiltração e fedendo a mofo. A sala do chefe de gabinete e do jurídico tinha goteira. O TAC com problema elétrico, o Museu Nacional do Mar caindo aos pedaços, tudo isso vai passar por reforma”, ressalta.

“O telhado do CIC está tendo que passar por reforma. Está tudo muito prejudicado. Queremos deixar como legado a reforma de todos esses espaços”, completa.

Em seguida, Nogueira pretende trazer uma nova forma de gestão, abrindo um chamamento para organizações sociais gerenciarem os espaços.

Segundo Nogueira, o problema do TAC não é complexo. “A previsão é de que nesse mês comece a reforma, devendo levar cerca de quatro meses”, diz o presidente. Essa, entretanto, é uma estimativa, pois, como é um prédio histórico, podem surgir imprevistos que atrasem o andamento.

Reabertura do Masc e retorno da Cocali

Sobre as condições para reabertura do Masc (Museu de Arte de Santa Catarina), na Capital, Nogueira disse que a FCC pretende fazê-la em breve, pois a obra do telhado do CIC será deslocada para outro lado. Depois, será preciso terminar mais uma parte do Masc, mas a intenção é reabrir em breve.

Outro retorno anunciado pelo presidente é da Cocali (Comissão Catarinense do Livro). Santa Catarina tem uma lei que obriga o governo do Estado a comprar livros de autores catarinenses para distribuir nas bibliotecas do Estado. Há cinco anos, a lei não era cumprida. “A comissão da FCC está restabelecida e está com o edital avançado. Vamos lançar para fortalecer as bibliotecas públicas do Estado”, declara.

Após seis anos, o Suplemento Literário de Santa Catarina, a Revista O Catarina, também será retomado. “Vamos fazer de uma forma diferente, mas vamos fazer, porque é muito bacana a ideia, só que era muito vinculado a servidores que estavam ali e isso nem é bom do ponto de vista de política pública”, ressalta.

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